Bom dia a todos,
Em primeiro lugar, um apelo urgente: a todos os que não o fizeram, leiam a crónica de Paulo Nogueira desta semana. A inacreditável história dos gangs da wikipédia que discutem Israel e a Palestina e que se transformou numa quase sanguinária guerra entre Estados e grandes corporações. Se fosse um filme cómico, ou uma banda desenhada Pulp, não se acreditava. Peço encarecidamente que se deliciem com este texto. |
Passando a guerras mais, digamos, materiais, as grandes controvérsias estiveram lá fora. Rui Ramos escreveu sobre o escandaloso caso de Nowak, preso por ter sido esfaqueado, e José Manuel Fernandes escreveu sobre a destruição de Paris, que uma horda bárbara julgou ser a forma mais adequada de festejar o título do PSG. |
João Marques de Almeida escreveu sobre os dois, com palavras muito duras para os partidos tradicionais, que se queixam do aproveitamento político destas tragédias. Não há aproveitamento político, explica ele, há, isso sim, governos que não protegem a identidade dos seus países. |
Decidimos fazer-lhe uma pergunta muito simples: como é que se protege essa identidade? |
João Marques de Almeida respondeu em 4 pontos: |
1. As escolas ensinarem os alunos a ter orgulho na história de Portugal. |
2. Ensinar devidamente o que é um país: um território soberano com uma nação com história e culturas distintas. Um país não é um mero território com habitantes sem identidade nacional e cultural. Um país não é simplesmente um território onde coabitam indivíduos reduzidos a agentes económicos a seres com múltiplas identidades que transacionam entre si. Um país não é apenas um grande centro comercial, ou um aeroporto internacional ou uma coleção de tribos e grupos. A nação é um contrato entre os vivos, os mortos eeee os que estão por nascer. |
3. Um esforço público, com apoios do governo, para existir orgulho e promover a nossa história, a a nossa cultura e a nossa geografia portuguesas. A história, a língua (base da cultura) e o território são as principais fontes da identidade nacional. |
4. Exigir aos imigrantes para respeitar a história e a cultura portuguesas, os nossos valores democráticos e de direitos dos cidadãos. Exigir a quem recebesse a nacionalidade portuguesa conhecimento da nossa língua, história e valores. Educar todos os filhos dos imigrantes nascidos em Portugal ou chegados ao nosso país como crianças para serem portugueses (obviamente, dupla nacionalidade e identidade). |
Em Portugal, continua o affaire Passos Coelho – e Mafalda Pratas explicou porque é que o caso não ata nem desata – e as réplicas das buscas ao PS. Foi sobre isso que escreveu Miguel Pinheiro, e também Miguel Santos Carrapatoso. Se Miguel Pinheiro fala do PS e do PSD, Miguel Santos Carrapatoso fala também do Chega, o que nos levou a perguntar-lhe: porque é que o Chega parece mais imune a estes casos? |
A resposta foi: |
Não existirá uma resposta simples. Importa não perder de vista que o eleitorado do Chega é muito heterogéneo e difícil de perfilar. Juntará muitos antigos abstencionistas, ex-eleitores do PCP, conservadores e elementos da direita mais radical. Mas é possível dizer que serão, na sua maioria, contra o atual “sistema”. E, em muitos casos, olham para os casos que assolam o Chega como uma reação do “sistema” contra o partido que se propõe a combater o “sistema”. Tudo isto acontece num contexto de profundo desligamento e de desconfiança em relação aos órgãos de comunicação social tradicionais, caracterizados pelos principais responsáveis do Chega como elementos desse mesmo “sistema”. Aqui entram dois dados que podem servir de chave de leitura: dizem-nos os mais recentes estudos pós-eleitorais que o Chega é o partido mais votado pelos homens até aos 55 anos e que lidera entre os homens que não têm curso superior; ao mesmo tempo, e como atestam outras investigações, as pessoas entre os 25 e os 44 anos, menos escolarizadas, com rendimentos mais baixos e politicamente indefinidas demonstram menos confiança nas notícias. Existe, portanto, uma interseção quase perfeita entre eleitores do Chega e aqueles que menos confiam nas notícias, o que pode ajudar a explicar, em parte, o porquê de o impacto de um escândalo político-mediático ser maior em partidos como o PS do que em partidos como o Chega. |
A figura |
Esta semana, as atenções centraram-se em Henry Nowak, pelo significado político da sua morte. Além de Rui Ramos e João Marques de Almeida, também Alberto Gonçalves escreveu sobre o assunto. |