Numa altura em que milhares de professores e estudantes procuram casa para iniciar mais um ano letivo, a crise da habitação volta a assumir uma dimensão particularmente visível. Encontrar uma casa disponível e a preços acessíveis tornou-se um desafio para muitas famílias e, perante esta realidade, é urgente olhar para todas as respostas possíveis.
Construir mais habitação é naturalmente necessário. Mas não pode ser a única resposta. Portugal dispõe de um vasto parque habitacional que precisa de ser reabilitado, modernizado e adaptado às necessidades de conforto atuais.
Grande parte dos edifícios portugueses continua a apresentar baixos níveis de eficiência energética, contribuindo para consumos elevados e para situações de desconforto térmico. Janelas antigas, com vidro simples, caixilharias ineficientes ou problemas de estanquidade permitem perdas significativas de energia no inverno e ganhos excessivos de calor no verão.
Substituir estas janelas por soluções eficientes é uma intervenção rápida, fácil e com impacto direto no conforto dos moradores e no desempenho energético das habitações. E também é uma forma de prolongar a vida útil dos edifícios e aumentar a sua qualidade e valor patrimonial.
A reabilitação deve, por isso, ser encarada como uma política de habitação e não apenas como uma política de eficiência energética. Uma casa reabilitada é uma casa mais confortável, mais saudável e, quando a intervenção é bem planeada, mais económica de utilizar. Num contexto de elevados custos de energia e de dificuldade de acesso à habitação, esta dimensão não pode ser ignorada.
Existe ainda uma oportunidade para articular as políticas públicas de habitação com as metas de descarbonização e eficiência energética. Incentivar a reabilitação do parque habitacional, nomeadamente através da substituição de janelas ineficientes, permite responder simultaneamente a vários desafios: melhorar as condições de vida, reduzir consumos energéticos, diminuir emissões e dinamizar a economia nacional.
Os programas de apoio à habitação e à reabilitação devem incentivar intervenções que garantam ganhos efetivos e duradouros de eficiência energética, privilegiando soluções certificadas e instaladas por profissionais qualificados.
A crise da habitação exige respostas estruturais e de longo prazo. Não basta disponibilizar mais casas: é necessário garantir que as casas existentes são adequadas às necessidades de quem nelas vive.
Num momento em que professores, estudantes e famílias enfrentam dificuldades crescentes para encontrar habitação, reabilitar o que já existe pode ser uma das respostas mais rápidas e concretas. E tornar essas casas mais eficientes começa, muitas vezes, por uma intervenção tão simples quanto decisiva: trocar uma janela antiga por uma janela eficiente.
Uma política de habitação verdadeiramente sustentável deve preocupar-se não apenas com quantas casas temos, mas também com a qualidade das casas onde vivemos.