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Desculpa. Nós podemos ter uma família onde não há violência, onde não há abuso, mas onde também o amor é condicional, não é incondicional.

E o nosso cérebro, no fundo, tende a adaptar-se a tudo o que tem.

É essa a realidade.

Bem ou mal, adapta-se. Aquela memória salta sem a pessoa perceber por quê e ela é revivida de forma tão emocionante e tão ativa como se estivesse a acontecer aquele momento.

Mas há traumas que podem ser mais invisíveis, por assim dizer, situações que podem deixar uma marca sem que nos apercebamos da gravidade que elas tiveram.

Sim, o trauma fica armazenado no nosso corpo, mas não é tão simples como às vezes as pessoas querem fazer. Há divórcios que são extremamente traumáticos na verdadeira acepção do termo. Tu podes ter trauma menor e trauma complexo ao longo da tua infância e depois tens um grande evento major que dá origem a um estresse pós-traumático.

E não vai correr muito bem.

Não corre bem.

Já vamos falar sobre as várias possibilidades para uma cura, para resolver um trauma, mas há traumas incuráveis? Gustavo, quando alguém diz que tem um trauma, nós normalmente achamos que percebemos bem o que a pessoa quer dizer. "Olha, tenho um trauma." Mas será que nós percebemos bem o que é exatamente ter um trauma?

Eu acho que a maior parte das pessoas não percebe exatamente o que é o trauma e confunde trauma com estresse intenso, e são coisas diferentes. E por outro lado, há ainda que distinguir trauma acontecimento de trauma evento psicológico, porque as pessoas pensam, no fundo, que ter um evento muito traumático na vida é o trauma em si. Mas, na verdade, o trauma, deste ponto de vista psicológico que nós estamos aqui a falar, não é o evento em si, é sim a resposta que o nosso cérebro e o nosso corpo fazem a esse evento. Porque nós dois podemos deparar-nos com uma circunstância igual. Podemos ir na rua e ver um atropelamento e o nosso cérebro reage muito diferentemente a esse acontecimento. Portanto, uma coisa é o acontecimento, outra coisa é a reação corporal e cerebral ao acontecimento. E isso é que, do ponto de vista psiquiátrico e psicológico, é o trauma.

E pode ter intensidades diferentes, porque há muitas pessoas que dizem ou que acham mesmo que nunca tiveram um trauma, porque nunca passaram por uma guerra, nunca viveram uma situação de abuso na infância e, portanto, estão a pensar em coisas maiores. Mas há traumas que podem ser mais invisíveis, por assim dizer, situações que podem deixar uma marca sem que nos apercebamos da gravidade que elas tiveram.

A resposta simples é sim, pode haver. Mas agora deixa-me só voltar atrás para explicar o seguinte: quando nós temos estresse psicológico, e já falamos muito aqui no nosso programa de estresse psicológico, no fundo, existem sempre alterações do nosso sistema nervoso em reação aos acontecimentos propriamente ditos, acontecimentos estressantes. Quando nós falamos de acontecimentos traumáticos, estamos a falar de um grau um bocadinho maior do que apenas acontecimentos estressantes. Porque uma coisa é eu ter muita coisa por fazer, muito trabalho e por aí fora, outra coisa é acontecer algo traumático. E a definição clássica de trauma é, de facto, aquilo que tu disseste como sendo o trauma major. Ou seja, habitualmente, e de acordo com as definições, depois explico, aliás, que perante um trauma, uma pessoa pode desenvolver mesmo uma perturbação psiquiátrica. Não necessariamente desenvolve, mas pode desenvolver. E para que essa perturbação aconteça, o trauma tem que ser major num dos tipos de doença ou minor noutro tipo. O trauma major implica sempre ou a morte presenciada ou conhecida de alguém, que pode ser próximo ou não, mas tem que ser uma morte presenciada ou altamente reconhecida, ou uma violência física com ameaça vital, com ameaça à vida, ou então, por exemplo, violência sexual. Portanto, tem que ser uma coisa muito grave que tem que ser presenciada ou vivida na própria pessoa. Isto é a definição clássica de trauma major. Quando nós passamos por um trauma major, e era como te dizia, o nosso cérebro sofre, registra várias alterações. Essas alterações, só para resumir, acontecem em duas regiões principais do nosso cérebro: a amígdala, que digamos, é o central de alarme, que é perante aquele trauma, no fundo, o que acontece é que o ser humano se sente ameaçado. Eu estou em ameaça, porque eu presenciei a morte ou eu estou a ser vítima de algo que me pode causar a morte, e a amígdala ativa-se muito, portanto, há um sinal de alarme no nosso cérebro. E depois faz uma série de ativações e nomeadamente regula ou desregula outras regiões do cérebro relacionadas, por exemplo, com a memória, como é o caso do hipocampo ou o córtex pré-frontal. Portanto, toda a gente tem isto. Perante um trauma, uma grande ativação do nosso cérebro através da amígdala, com modificação das funções de outras regiões cerebrais. Tipicamente, em pessoas saudáveis, o que acontece é que a pessoa vive o trauma e consegue regular-se. Depois o cérebro volta ao normal, digamos assim. Mas, e por isso é que diferentes pessoas perante o mesmo trauma, podem desenvolver ou não o fenômeno psicológico trauma.

