Num país que se diz Inovador na área das politicas sociais, inclusivo e cumpridor da Convenção de Salamanca, alinhado com a Estratégia Europeia para os direitos das pessoas com deficiência (2020-2023), que defende a carta dos direitos humanos , defensor das políticas educativas para a Inclusão das pessoas com Necessidades Específicas ou Neuro divergentes, neste caso concreto de pessoas com autismo, na passada sexta-feira aconteceu um episódio de humilhação, raiva, violência brutal e totalmente voluntária, contra um jovem autista de 14 anos numa Escola do AE Fragata do Tejo na Moita. O agressor escolheu este colega sabendo à partida que ele não se defenderia, uma das características do autismo, e sem dó nem piedade fez dele o seu saco de box, bateu, pontapeou e humilhou.

Mas o que ainda foi mais chocante foi a passividade com que os outros assistiram a este episódio brutal, sem se moverem para avançar em defesa do seu colega.

Onde estavam as auxiliares, ou outro qualquer professor que pudesse impedir este confronto brutal?

Bem sei que na Educação faltam muitas coisas: Recursos Humanos, Financiamento, Formação para a Cidadania, Formação para os problemas do desenvolvimento, enfim tanto… Mas por favor isto é demasiado duro.

Com episódios destes como é que nós, pais de pessoas com autismo, deixamos os nossos filhos na Escola, com a confiança que esta entidade nos merece?

Também tenho pena do agressor, por certo um jovem angustiado, sem rumo, talvez ele também a necessitar de algum cuidado, ou talvez de uma experiência de uma semana numa instituição que tenha, entre outras perturbações, pessoas com autismo, e fazê-lo sentir o ato brutal que cometeu, e que aprendesse a respeitar. Suspensões de um par de dias não é nada, muito menos pedagógico!

Neste meu desabafo falo das Escolas, e dos agentes de Educação, do que está mal, no entanto existem escolas onde a Inclusão é real. Pergunto-me sempre, porque é que estas boas práticas não podem ser replicadas aos outros estabelecimentos de ensino?

Termino a dizer que as pessoas com autismo são heróis, porque mesmo depois de serem humilhados e mal tratados pelos seus pares, ainda têm a dignidade de se levantarem, mesmo a chorar, arrumam a sua mochila e telefonam aos pais para os levar ao hospital. Para os restantes o dia continuou, para este jovem autista de 14 anos, o dia marcou-o profundamente!

O que é que nos falta para com dignidade defendermos a dignidade do outro?

Defender a dignidade das pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo é a Missão da APSA-Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger e nunca desistiremos dela!