Esta semana houve mais uma vítima mortal na linha ferroviária em Ovar, num espaço muito curto de tempo é a quarta pessoa que perde a vida na mesma zona.

Alguns, tentam desculpabilizar o governo e a autarquia pelo indesculpável, alegando que as pessoas andam distraídas, que usam fones, que não têm cuidado ou até sugerem a possibilidade de suicídio, ignorando a triste realidade e desrespeitando as vítimas e respetivas famílias.

É factual que a linha do Norte no concelho de Ovar necessita de ser intervencionada, é factual que houve obras necessárias nesta linha e, sabe-se lá porquê, pararam antes do concelho de Ovar e recomeçaram depois no concelho vizinho, é factual que há um número elevado de mortes na linha férrea em Ovar, é factual que não há condições de segurança na linha férrea na zona de Ovar e também é factual que todos sabem disso e ninguém faz rigorosamente nada.

As trágicas mortes que se vão sucedendo, apesar de já serem muitas, parecem ainda não ter sido suficientes para alertarem consciências e, de uma vez por todas, deixarem de assobiar para o lado como se Ovar não existisse. Tal e qual como fazem em relação à erosão costeira e outras matérias que afetam este território de forma preocupante.

Pode sempre dizer-se que Ovar não tem peso político, aliás, todos têm noção disso. Também pode dizer-se que a culpa é do governo PS, como se o governo do PSD/CDS ou o atual da AD tivesse feito algo.

Não é relevante, agora, discutir-se quem foi o governo que não fez a tão necessária intervenção na linha férrea, até porque nenhum a fez até ao momento. O que é relevante saber-se agora, é quando é que a obra vai para o terreno e o que vão fazer em concreto, essa é a resposta que deve ser exigida ao atual governo.

Há uma verdade indesmentível, é que o problema existe, tem causado mortes e todos ignoraram a realidade, demonstrando uma irresponsabilidade inaceitável e um profundo desrespeito pelos Vareiros, agora, não há mais margem para empurrar a sua resolução para a frente e impõem-se respostas concretas aos munícipes de Ovar.

O concelho de Ovar não pode continuar a ser completamente ignorado pelos sucessivos governos, em matérias cruciais para o desenvolvimento do município e para a vida das pessoas. Compreendo, por muito que me custe, que haja concelhos com tratamento diferente, devido ao empenho, persistência e influência dos seus autarcas, mas isso não invalida que o governo ignore problemas tão graves como os que o concelho de Ovar se depara e que dependem da atuação do poder central.

Eu, se fosse o Presidente da Câmara Municipal de Ovar, há muito que tinha ido para Lisboa “mandar um murro na mesa” e dizer aos governantes que o município de Ovar também existe e é merecedor da devida atenção. Exigia obras no terreno, não caindo em promessas vãs, e ia à capital as vezes que fossem necessárias até ver os principais problemas que atormentam os Vareiros resolvidos, se necessário, acompanhado por toda a oposição local.

Chegou a hora de dizer basta, o Presidente da Câmara Municipal de Ovar tem que sair do gabinete, reivindicar e exigir justiça! Se necessário for, unir a população e tomar medidas mais combativas que façam ouvir a voz de Ovar em Lisboa!

Senhores Governantes, quantas mais vítimas mortais são necessárias na linha do Norte em Ovar?