Mesmo num trauma major.

Sobretudo num trauma major, porque depois os mecanismos do trauma minor são um bocadinho diferentes, posso-te explicar já de seguida. Mas quando existe este trauma, toda a gente tem esta ativação, só que depois, dependendo do estado basal do teu cérebro, tu desenvolves ou não uma coisa patológica relativamente àquele trauma.

O que é isto do estado basal?

O estado basal, no fundo, é aquilo a que aliás, hoje em dia se costuma chamar a resiliência. Portanto, a resiliência do teu cérebro varia dependendo de vários fatores. Fatores geneticamente determinados. Por exemplo, quando eu te digo que a amígdala é ativada, isso está geneticamente até determinado. Há pessoas que são mais sensíveis à ameaça. Há até certas mutações de genes, por exemplo, relacionados com transportadores da serotonina, que é muito conhecida como neurotransmissor, que aumentam o risco de ter perturbação de estresse pós-traumático. Por quê? Porque resultam numa ativação excessiva da amígdala. É como se tu tivesses uma amígdala que já de base é hiperativa geneticamente. Isto, biologicamente determinado. Depois, as experiências prévias que tu tenhas tido. Se tu tiveres tido uma vida altamente estressante ou um período prévio muito estressante que tenha deixado o teu cérebro em alerta prévio, o trauma vai apanhar um terreno mais fértil para desenvolver uma resposta excessiva. E depois, por outro lado, como é que o trauma aconteceu propriamente dito? Ou seja, tu estavas sozinha ou estavas acompanhada por alguém que te fez sentir segura? Estiveste mesmo na iminência de morrer ou foi uma coisa um pouco mais distante? O que é que aconteceu nas horas e nos dias a seguir ao trauma? Ficaste em isolamento social a ruminar no que aconteceu ou continuaste a tua vida e tiveste outras relações que te securizaram? Portanto, todos estes fenómenos pré e pós evento traumático vão modificar a resposta do teu cérebro ao trauma. E isto faz com que depois haja pessoas, a maior parte das pessoas, que resolve aquela resposta que o seu cérebro deu ao trauma de forma natural e outras pessoas desenvolvem doença mental. Deixa-me só fazer esta breve explicação sobre as doenças mentais que resultam do trauma, porque há basicamente três doenças atualmente classificadas nas classificações de doenças mentais sobre trauma. As principais, que são: o estresse pós-traumático. O estresse pós-traumático ou perturbação de estresse pós-traumático acontece tipicamente entre três dias a um mês após o evento traumático. O que acontecer nos três dias iniciais, ou seja, antes desses três dias, chama-se perturbação aguda de estresse. E essas são as duas reações principais ao trauma. Não é estresse, desculpe, é perturbação aguda ao trauma. Depois, perturbação de estresse pós-traumático até um mês. E depois, claro, a perturbação de estresse pós-traumático já é uma perturbação muito disfuncional, enquanto que a perturbação aguda pode resolver-se sozinha e nunca dar origem a uma perturbação de estresse pós-traumático. Mas aqui, voltando à tua pergunta, estamos a falar, sobretudo, trauma major. Quando falamos de trauma minor, aí já não estamos necessariamente a falar de uma resposta aguda a um evento em particular, mas sim a uma resposta continuada a algo que foi acontecendo de forma repetida e dá origem a uma coisa que é bastante recente nas classificações, que é a perturbação de estresse pós-traumático complexo ou trauma complexo.

Nunca ouvi falar.

Não. Então passas a ouvir, porque é extremamente importante, porque é uma mudança radical do paradigma relacionada com o trauma.

Mas então vamos perceber primeiro o que é esse do trauma minor. Não é uma coisa tão intensa e tão grave, deixa-me usar esta expressão, como presenciar a morte de alguém ou estar na iminência da morte ou um abuso sexual. Não é isso?

Não é isso.

É uma coisa menos intensa e menos extrema, vá, mas continuada no tempo.

Isso mesmo.

Por exemplo.

E já agora, também dependendo da fase da vida em que acontece. Tipicamente, estamos a falar de coisas que acontecem em fases mais vulneráveis da vida da pessoa, ou seja, infância, adolescência. E quando tu dizes, por exemplo, são, por exemplo, estilos parentais de humilhação, portanto, humilhação permanente ou, pelo contrário, desvalorização constante e falta de cuidado quando esse cuidado é necessário. No fundo, são circunstâncias repetidas, tipicamente das figuras de vinculação, ou seja, aquelas pessoas, já falámos de vinculação anteriormente em episódios anteriores.

E da importância da vinculação mãe e filho.

Isso mesmo.

E de filho e mãe.

