A crescente aproximação estratégica entre o eixo Rússia, Irão e China irá certamente determinar a evolução das relações internacionais nas próximas décadas. Embora a atenção do mundo esteja hoje muito focada na Ucrânia e, em menor medida, na crise Israelo-Palestiniana, o grande confronto que se desenha no horizonte, a médio prazo, é o da afirmação da China enquanto potência económica, militar e diplomática. Embora se insista em falar deste novo mundo como um “mundo multipolar” a perspectiva que se desenha para estes novos tempos é um mundo em que a China se assume de forma crescente e, aparentemente, imparável, como “monopotência” e em que a Rússia será, cada vez mais, um parceiro menor, afectado pelas terríveis perdas humanas e económicas resultantes da sua aventura ucraniana, o Irão nunca passará de um parceiro menor, muito no estilo menor que a Itália de Mussolini assumia na aliança com o Império do Japão e o Reich alemão.
O Grande Jogo dos próximos anos será, acredito, determinado pela crescente presença da China no cenário internacional, uma presença que será mais notória depois que a guerra na Ucrânia entre numa fase de tréguas ou houver um tratado de paz entre a potência invasora e a Ucrânia. Mas já há sinais que transparecem desta nova ambição global de Pequim.
Desde que Trump venceu as eleições presidenciais, temos assistido a um aumento da actividade chinesa no mundo preparando um registo que os líderes de Pequim antecipam que seja de aumento da rivalidade EUA-China após Trump regressar ao poder.
Nos últimos anos, a China tem demonstrado uma postura cada vez mais assertiva e expansiva nas esferas militar, cibernética e geopolítica, revelando uma estratégia abrangente para consolidar a sua posição como superpotência global. Os acontecimentos recentes destacam um padrão preocupante de acções que desafiam normas internacionais, levantando questões sobre segurança regional e global.
A China foi recentemente acusada de hackear o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, numa operação que comprometeu informações sensíveis e minou a confiança na segurança cibernética de uma das principais instituições financeiras do mundo. Paralelamente, está em curso o que especialistas classificam como o “pior ataque cibernético na história das telecomunicações dos EUA”, com dispositivos de figuras como Donald Trump (DJT) e Joseph Biden (JDV) comprometidos.
Na Ásia e na Europa (Báltico), a China é suspeita de sabotar cabos submarinos, essenciais para a comunicação global e o comércio digital. Um incidente particularmente alarmante ocorreu perto de Taiwan, onde um cargueiro chinês cortou intencionalmente um cabo de comunicações. Este tipo de sabotagem pode paralisar economias e sistemas de defesa, deixando nações inteiras vulneráveis.
A China realizou os seus maiores exercícios navais em décadas, com uma impressionante demonstração de força no Mar do Sul da China. Esta região, vital para o comércio internacional, continua a ser palco de tensões devido às reivindicações territoriais agressivas de Pequim.
Entre as manobras recentes, destaca-se a prática de um bloqueio naval próximo às ilhas japonesas, uma provocação inédita que acentuou as tensões com Tóquio. Além disso, a China lançou o maior navio de guerra anfíbio do mundo e está a construir cinco grandes barcaças de desembarque de tropas, consolidando a sua capacidade de projecção de força em qualquer local de Taiwan com meios pesados tais como blindados e artilharia auto-propulsionada.
A China revelou também nos últimos anos uma série de novas aeronaves muito avançadas, incluindo os modelos J-35, J-36, J-15T/D e KJ-3000, que prometem rivalizar com os melhores caças e aviões de vigilância do mundo e que são muito superiores a qualquer aparelho que Taiwan possa actualmente contar. Estas inovações tecnológicas sublinham o compromisso de Pequim em modernizar e expandir as suas capacidades militares, posicionando-se como uma potência dominante nos céus e no mar nesta região do Pacífico.
As acções recentes da China apontam para uma estratégia coordenada que combina força militar, avanços tecnológicos e operações cibernéticas, com o objetivo de redefinir a ordem mundial. Estas iniciativas não apenas desafiam os Estados Unidos e seus aliados, mas também criam tensões na Ásia-Pacífico e na Europa, regiões onde a estabilidade depende de cooperação internacional e respeito pelo direito internacional.
As manobras chinesas representam um desafio significativo para a segurança global. Cabe às nações afetadas reforçar as suas defesas, promover colaborações estratégicas e adotar medidas que impeçam uma escalada descontrolada. Este é um momento decisivo para a comunidade internacional, que deve agir unida para garantir um futuro de equilíbrio e paz.