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Crónica

Crónica

Crónica estival ou uma definição política

Chegados a meio de Agosto, sentei-me ao computador e achei que, ao fim de cinco anos de crónicas, devia ao leitor uma apresentação e um enquadramento político. Para a semana volto à maçadoria habitual
Crónica

Proximidade

Ter trazido hoje, com desenvoltura e gosto, as vicissitudes de um mercado de fruta numa cidade secundária, trar-me-á desvantagem face à soberania da actualidade: então e Ceuta e Sánchez? e o Irão?
Crónica

Esperanças

De onde teriam vindo as duas mamãs belas, mães daqueles pequenos portugueses, um na barriga, outro, pequenino, num dos seus primeiros passeios pela rua?
Crónica

Páscoas

O pequeno papel dizia apenas “Anthonia, Nigéria” mas tanto bastou para que aquela mulher da qual nada nunca saberei ficasse de certo modo a meu cargo na lembrança, na oração, no olhar para a televisão
Crónica

A crónica dos nossos dias

Nunca tivemos tanta informação, ou mesmo tecnologia e tantas formas de comunicar. Neste momento parece que sabemos cada vez menos sobre o essencial: Os dias são feitos de quê?
Crónica

Regresso

Pergunto-me, então, que será para alguém ser de um lugar, se também aqui, onde caminho, os clientes habituais vieram de longe
Crónica

Na contramão dos dias

Devia escrever sobre Direito Internacional, Trump, o Irão, o puzzle do Médio Oriente, as Lajes, um Marcelo agora entregue a ele próprio. Mas Ingmar Bergman, Tcheckov e o mundo de ontem não deixaram.
Política

O Cantinho do António

Talvez devêssemos aprender com as pessoas do Cantinho do António, que discutem futebol com a paixão de sempre, mas sem abdicar do bom senso. A política não precisa de ser diferente.
Política

O pânico satânico da chegada do fascismo

As pessoas não-religiosas vivem no mundo Ocidental a ansiedade apocalíptica de um modo mais público do que as religiosas. Como? No exercício constante de se detectarem Anticristos, de forma política.
Crónica

Qual é o mal do medo?

Pais a lutar com os seus medos são sempre bons pais. Pais a fugir dos seus medos tornam-se mais inseguros, mais ansiosos e um bocadinho mais zangados consigo próprios.
Crónica

Para que serve ser útil?

Todos deixamos que útil e utilitário se confundam. Ou que se tome como adquirido que o número é mas útil que a palavra. Agir mais útil que sonhar. Ou que a engenharia tem mais utilidade que a poesia.
Crónica

Correr para o mar

Corro devagar e gostava de um dia correr mais do que os lentos quatro quilómetros do costume. O mergulho também não me fez nadador competente. E, no processo, os pequeninos tornaram-se grandes.
Crónica

Job, Tirésias e a respiração do prazer

A pureza não é inimiga do prazer: é a condição da sua real natureza. Pois o prazer não é um direito do corpo: é um acontecimento. Exige que a consciência se renda e o corpo respire de forma diferente.
Crónica

Os coliseus do Sami

Há alturas na nossa vida em que sentimos que círculos se completam. É uma bênção quando assim acontece. É uma bênção também aquilo que o Sami é para tanta gente.
Crónica

Ovídio e as metamorfoses da recusa

Platão escreveu que a alma ganha asas quando vê a beleza – asas que simbolizam o voo, mas também a fuga. A beleza fere; as asas surgem para escapar ao toque da visão.
Crónica

Rosalind

Falam pornograficamente e vêem pornografia em tudo. Talvez nunca tenham imaginado que as suas avós são ou foram corpos de desejo, um imaginário secreto.
Crónica

Afrodite, Lucrécio e a memória do corpo

O corpo sabe-o mesmo quando o espírito o esquece: lembra-se do mar que deu à luz Afrodite, lembra-se da espuma, do céu despedaçado; e dos mitos porque é feito deles; lembra-se porque precisa de morrer
Viagens

Abominar aviões

Confesso que gostei quando a pandemia de há cinco anos fez o mundo parar e quase todos os projectos de viagens arderam. Nessa medida, fui um homem feliz no covid. Às vezes dá-me uma saudade...
Livros

A náusea

A náusea talvez venha daquela morte matinal do colunista. O texto é público. O mal está feito. Dá vontade de sair à rua camuflada de arbusto.
Crónica

Heraclito, Kobayashi e o elogio da vulnerabilidade

Mudam as formas dos rios, das águas, da cor do céu, dos elementos, da Lua, das estações do ano, dos povos, das civilizações e costumes. Mas, antiga e terrível, permanece a teimosa interrogação da vida
Crónica