E a figura de vinculação principal tem uma grande responsabilidade, porque ela é a figura que dá segurança. Portanto, no trauma complexo, tipicamente o que nós assistimos é na figura de vinculação ou numa das figuras de vinculação principal, um comportamento que humilha, que desrespeita reiteradamente, ou então que despreza, desvaloriza ou até negligencia.

Por exemplo, nós podemos ter uma família onde não há violência, onde não há abuso, mas onde também o amor é condicional, não é incondicional, ou as crianças são postas de lado e não valorizadas. Isso pode provocar, pela repetição, esse trauma minor.

Isso mesmo. Só que, claro, eu não sou ninguém pra estar aqui a julgar o amor que os pais sentem pelos filhos, até porque eu tenho a crença, talvez ingênua, de que a grande maioria dos pais quer o melhor pros seus filhos. Eu estou convencido disso, sinceramente. Agora, a forma como exercem a sua responsabilidade parental é que nem sempre é a mais informada e a mais adequada. E depois depende das práticas parentais. E efetivamente, nós verificamos e sabemos isso, até nós que temos prática clínica, quando vamos ver as histórias prévias das pessoas que estão na nossa consulta, é bastante frequente o trauma minor, no fundo, complexo, que é experiências de humilhação repetida, experiências de desvalorização, experiências de negligência repetida, que no fundo, o que é que vão fazer? Ao contrário daquilo que falávamos há pouco no trauma major, em que há uma ativação imediata, grande do cérebro e depois a pessoa fica em estresse pós-traumático, quando o cérebro não consegue desligar aquela resposta, e depois já falo um pouquinho mais sobre isso, pras pessoas perceberem o que é, de fato, o estresse pós-traumático. Neste caso, não é bem assim. O que acontece é que há uma construção de redes neuronais e do funcionamento neuronal, numa fase muito importante do desenvolvimento, em que, no fundo, é pautada pela insegurança e em que o cérebro é um cérebro inseguro, mais frágil relativamente aos acontecimentos e que também está relacionado com a forma como as pessoas se comportam no mundo e até como se relacionam com os outros.

Há um livro que fala precisamente sobre como o trauma é armazenado fisicamente. É um livro de Bessel van der Kolk, um best-seller.

É conhecido, sim, sim.

Que se chama "O Corpo não Esquece". E defende exatamente isso, que o trauma fica armazenado. Fica mesmo? Mesmo quando nós achamos que já seguimos em frente, o trauma pode ficar ali guardado em algum lugar?

Sim.

Fisicamente.

É uma ótima pergunta e é um ótimo pretexto pra eu explicar o que eu queria explicar sobre o PTSD. PTSD é perturbação de estresse pós-traumático. Porque, de fato, a resposta simples é sim, o trauma fica armazenado no nosso corpo, mas não é tão simples como às vezes as pessoas querem fazer, porque há uma certa simplificação deste fenômeno, que é: tu tens um trauma e esse trauma ficou gravado no teu cérebro, no teu corpo, e a partir daí, tu vives com o trauma e tudo o que tu fazes acontece em função daquele trauma que tu vivenciaste. Não é tão simples assim Já agora, temos que novamente dividir o trauma minor, que é o trauma complexo, do trauma major ou evento traumático grande. No trauma minor é de fato verdade que fica gravado na medida em que o nosso cérebro se desenvolve à volta daqueles eventos traumáticos. No fundo, a forma como a nossa personalidade se vai construindo, a forma como as nossas relações com os outros se vão construindo, são em função daquilo. Aquilo é o mundo que nós conhecemos e o nosso cérebro tende a adaptar-se a tudo o que tem.

A essa realidade.

Bem ou mal, adapta-se. Portanto, quando se adapta, constrói redes neurais, funcionamento cerebral, funcionamento mental, de acordo com aquele ambiente em que se formou, que é um ambiente de desvalorização, ou negligência, ou humilhação permanente. Quando estamos a falar de trauma major, esta ideia de que o trauma fica gravado no corpo e que o corpo não esquece, é também verdade, mas é sobretudo por via daquilo que eu te referi há pouco, ou seja, dos mecanismos cerebrais de ativação, sobretudo, claro, cognitiva e fisiológica. Porque quando tens um evento traumático, voltando ao tópico da sobrevivência, perante um evento traumático major, o que o nosso cérebro nos está a dizer é: "Vais ter que ativar as respostas para sobreviver a isto". Se tudo correr bem e tu tiveres uma boa rede a seguir e conseguires fazer o debriefing da situação e conversaste e tal, e consegues resolver o problema, está resolvido. Inativaste aquela ativação que foi necessária, aquele alarme que o teu cérebro lançou para te salvares daquela situação, que é de morte iminente, mesmo que não seja a tua. Mas se tu tens as tais condições prévias, a genética, as experiências prévias, a infância, porque depois isto não é mutuamente exclusivo.

E de repente o trauma minor cruza-se com o trauma major.

