Na passada semana o Banco Central Europeu (BCE) tomou a decisão de aumentar as taxas de juro, a primeira subida em três anos, que o BCE justificou com o aumento da inflação na Área Euro, não se tendo comprometido com o caminho a seguir e tendo afirmado que a decisão irá ser tomada reunião a reunião, influenciada pelo desenrolar da situação do conflito no Médio Oriente.

Um aumento de taxas de juro é sempre muito penalizador para o crescimento económico e para os agentes económicos, quer famílias quer empresas. Na minha opinião – embora respeitando, naturalmente, as decisões do BCE e consciente que o seu mandato seja o controlo da inflação -, creio que houve alguma precipitação na decisão da subida das taxas de juro. Por um lado, tendo em conta que a inflação subjacente (isto é, sem energéticos e alimentares não transformados) não tem estado muito afastada dos 2%. Por outro lado, não podemos esquecer que não assistimos a um choque do lado da procura, mas sim do lado da oferta, vindo de fora da Europa, e que a economia europeia tem estado em abrandamento, aliás, no primeiro trimestre do ano registou mesmo uma contração em cadeia (-0,1% na União Europeia e -0,2% na Área Euro).

Neste sentido, o anúncio da assinatura do acordo de paz entre os Estados Unidos da América e o Irão é, seguramente, uma boa notícia para a economia mundial e, sobretudo europeia, dada a sua forte dependência energética.

À hora em que escrevo este artigo, o preço do brent rondava os cerca de 81 dólares por barril, uma queda superior a 25% face ao preço registado há um mês (109 dólares), embora seja ainda superior em cerca de 34% face há 6 meses (61 dólares). O preço do gás está também em queda. O impacto na evolução dos preços energéticos poderá ser decisivo para a condução da política monetária, no sentido de travar nova subida das taxas de juro já na próxima reunião do BCE (seria a segunda, das três subidas antecipadas pelos analistas antes do anúncio do acordo).

O alcance de um acordo de paz, com destaque para o retomar da livre circulação no Estreito de Ormuz, contribui para uma diminuição dos riscos e melhoria da previsibilidade, fatores essenciais para o desenvolvimento da atividade económica. É muito claro que as repercussões negativas na economia real não se esgotam com a assinatura do acordo, prolongar-se-ão durante algum tempo (desejamos o mais curto possível).

Porém, como noutras crises, também esta deve permitir tirar lições para os europeus. Necessariamente, a Europa terá de assumir um papel de ator, com capacidade de intervenção a nível global, em vez de mero espectador. Precisamos de uma Europa mais forte, de outro modo, corremos o risco de continuar a perder terreno no cenário internacional, perante a contínua hegemonia de outras geografias.

Em termos nacionais, precisamos de políticas públicas promotoras da atratividade do investimento e da melhoria da competitividade, com eliminação dos vários obstáculos que persistem ao desenvolvimento da atividade económica.