Perder com graça

Nessa medida, quero que a nova direita e a velha esquerda morram no inferno para que alguém possa finalmente começar a entrar no céu. Não porque ganhou mas porque soube perder com graça.
Crónica

Por um fio     

cumprida exemplarmente a ordem do velho Marquês aquando do Grande Terramoto, logo saltou para a ribalta o costumado entremez das “autoridades”, dos técnicos, dos comentadores e intérpretes...
Estados Unidos da América

A América é um reality show

Nenhum país foge tanto à compreensão do resto do mundo como os Estados Unidos. Quanto mais assistimos aos episódios da série, mais a acção nos confunde e fascina.
Crónica

Regresso a Ítaca no lago do Campo Grande

Diz-se que mulher alguma amará um homem que não lhe saiba sussurrar, desde antigamente, o seu nome pois, assim que ela o ouve, esse som revela-se afinal a morada na qual ela, sem saber, sempre habitou
Crónica

Discos perdidos

Agora, voltar a escutar os mesmos discos, conduz-me a dois passados. O passado dos amores sem telemóvel que elas cantam e o meu passado de menina que queria ser como elas. Não sou.
Crónica

Bürger e a engenharia do disparate

A história ficcionada de como um político do século XIX na Alemanha descobriu que as pessoas não votam na verdade — votam no eco.
Crónica

Xenofonte e o fecho-éclair

Durante a anábase, e antes da batalha de Cunaxa em que Ciro morreu e se revelou a liderança do cronista grego, Xenofonte decidiu que atribuiria a cada parte do seu corpo um fragmento de memória.
Verão

A silly season é a mais serious de todas

A qualidade do que Portugal faz só dá para ver quando ele pára. Só sabemos quem é quando relaxa ao ponto de poder ser silly. Enquanto se acha serious vive numa presunção que só enganará os desatentos.
Crónica

A minha filha mais velha ensina-me

Tudo acontece rápido. Pensar que, em menos de nada, a minha filha mais velha me guia em exposições sobre Camões deixa-me a cabeça à volta. O rodopio alimenta-se de surpresa e gratidão.
Naufrágios

Homero e as sereias de Tim Buckley

Seriam apenas leitores comuns, leitores como qualquer um de nós, aterrorizados pela ideia de terem de abandonar o próprio navio para se salvarem dos naufrágios privados da vida?
Acidente

A tragédia do turista é a sua redenção

Já outros disseram que ser turista é um modo algo rasteiro mas moderno de querer ser um peregrino. Talvez a coisa mais real e redentora que o turista possa fazer é, no fim de contas, dar-se mal.
Crónica

Filomela e a tácita revolta dos objectos

A palavra “texto”, a antiquíssima palavra textum, significa, em latim, aquela teia que as aranhas tecem nos galhos. O texto é esse dispositivo de predação que flutua no ar.
Verão

“Está a querer cacimbar”

O Oeste é isto: os dias a quererem “cacimbar”, destoando com galhardia de outros lugares onde há sol, mar, calor, dias longos, noites doces. Coisas do verão, numa palavra. Mas aqui, aqui “cacimba-se”.
Crónica

O meu eu falso é melhor do que eu

No mundo de enganos da internet o Tiago falso é claramente melhor do que o Tiago verdadeiro: ainda que seja para sacar dinheiro dá notícias. O Tiago verdadeiro não o faz quando nem de dinheiro precisa
Crónica

O elogio da tecnologia

A tecnologia vai continuar a empurrar-nos e fica-me só a tristeza de já não ver como será a vida das pessoas no final deste século, nem experimentar as novas tecnologias que, entretanto, nos chegarão.
Internet

O fantástico parasita da caixa de comentários

O apocalipse também vai ser uma espécie de vingança da vida microscópica sobre os textos oficiais. Vinde e tomai posse, vós, ó exércitos camuflados dos subtextos!
Crónica

Teoria geral da falha e da fragilidade

A criança dos nossos países desenvolvidos tem um lar confortável, vai à escola e tem à sua disposição uma infinidade de entretenimentos. Mas nada substitui o tremor de um gato enroscado no nosso colo.
Crónica

Escrever e sarar

Por estranho que possa parecer, ter curiosidade pela diferença, estar aberto à sua estranheza, parece depender da proporção em que estamos pacificados com o lugar de onde viemos.
Crónica

Nem todos os barcos chegam ao cais

Na jangada que voga ao grado da corrente e no saveiro que flutua no rio de madrugada, também há anelos e esperança. O tempo muda, a treva é efémera. Um dia, a névoa levanta.
Pessoas

Leitores que são animais

Não é um mau conselho a dar em 2025 a quem goste de escrever e ser lido: não esperes que os leitores sejam pessoas; contenta-te se as pessoas forem leitores.

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