Isso mesmo, não é mutuamente exclusivo. Tu podes ter trauma minor e trauma complexo ao longo da tua infância e depois tens um grande evento major que dá origem a um estresse pós-traumático.

E não vai correr muito bem.

Não corre bem. O que quer dizer que não corre bem? Quer dizer que o teu cérebro faz uma ativação tal do sistema de alarme, através da amígdala, e depois esse sistema de alarme vai ativar outras regiões, modelar outras regiões, como o hipocampo, relacionado com as memórias, isto é muito importante, e o córtex pré-frontal, que é a zona que regula essa resposta. Esta resposta é tão ativa e acontece com os tais fenômenos paralelos de forma tão mantida no tempo, que depois o cérebro não consegue desligá-la sozinho. E é muito importante referir esta questão da memória, porque como o hipocampo é responsável pela memória, e aliás, isso é uma coisa que toda a gente sabe, que é: quando um acontecimento é muito relevante, tu lembras-te do que estavas a fazer nesse momento. Toda a gente se lembra o que estava a fazer no 11 de setembro.

Mas também há situações em que as pessoas se esquecem dos detalhes do que viveram.

Isso também é verdade. Isto tem a ver, como já falamos também em episódios anteriores, na grande segregação de cortisol. Portanto, isso depois depende da dose de cortisol que é segregada, porque certas doses de cortisol são tão altas que impossibilitam a consolidação da memória. Já agora, isso às vezes é vantajoso, às vezes é protetor, porque o evento é tão grave que até é conveniente que tu apagues um bocadinho a memória para tu ficar um bocado blurry.

Uma espécie de dissociação natural.

Isso. Já agora, é engraçado que digas isso da dissociação, porque eu há bocado, quando distingui o estresse pós-traumático do estresse agudo. No estresse agudo, o que acontece tipicamente é a pessoa estar meio desrealizada, meio blurred, as coisas estão meio desfocadas e depois, se as coisas correrem bem, as coisas voltam ao normal. Se as coisas não correrem bem, avança para o estresse pós-traumático. Então, como é o estresse pós-traumático? São quatro dimensões de sintomas principais. A primeira delas são os sintomas de revivência, ou seja, e por isso é que eu falei da memória e da importância daquele trauma modificar a forma como o hipocampo, que é a zona das memórias, funciona. A revivência é aquilo que nos filmes se vê muito dos flashbacks. A pessoa que tem o flashback ou então que acorda de noite com um pesadelo sobre o assunto e até dá uma chapada na pessoa que está na cama consigo.

Está constantemente a reviver aquilo.

Isso. Não digo constantemente, mas frequentemente aquela memória salta, sem a pessoa perceber por quê, e ela é revivida de forma tão emocionante e tão ativa como se tivesse a acontecer naquele momento. São os sintomas de revivência. Eles associam-se também à hiperativação fisiológica, que é a segunda parte, ou seja, todos aqueles sintomas de a pessoa suar, tremer, palpitações, a frequência respiratória aumentada, como se estivesse a viver o trauma naquele momento, ocorrem. Terceira coisa: distorções cognitivas e emocionais, que é daqui a pessoa generalizar uma sensação de insegurança em relação ao mundo.

Em relação a tudo.

Isso. No fundo, concluir que todas as pessoas podem ser ameaçadoras, que o mundo é um lugar ameaçador, que o mundo é um lugar inseguro. E finalmente, a quarta parte, que é também muito relevante, porque é extremamente disfuncional quando se começa a instalar, que é o evitamento. Ou seja, as pessoas começam a evitar pessoas, conversas, locais, que de alguma maneira possam relembrar a pessoa daquele acontecimento, porque reativam toda esta resposta e a pessoa é extremamente desagradável e disfuncional estar com esta ativação permanente. E portanto, estas quatro dimensões, como vês, são muito relevantes e muito impactantes e mantêm-se ao longo do tempo, e aí sem dúvida que precisam de intervenção.

Já vamos falar sobre as várias possibilidades para uma cura, para resolver um trauma, mas há traumas incuráveis?

Eu se calhar optava por não usar a palavra cura ou incurável no trauma.

Já estragar as duas perguntas.

Sim, no sentido de dizer o seguinte: o trauma, como expliquei, não é apenas o evento, é a resposta do nosso cérebro e do nosso corpo ao evento, nunca vai desaparecer, porque tu vivenciaste o trauma. Portanto, a experiência tem é que ser reintegrada.

Rearrumada cá dentro.

Isso. Aliás, tu dizias: o corpo não esquece. Ou seja, a coisa está registrada. É fazer um registro um bocadinho diferente. Tirar de um ficheiro e pôr no outro, se calhar dividir os ficheiros por diferentes pastas, para a coisa ficar mais reintegrada na tua experiência. No fundo, ser possível viver aquela memória sem toda esta ativação que eu referi. Isto é que é o objetivo, mas curar propriamente, não direi.

Mas pode ser pior e mais difícil para alguns traumas ou vai sempre muito mais depender da forma como eu vivi aquele trauma do que do trauma propriamente dito?

