As mulheres correspondem a apenas 20-25% da força de trabalho em cibersegurança, o que faz com que este seja um domínio predominantemente masculino. De acordo com um relatório de 2024, o “número de mulheres em cibersegurança tem permanecido constante ao longo dos anos”.
Embora haja outros que afirmem que o número de mulheres em cibersegurança tem vindo a crescer, tal ainda não é suficiente. Sendo as mulheres um quarto da força de trabalho, pode levar décadas até que atinjam uma percentagem semelhante à dos homens.
A escassez de talentos globais a nível da cibersegurança já é um problema significativo por si só, que clama por soluções. A demanda é maior do que número de talentos reais disponíveis. Mas a carência de mulheres exacerba mais este problema.
As lacunas que as mulheres podem potencialmente preencher podem contribuir para uma melhoria da postura de uma organização, explorando todo o potencial de uma força de trabalho diversificada. Ainda assim, as mulheres estão sub-representadas.
Tem sido um grande desafio atrair mulheres para o campo da cibersegurança, já que existem muitos equívocos e barreiras percetivas. A perceção pública geralmente apresenta um homem com um capuz a codificar num quarto escuro, num fundo semelhante ao The Matrix. Quase nunca se representa uma mulher nesse papel.
Esta noção deve ser mudada. Ter mais mulheres a trabalhar neste campo ajudaria a combater estereótipos e vieses no local de trabalho. Trabalhar em cibersegurança não tem somente a ver com conhecimentos técnicos mas também com outras competências: perspicácia empresarial e competências interpessoais (entre outras), que formam um todo holístico. Como tal, as mulheres podem contribuir com o seu “toque feminino”. Como disse Bruce Schneier, um guru de cibersegurança de renome: “A segurança é um processo, não um produto”.
Como uma mulher com mais de 14 anos de experiência de trabalho em tecnologias de informação (8 dos quais em cibersegurança), eu notei que os meus talentos são complementares aos dos meus colegas masculinos. Embora nenhum género seja melhor do que o outro, as diferentes perspetivas enriquecem as estratégias e soluções para problemas de cibersegurança.
As empresas tendem a ter um melhor desempenho nos seus programas de cibersegurança se houver mulheres nas suas equipas. Uma vez que as mulheres possuem diferentes abordagens de resolução de problemas e distintos padrões de pensamento que os homens, elas podem aprimorar os métodos e resoluções de problemas. Ter uma equipa diversificada impulsiona a criatividade e inovação, conduzindo a uma estratégia de segurança mais abrangente.
Para alcançar esta diversidade, é imperativo que o local de trabalho e o seu ambiente sejam um espaço seguro para as mulheres desenvolverem o seu pleno potencial, protegendo-as e facilitando o seu trabalho.
Também precisamos de atrair e ajudar as mulheres a permanecerem neste domínio, ao implementar uma cultura de inclusividade e de apoio, abordando vieses (mesmo inconscientes) e promovendo um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional através de configurações flexíveis (como por exemplo, trabalho remoto), para além de instituir unidades de diversidade e inclusão nas organizações às quais se possa recorrer quando as avaliações de desempenho são injustas e enviesadas contra as mulheres.
Se as mulheres tiverem um bom desempenho nos seus empregos, devem receber o crédito e ser apreciadas e celebradas. As mulheres também devem ser mais assertivas nas suas contribuições para a empresa, para que os seus esforços não sejam subestimados nem o crédito pelo seu trabalho árduo lhes seja tirado.
Ter modelos e mentoras femininas pode encorajar mais mulheres a entrarem e permanecerem neste campo. Aumentar a participação feminina também pode ajudar a desfazer esteréotipos e a encorajar as gerações futuras a trabalhar em cibersegurança.
As mulheres são um recurso inestimável em cibersegurança, já que ajudam a mudar o foco de soluções puramente técnicas para práticas de segurança mais centradas no ser humano. Estas estratégias devem ser implementadas para que o pleno potencial das mulheres seja realizado.
O Observador associa-se à comunidade PortugueseWomeninTech para dar voz às mulheres que compõem o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.