A Inteligência Artificial Generativa, ou Gen AI, é um ramo da Inteligência Artificial (AI) capaz de gerar novos conteúdos, como texto, imagens, música e vídeos. O lançamento do ChatGPT, um chatbot que utiliza Large Language Models desenvolvido pela OpenAI, veio democratizar o acesso à Gen AI.

Apenas 5 dias após o seu lançamento em 2022, o ChatGPT contava já com 1 milhão de utilizadores. Em dezembro de 2024, com modelos mais complexos e de maior desempenho, o ChatGPT destaca-se pela sua capacidade de compreender a complexidade da linguagem humana e de gerar, semanalmente, conteúdos diversificados para 300 milhões de utilizadores ativos, desde o planeamento de viagens até à geração de código para o desenvolvimento de software. No entanto, cada interação com o ChatGPT é acompanhada por um custo ambiental invisível aos seus utilizadores. Este chatbot é alimentado por poderosos clusters de computadores, cujo funcionamento implica um consumo desproporcionado de eletricidade e água, bem como a produção de resíduos eletrónicos.

Eletricidade

Para responder prontamente às nossas questões, o ChatGPT depende de hardware altamente especializado, que opera continuamente e, consequentemente, consome uma quantidade significativa de energia. Esta energia provém de diversas fontes, sendo que uma parte, variável conforme a região, está associada a emissões de dióxido de carbono. Segundo o Stanford Artificial Intelligence Index Report, para treinar o GPT-3, um dos modelos desenvolvidos pela OpenAI e que alimenta o ChatGPT, foram necessários cerca de 1.300 MWh de energia, o que gerou 502 toneladas de emissões de dióxido de carbono, o equivalente às emissões de 123 carros a gasolina ao longo de um ano.

Consumo de Água

A maior parte da energia consumida por um computador é transformada em calor. Em centros de dados, onde clusters de computadores geram enormes quantidades de calor, é necessário um sistema de refrigeração robusto para prevenir o sobreaquecimento. Muitos desses centros utilizam sistemas de refrigeração que dependem de água potável para transferir o calor para torres de arrefecimento, onde a água é evaporada e, consequentemente, perdida para a atmosfera. Uma análise efetuada por The Washington Post, em conjunto com investigadores da Universidade da Califórnia, indica que esta perda traduz-se, por exemplo, no consumo de uma garrafa de 500 ml de água para gerar um texto de 100 palavras. O impacto torna-se ainda mais significativo quando multiplicado pelo volume de consultas dos 300 milhões de utilizadores do ChatGPT em todo o mundo.

Resíduos Eletrónicos

A evolução da Gen AI anda de mãos dadas com a exigência crescente de capacidade de computação e desempenho do hardware altamente especializado usado nos clusters de computadores que suportam esta tecnologia. Esta necessidade constante de atualização do hardware torna o seu ciclo de vida útil relativamente curto, variando entre 2 a 5 anos. Como resultado, o hardware torna-se rapidamente obsoleto, gerando resíduos eletrónicos.

De acordo com um relatório da MIT Technology Review, o aumento do uso de Gen AI poderá resultar em 1,2 a 5 milhões de toneladas adicionais de resíduos eletrónicos até 2030, agravando a crise global de resíduos eletrónicos. Segundo o relatório Global E-Waste Monitor das Nações Unidas, esta crise já atingiu 62 milhões de toneladas em 2022, representando um aumento de 82% em relação a 2010.

Perante estes números, gigantes tecnológicos têm adotado medidas para mitigar o impacto ambiental das suas atividades. Em 2023, a Amazon, uma das maiores plataformas de serviços de computação, alcançou 100% de energia renovável para alimentar os centros de dados. Além disso, comprometeu-se a devolver mais água às comunidades do que a que utiliza nas suas operações diretas até 2030 e a adotar princípios de economia circular para reduzir os resíduos eletrónicos.

Também nós, enquanto utilizadores desta tecnologia, temos um papel importante na redução do custo ambiental da Gen AI. É essencial começarmos a reconhecer e compreender o seu impacto, fazendo um uso ponderado e responsável deste recurso.

O Observador associa-se à comunidade PortugueseWomeninTech para dar voz às mulheres que compõe o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.