As duas coisas são verdade, porque eu diria que se calhar o fator fundamental é mais o cérebro do que o evento, até. Porque, um bocado usando esta analogia, se tu tiveres um terramoto e tens duas casas, há uma casa que cai e a outra, se for muito bem construída e tiver fundações muito boas, fica em pé O terramoto é exatamente o mesmo. O que é diferente é a construção da casa.

O lobo sopra sempre da mesma maneira, uma casa é que é de palha, outra é de madeira e outra é de cimento. Só pra voltarmos à coisa de coisas de crianças.

A gente já tinha falado sobre infantil.

Ainda não tinha saído o filme de animação.

O mais importante não é o evento, é o cérebro que recebe o evento, de acordo com tudo aquilo que já expliquei. Agora, claro que há uma escala de gravidade. E uma coisa é eu ver um acidente ao longe e uma pessoa que pode estar em risco de vida, outra coisa é eu testemunhar a morte de alguém muito próximo ao meu lado. Portanto, claro que a dimensão do evento traumático é relevante, mas mais relevante ainda é como é que o cérebro responde a esse evento.

Olha, quando eu estava a fazer a pesquisa para este episódio, eu cruzei-me com uma coisa que não conhecia. Mais uma. Não conhecia o estresse pós-traumático complexo e também não conhecia uma coisa chamada EMDR, Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares. E eu fiquei um bocadinho surpreendida pela descrição e por me aparecer como uma das terapias mais estudadas pro trauma. Porque eu vi isto e pensei: "Isto é pra enganar pessoas, só pode ser. Movimentos oculares para curar o trauma, para dessensibilizar alguém". Mas, aparentemente, isto não é banha da cobra. O que é isto e como é que isto se processa?

Eu devo dizer que reconheço e compreendo a tua surpresa e a tua sensação de banha da cobra, porque eu quando, há muitos anos atrás, ouvi falar pela primeira vez disto, também achei que era uma gandantanga. Mas quem nos está a ouvir, perceba que não é. Ou seja, o EMDR é uma das ferramentas terapêuticas para o trauma e para a PTSD mais eficazes, tão eficaz como a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma. E voltando um passo atrás, no fundo, o que estamos a falar agora já é de tratamento. Ou seja, perante o trauma complexo, a psicoterapia é fundamental, como é óbvio, porque isto são coisas que vêm lá de trás e que têm que ser trabalhadas. Mas, mais uma vez, dependendo da ativação fisiológica, as ferramentas terapêuticas mais focadas no trauma podem ser utilizadas.

Mas o primeiro passo, perante alguém que tem um trauma que está a ter impactos pra si próprio, é procurar psicoterapia.

Procurar psicoterapia, sendo que, idealmente, se estivermos a falar de trauma, concretamente, psicoterapeutas com experiência em trauma, porque as técnicas são um bocadinho diferentes e são aplicáveis aos eventos traumáticos, incluindo depois o EMDR, que também é uma técnica específica que tem as suas particularidades e as suas certificações. Mas basicamente, tanto terapia cognitiva comportamental focada no trauma, como o EMDR, eu já vou explicar por quê, são bastante eficazes. Em alguns casos, pode ser usada a terapia farmacológica, mas é importante aqui reconhecer que, ao contrário de outras doenças em que é extremamente relevante, como a depressão, no trauma, a medicação não é o centro do tratamento.

Se calhar, pode é ajudar com a ansiedade em algum momento.

Isso, com a ativação. Ou seja, com a ativação fisiológica, com os pesadelos.

Que horror, agora eu percebi que estava a diagnosticar.

Não, mas de facto.

Não, se calhar.

Não ajuda muito. Se tu tiveres a ter pesadelos frequentes e a acordar durante a noite em pânico porque estás na guerra do Afeganistão outra vez.

Eu tava a pensar sobretudo no sono.

Isso mesmo. Portanto, os fármacos podem ajudar e, de facto, depois também há medicamentos como alguns antidepressivos, que reduzem a ansiedade e desse ponto de vista, ajudam depois a continuar o processamento do trauma. Mas não há dúvida que a terapia ou outras ferramentas terapêuticas, como o EMDR, são muito importantes. O que é então o EMDR?

Vamos ao EMDR, que eu tenho muito interesse. Não vou acabar com uma coisa na cabeça e dormir o sono depois.

No EMDR, não há grandes instrumentos, mas no EMDR aquilo é basicamente: Eye Movement Desensitization and Reprogramming, que tu traduziste e eu não vou voltar a traduzir, mas está muito bem.

Dessensibilização e reprocessamento através de movimentos oculares.

