Olá a todos, |
Uma pergunta antes de mais: já repararam que um dos grandes colunistas do último quarto de século, um pioneiro dos blogues que já passou pela última página do Público, tem escrito no Observador, depois de um silêncio de quase 10 anos? Falo de Pedro Lomba, claro. |
E antes de passar a outras coisas, um conselho. Tiago Cavaco também escreveu sobre ela, num dos textos mais lidos da semana, mas se quiserem ler uma sofisticada paródia sobre a Feira do Livro, com o humor subtil e inimitável que nunca falta nos seus textos, leiam a crónica desta semana de Miguel Tamen. |
O dia de Portugal também foi pretexto para textos importantes dos nossos colunistas. Miguel Pinheiro escreveu um teto duro sobre a vacuidade do discurso de Seguro. Da generalidade dos discursos políticos, aliás. Tiago Dores também nos divertiu com o assunto. Já Nuno Gonçalo Poças deu-nos uma defesa das comunidades e tradições portuguesas, que serviu de pretexto para a nossa pergunta. |
O texto assenta na ideia de que não devemos ter vergonha de defender a nossa civilização. Mas nós quisemos subverter a premissa. Porque é que uma cultura deve ser defendida? Não devia ser ao contrário? A cultura não serve para nos proteger a nós? Porque é que a devemos defender, quando a relação se inverte? |
Nuno Gonçalo Poças respondeu: |
“Parece-me que a forma mais simples de lhe responder é fazendo a comparação com uma casa. A cultura protege-nos, naturalmente, como uma casa nos protege do exterior, mas para que nos possa continuar a proteger, ela deve ser mantida e protegida ela própria. Afinal, de que nos deve proteger uma cultura? Diria que do desenraizamento, da perda de referências, da ilusão de que o indivíduo pode existir fora de uma continuidade histórica e de um legado filosófico, religioso, cultural, no fundo. Acreditando na sociedade livre que foi construída no Ocidente, em geral, não deixo também de acreditar que essas mesmas sociedades livres assentam em instituições, costumes, memórias, valores, línguas, pátrias, soberanias, tudo símbolos que não são produzidos espontaneamente por cada geração. Ora, aquilo que nos protege pode facilmente desaparecer por perda de significado, por dissolução, por grandes revoluções que deixam culturas fragilizadas e substituíveis por outras. Talvez o problema do nosso tempo seja precisamente o facto de acreditarmos que os indivíduos precisam de protecção, quando deixámos de nos importar com a protecção que deve ser dada às condições culturais que tornaram possível a existência desses indivíduos e da sua condição. E essa condição é a de sermos livres, providos de direitos e deveres, iguais perante a lei, por exemplo”. |
A morte de Henry Nowak continua a produzir ondas de choque pela imprensa de todo o mundo; o Observador não foge à regra e José Manuel Fernandes escreveu sobre o delírio governamental que levou a que a polícia agisse como agiu; André Azevedo Alves falou-nos também do racismo anti-branco, compara o caso com o de George Floyd, e aproveitámos para lhe fazer esta pergunta: |
Perante a comparação Nowak/Floyd, parece óbvio que o natural seria pedir à polícia neutralidade em relação à cor. Porque é que isso persiste em não acontecer? Porque é que a tentativa de resolução de um problema de racismo gera um racismo de sentido contrário e não a neutralidade? Isto, de alguma maneira, demonstra a inevitabilidade de um conflito racial? |
Andre Azevedo Alves respondeu que “Isso não acontece porque a ideologia “anti-racista” promovida (com bastante sucesso) pela extrema-esquerda nos âmbitos académico e cultural ao longo das últimas décadas tem associada uma narrativa sobre racismo sistémico na qual o homem branco é obrigatoriamente o agressor institucionalizado. Daí que, em vez de promover a neutralidade da polícia, se promova (nomeadamente através das múltiplas iniciativas DEI) uma abordagem assimétrica, que supostamente visa corrigir as injustiças institucionalizadas. É neste contexto que surgem e se generalizam as práticas de “two-tier policing”: no contexto da ideologia radical “anti-racista” a adopção de uma postura de neutralidade equivaleria a prolongar e perpetuar a discriminação institucionalizada no sistema. O resultado final, como realço no artigo, é um enviesamento objectivo contra cidadãos branco, vistos como sendo naturalmente e genericamente “opressores”. O caso Henry Nowak é uma consequência trágica – mas não surpreendente – deste estado de coisas. Não creio que um conflito racial generalizado seja inevitável mas só será possível evitá-lo se as doutrinas radicais sobre “racismo estrutural” que dominam o contexto intelectual ocidental forem eficazmente combatidas e desmontadas reafirmando o igual tratamento de todos perante a lei. Se tal não acontecer, as tensões raciais continuarão a aumentar.” |
É tempo de mundial, e houve ainda espaço para textos sobre o assunto. O de Alberto Gonçalves, claro, e uma colecção divertida de proclamações intelectuais sobre o jogo, recolhidas por Paulo Nogueira. |
A figura |
Leão XIV tem motivado uma série de textos a propósito da recente encíclica sobre Inteligência Artificial; mas a recente visita a Espanha também mereceu a atenção dos nossos colunistas. Jaime Nogueira Pinto, Maria João Avillez e Gonçalo Dorotea Cevada escreveram sobre o assunto. |