As últimas sondagens que têm vindo a público prenunciam o reforço de uma maioria parlamentar de direita no nosso espetro político-partidário (AD, IL e Chega).
A esquerda continua a perder terreno, desde a geringonça (assim cunhada por Paulo Portas apud Vasco Pulido Valente) de 2015-2019 e da maioria simples e depois absoluta de Costa entre 2019 e 2024.
Entretanto, os nossos comentadores falam de uma direita radical, mas não aludem a uma esquerda radical nas antípodas ideológicas (BE, Livre e CDU). É também curioso que o populismo resida sempre na extrema direita.
E pior, ninguém fala no “extremismo do centro”, que também existe, como escreveu recentemente Manuel Maria Carrilho, que mais não é do que a expressão do “bipartidarismo” que nos (des)governa há cerca de 50 anos.
Em democracia as catalogações são o pior dos males e a pior forma de fazer política e o chavão que a democracia não se esgota nos partidos, nem os partidos esgotam a democracia, está hoje bem atual.
A democracia surgiu nas cidades-Estado gregas e os partidos mais antigos, organizativamente similares aos atuais, apenas aparecem no final do século XVII, com os ingleses Whig e Tory, que desembocaram nos atuais Trabalhistas e Conservadores.
Os problemas da sociedade moderna já não podem ser resolvidos no quadro do sistema bipolar, tão-pouco com a tradicional dicotomia pós-moderna de esquerda/direita. É uma narrativa gasta que já não convence, a não ser os políticos do regime e os comentadores avençados que à volta deles gravitam, e que pode in extremis levar às democracias não liberais ou aos liberalismos não democráticos, as “democraturas” a que alude o mesmo Carrilho.