Já agora, como é que isso surgiu? Isso foi uma psicóloga que há muitos anos atrás, há décadas, uma psicóloga chamada Francis Shapiro. Shapiro é o apelido, até porque também há um político americano com esse nome. Não me lembro bem do primeiro nome, mas acho que é Francis, que tinha eventos traumáticos na sua vida e que uma vez a passear num parque, penso que era o Central Park, reparou que ao pensar naquela memória, enquanto olhava à volta pra ver os pássaros no parque, aquela memória tinha menos ativação fisiológica do que noutras circunstâncias, como por exemplo, estar sozinho em casa a pensar no evento. E então ela desenvolveu essa técnica, em que pressupôs que os movimentos oculares repetidos iriam diminuir a ativação fisiológica associada àquela memória traumática específica.

Sério?

Isso. Ela desenvolveu o método, mas hoje em dia sabe-se que os movimentos oculares não são a parte mais fundamental. Embora os movimentos oculares estejam no nome da técnica, hoje em dia sabe-se que o EMDR pode ser feito com movimentos oculares ou com outro tipo de estimulação, seja ela tátil ou sonora, desde que sejam estimulações repetidas, alternadas, bilaterais. Neste caso, vou dar um exemplo.

Vamos a isso. Vamos exemplificar.

Pra quem nos vê no YouTube, já está a ver. Quem não estar a ver no YouTube, tem que imaginar que eu estou a fazer uma sessão de EMDR. Deixa-me dizer que eu não tenho certificação em EMDR, mas estou só a dar um exemplo.

Vais exemplificar técnicas.

Portanto, a técnica funcionaria desta maneira: eu, numa sessão de terapia, perguntava-te: "Diga-me lá, qual é esta memória traumática? De forma é que esta memória a faz sentir?" No fundo, eu peço pra pessoa ir buscar a memória traumática e essa memória passa a estar online, digamos assim. Pusemos no processador ativo. Deixou de estar na memória RAM e passou a estar no processador.

E no topo da minha cabeça.

E portanto, aí está ativa, quer dizer que aquelas redes neurais estão de facto ativas. Como é habitual na pessoa que tem trauma com perturbação de estresse pós-traumático, vai estar ativada fisiologicamente, vai estar ansiosa.

Sim, eu já estou tensa, já estou ansiosa, já estou nervosa.

Exatamente. Claro que, isto depois o terapeuta tem a responsabilidade de perceber. Está demasiada ativada pra eu fazer a técnica? Tenho que desativar um bocadinho aqui a conversa. Enfim, é suposto a memória estar ativa e haver alguma ativação fisiológica. E neste momento, eu digo: continua a pensar nessa memória e vai seguir os meus dedos ou Muitas vezes utiliza-se um estímulo luminoso ou uma varinha mágica que, neste caso, não faz magia, mas faz efeito terapêutico.

Mas parece ajudar.

Sigam os meus olhos e fazem, por exemplo, isto.

Muito rápido.

Sim, muito rápido.

E a cabeça também não pode mexer?

Não, a cabeça não pode mexer. Só pode mexer os olhos. Fazes isto de um lado. O tempo não está pré-definido, existem vários protocolos. Depois do outro lado a mesma coisa.

Isto não é fácil.

Não é nada fácil, mas tu tens que, ao mesmo tempo, estar a pensar na memória traumática. O que acontece? O princípio por trás disto, não há exatamente a certeza qual é o mecanismo exato pelo qual isto funciona, mas pensa-se ter a ver com o facto de como o teu cérebro tem que se focar, do ponto de vista neurológico, em realizar este comportamento bilateral e esta alternância, consegue ir retirar, no fundo, peso à ativação fisiológica que a memória está a fazer e consegue voltar a gravar a memória, por isso é que se diz reprocessar, já sem a ativação fisiológica. Outras opções, só pra dizer que não é só os olhos. Por exemplo, há pessoas que põem as mãos na mesa. Eu não vou lançar os búzios, mas basicamente é assim. Outra hipótese é: estás a pensar na memória e eu fazer uma estimulação bilateral, por exemplo, assim.

E eu estou sempre a pensar.

Outra coisa, vou me levantar, espero não sair do enquadramento.

Tiago e Beatriz, desculpem.

Outra coisa possível é fazer assim: tu estás a pensar na memória e eu estou a bater alternadamente nos teus ombros. E o que acontece é que eu faço isto durante um determinado período de tempo e depois paro e reavalio como é que está a sentir-se em relação à sua memória e o que é que sentiu durante este período.

E reavaliamos o impacto fisiológico, é isso?

Isso mesmo, o impacto físico, como é que a pessoa se sente. Mas não só, no fundo, o que depois o terapeuta avalia é o impacto naquelas dimensões todas que eu te falei do estresse pós-traumático: na revivência da memória, na ativação fisiológica, na ativação ou distorção emocional e cognitiva. E claro, o evitamento não é possível de testar naquele momento, porque depois isso é uma coisa que se vai verificar entre sessões.

Eu não sei se funciona com as memórias más, mas a sensação que eu tive durante tudo isto foi que eu tinha muita dificuldade em concentrar-me noutra coisa que não fosse, sobretudo, o de seguir. Eu tinha que estar tão concentrada para seguir com o olhar os teus dedos que nem coisas boas, nem coisas más.

