1. “Tive muito tempo”, diz ele, como se por si só isso chegasse para a revelação que nos espera quando entramos no seu “túnel”de ferro negro. “Tive muito tempo para pensar a sério isto, comigo mesmo”.

“Isto” é Alberto Giacometii por Rui Chafes. Estão os dois na sede da Fundação Gulbenkian em Paris mas apesar do título da exposição ter os nomes lado a lado, é um, Chafes, o vivo, que nos dá a ver o outro, Giacometti, o morto. O risco era, é, imenso. Pelo menos tão grande como o talento silencioso de Rui Chafes. Ou directamente porporcional a ele, talvez fique assim melhor dito.

Falamos um destes dias em Paris, onde o escultor viajou para assistir à conferência que a convite da Gulbenkian, a filósofa e professora Maria Filomena Molder veio fazer, sobre esta exposição: “Gris, vide, cris” (a mais recente, inesperada e interpelante assinatura internacional de Rui Chafes.)

“Há gente que pensa com os materiais, eu faço desenhos e vou desenvolvendo o pensamento até onde quero. Pego no ferro quando já sei. Quase como um arquitecto, recebo as minhas próprias ordens. Tenho a bancada cheia de desenhos e vou-os seguindo.” Pausa. E depois: “os desenhos são os sonhos que tento realizar”.

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