Mas é exatamente isso. Agora, isto que tu estás a dizer é bom, porque isso é uma experiência de uma pessoa que não está, de facto, com o trauma ativado. Mas se tu tivesses o trauma, é uma coisa altamente impactante na vida mental. Uma pessoa que tenha um estresse pós-traumático.

Eu ia lembrar-me dele.

E vá buscar, sobretudo se no início de uma sessão eu estiver a dizer: "Vá, lembre-se lá de quando estava na guerra e como é que era o som das balas, etc." Essa memória vai ficar super ativa e o difícil é tirar-te dessa memória. E portanto, esta competição do estímulo que eu estou a induzir com a memória é que vai permitir reprocessar. E, de facto, isto tem eficácia.

E tem que fazer muitas sessões?

Como te digo, pra já, eu não sou terapeuta da EMDR, portanto quem seja terapeuta da EMDR e queira deixar alguma correção à minha técnica, pode fazer nos comentários do YouTube ou das redes sociais. Mas, regra geral, as sessões são flexíveis em duração e em número. O que tipicamente se pensa é que cada sessão deve ter oito períodos destes que eu acabei de simular, com reavaliação entre períodos e depois algumas sessões, entre as quais também se vai reavaliar como é que evoluiu a revivência, o evitamento e a ativação fisiológica.

Antes de irmos ao nosso caso real, vamos a uma última questão sobre isto. Há a ideia de que pessoas que passaram por um determinado trauma tendem a escolher relações, trabalhos, situações de vida que replicam, se não aquele trauma, pelo menos o que aquele trauma lhes provocou. Isto é verdade? As pessoas procuram.

Isso não é completamente verdade. Parece que estamos nos médicos sem fronteiras outra vez. Isso é mais ou menos um mito, embora tenha um fundo de verdade, que é o seguinte, e mais uma vez implica a distinção entre o trauma major e o trauma complexo. Porque, na verdade, o que acontece é que o nosso cérebro tende a, por um lado, evitar aquilo que nos é agressivo, evitar aquilo que nos faz sofrer ou que nos mantém em alerta perante um risco de vida. E por isso, na verdade, se estivermos a falar de trauma major, tipicamente o que ocorre é o contrário, é o evitamento. As pessoas tendem a evitar situações, conversas ou pessoas que os façam recordar o trauma. Estamos a falar de trauma major. Já o trauma complex funciona de forma diferente, porque como o trauma complex, não sendo um trauma major, grande, extraordinariamente impactante, são eventos relevantes no teu cérebro, ao longo de um tempo prolongado, que afetam o teu desenvolvimento e afetam a forma como o teu cérebro se relaciona com o mundo e com as pessoas. Daí que esta questão das relações com pessoas seja, de facto, importante. Porque, efetivamente, o que está documentado é que como no trauma complexo, tipicamente, se desenvolve uma certa sensação crônica de insegurança, uma certa sensação crônica de rejeição, de sensibilidade à crítica, tipicamente são pessoas que desenvolvem padrões de relação ou extremamente dependentes, eu preciso de ti, eu preciso da tua validação pra eu me sentir bem, ou de grande dificuldade relacional, porque a pessoa nem quer expor-se à ideia de ser novamente rejeitada e de ser novamente traumatizada. Agora, acrescento a isto ainda uma variável importante, é que quando as coisas são muito duradouras, por isso é que o trauma complex e o trauma major são muito diferentes. O trauma complex são fenômenos muito duradouros no tempo. E o nosso cérebro adapta-se a tudo, ao que é bom e ao que é mau. E normalmente, o cérebro há uma coisa que não gosta, que é a imprevisibilidade. Portanto, o cérebro vai normalmente adaptar-se e vai construir uma realidade que seja relativamente previsível. Portanto, se eu cresci num ambiente em que a relação era assim, que era uma relação que apesar de não ser extremamente traumática de forma major, era traumática ao longo do tempo, é possível que eu estabeleça relações semelhantes, porque é aquilo que o meu cérebro já está preparado pra lidar. Portanto, nesse sentido, é meio mito, meio verdade.

Olha, temos aqui um caso, é de Tiago Costa, que diz: "Desde o meu divórcio que estou traumatizado, não consigo começar novas relações. Como é que eu ultrapasso isto?"

Para já é engraçada essa forma das pessoas dizerem: "Estou traumatizado com o meu divórcio".

Cá voltamos ao início.

Não, porque eu acho que as pessoas confundem trauma com estresse. Eventos estressantes vão causar sofrimento, mas uma coisa diferente é estar a sofrer ansioso com o que aconteceu, a ruminar com um certo acontecimento, outra coisa é ter um evento traumático grande, a partir do qual eu estou a reviver memórias com grande ativação fisiológica. Portanto, tipicamente um divórcio não vai dar origem a um evento traumático.

Há divórcios traumáticos.

É isso que eu ia dizer. E eu agora estava a brincar, mas não tem graça nenhuma. Há divórcios que são extremamente traumáticos na verdadeira acepção do termo. Por exemplo, relações com violência doméstica, em que depois há perseguição do cônjuge que se quer separar e há agressão física e há mesmo risco de vida. Aí, sem dúvida, há lugar a uma possível perturbação de estresse pós-traumático. Agora, na generalidade dos casos, o que há é um evento estressante que dá origem a uma perturbação de ajustamento, ajustamento ao estresse, ou até mesmo uma perturbação ansiosa, uma perturbação depressiva, fenômenos como a ruminação cognitiva, a ansiedade, a tristeza, mas não propriamente trauma.

E a terapia cognitiva ou comportamental pode ajudar?

Pode ajudar e deve mesmo ser a primeira linha.

Muito bem, então vamos ser práticos, vamos à nossa checklist hoje sobre trauma. Se eu suspeitar que tenho traumas que eu nunca tratei, por onde é que eu começo?

Mesmo na linha do que acabámos de dizer, primeira coisa é distinguir trauma de estresse. Portanto, eventos de estresse, como divórcios, perdas de pessoas, etc., dão origem a sofrimento, dão origem à ansiedade e a sintomas negativos ou a sintomas difíceis de viver, melhor dizendo assim, mas não são trauma na verdadeira acepção do termo. Trauma apresenta-se sobre duas formas: ou o trauma major, que expliquei e que tem a ver com eventos muito graves de risco de vida presenciada ou própria, ou violência sexual, por exemplo, isso são eventos traumáticos major, ou trauma complexo, que se reporta normalmente à infância e que se relaciona com negligência, humilhação repetida no tempo. Portanto, distinguir trauma de estresse e dentro do trauma tentar perceber se estamos perante um trauma complexo ou um trauma major. Depois, quando as pessoas acham que têm um trauma, tipicamente recordam-se de um evento, uma memória. Nesta memória, é importante perceber não só a memória em si, ou seja, eu vivencio aquela memória e ela é-me desagradável. Ok, isso acontece, porque nós temos memórias negativas, memórias desagradáveis, ou qual é a ativação fisiológica que o meu corpo espoleta quando eu penso nessa memória. Isso é muito importante, porque memórias de eventos negativos todos temos. Outra coisa é memória traumática, que implica a tal ativação fisiológica que falámos inicialmente. Por outro lado, seria importante, em terceiro lugar, quando eu suspeito que isso, de facto, é uma memória traumática, falar com alguém sobre o assunto. Isto é importante porque quando eu digo falar com alguém, primeiro estou a falar alguém próximo de mim, porque às vezes as pessoas, como muitas vezes têm um evento traumático sobre o qual nem gostam de falar, alguns desses eventos muitas vezes têm emoções associadas como a culpa, a vergonha, relativamente àquilo que falámos inicialmente, e as pessoas tendem a ocultar dos outros. Mas é muito bom falar com alguém da nossa confiança, porque por vezes pôr em palavras o acontecimento e a própria memória pode ajudar-nos a mitigar esta ativação e isso só por si melhorar a situação. Mas, por outro lado, é muito importante não forçar o acesso à memória. Porque eu disse que uma das características do PTSD é o evitamento, e ele é muito importante. E ele acaba por ser negativo porque pode impedir a pessoa de ter uma vida normal. A pessoa estar sempre a evitar e crescentemente situações que recordem o trauma, mas também não é bom, muito menos sem ajuda técnica, estar a forçar a pessoa a reviver o trauma. "Tu tens é que pensar, pensa no trauma e tenta resolver, tenta perceber o que é que se passou e porque é que estás a viver isso de forma tão intensa".

Mas há pessoas que dizem isto.

Há pessoas que dizem isto e há pessoas que acham isto. O que é preciso é, a pessoa tem é que digerir o que se passou.

Com foco e fé.

E só depois de digerir o que se passou é que fica bem. Portanto, também não é boa ideia. E por isso, se isso de facto for uma realidade, então a minha recomendação, que é o meu quinto ponto da checklist, é procurar ajuda, idealmente um psiquiatra ou um psicólogo com especialidade em trauma.

Muito bem, Gustavo, cá estaremos para a semana. O desafio para os nossos ouvintes ou telespectadores esta semana é que partilhem conosco se já tiveram um trauma, falem-nos das formas que usaram para ultrapassar e já sabe, também me pode seguir em qualquer plataforma de podcast onde nos ouça. Nós ficávamos aqui bastante satisfeitos com isso, não era?

Sim, eu ia dizer que ficávamos aqui muito tempo.

Isso ficávamos sempre.

Sim, ficávamos, porque nós não temos dificuldade em falar. Mas eu ia já agora sugerir aos nossos ouvintes ou telespectadores ou videospectadores que também deixem nas caixas de comentários sugestões para temas para próximos episódios do "Manual de Instruções para Humanos".

É bem lembrado. Obrigada.

Obrigado eu. Até para a semana.