A Vida não se faz sem Arte e sem Cultura, porque elas fazem parte do que somos e do alimento espiritual e cultural do nosso dia a dia

Nunca como hoje, que estamos confinados ao local onde moramos, os títulos de obras de filmes, espectáculo, livros, e programas de TV e Rádio, serviram tão à medida para descrever o texto da nossa realidade doméstica. Até porque uma vida considerada normal, não se faz sem eles.

Por isso este texto onde se semeiam mais de meia centenas de títulos do nosso imaginário de livros, filmes e programas de rádio e televisão que deixaram marcas.

Agora, não podemos dizer que “A vida é Bela” quando em cada “Cidade de Deus” anda nas ruas um vírus “Nascido para Matar”. 
Vírus, que como um “Touro Enraivecido” coloca a nossa “Casa Cheia” contrastando com a rua vazia, e nos lembra de desfechos trágicos como o do “Titanic”.

Cada um destes dias parece oscilar entre “Guerra e Paz”.

Este traiçoeiro Covid 19, qual aterrador “Alien” faz-nos gelar ao pensar no “Silêncio dos Inocentes” que em Serviços Intensivos de hospitais de todo o mundo, estão “À Espera de um Milagre”.

Na primeira linha e contra ele, estão profissionais de Saúde que são “Os Bravos do Pelotão” e os que mais lutam contra a ameaça de “Sete Palmos de Terra” que é tão assustadora. Com o risco das suas próprias vidas eles ajudam os outros a sobreviver e a dobrar “O Cabo do Medo”.

Isto, enquanto o vírus diz em todas as latitudes e em cada diferente língua “Este País Não É Para Velhos”. Mas, até nisso é traiçoeiro. Afinal não escolhe idades na sua “Grande Corrida à Volta do Mundo” desde os confins da “Austrália” até às savanas de “Africa Minha”.

Parece mesmo estarmos a viver um “Apocalipse Now”. Particularmente quando “Era Uma Vez Na América” soa a um presidente que assusta muito, porque pensa mais “Por Um Punhado de Dólares” do que em prevenir e preparar quaisquer “Serviço de Urgências”. Em estupido atraso, corre agora “Em Busca do Tempo Perdido”. Ele é alguém que parece saído do “Era uma Vez em… Hollywood”. Mas, mesmo que fosse como simples figurante, já era de certeza mau.

Infelizmente há mais “Parasitas” idênticos à frente dos destinos de outros países. Creio que “A Ovelha Choné” pode bem ser mais inteligente que alguns deles. Homens insensatos que parecem miúdos, mas que não teriam lugar no “Aniki-Bóbó”. Nem pensar. E lideram eles nações!

Esse é outro perigoso vírus dos dias que vivemos.

Por cá as coisas são um pouco diferentes.

Claro que há sofrimento, e para muitos “O Encontro” marcado com “O Dia Mais Longo”. Mas, também há esperança e a vida a pulsar em cada casa.

O adormecer destes dias é muito diferente do habitual. E até no sono, há uma agitação que não desaparece, mesmo após o “Despertar”.

A nossa sala, com o mesmo ecrã de sempre e o velho sofá de todos os dias, ganhou agora com alguns filmes de matiné, a magia de ser um “Cinema Paraíso” 

“Uma Casa Portuguesa” é sempre inimitável e diferente. De cidade para cidade, de bairro para bairro. E há de certeza muitas histórias e estórias para contar.

Desde o adolescente que é um autêntico “Gladiador” e consome em três dias a comida que devia ser para uma semana. Até ao bairro onde há uma autêntica “Chuva de Estrelas”.

O vizinho que tem boa voz e canta de tal forma, que sentimos “Música no Coração”.

E aquelas duas imãs mais o avô do prédio em frente, que transformaram a nossa praceta num autêntico “Pátio das Cantigas”. Já para não falar de muitas ruas, que com tantos caninos a passear os seus donos, mais parece uma cena dos “101 Dálmatas”.

E há aquele tipo muito estranho que sai sempre a horas tardias a passear o cão, com um chapéu igual ao do “Cowboy da Meia-noite” e a assobiar o tema de “A Ponte do Rio Kwai”. Estou pra ver, lá mais pra frente, e como resultado do cansaço de muitas semanas sempre iguais, quando é que será o dia – ou melhor, a noite – em que em vez de o passear, teremos “O Homem Que Mordeu o Cão”. Eu acho que já lhe faltou mais.

E há histórias divertidas de sedução e “Orgulho e Preconceito”.

O vizinho do prédio em frente vai agora muito mais vezes à janela. Qual “Big Brother”, ele descobriu que no mesmo andar há uma vizinha bem gira, tipo “Beleza Americana”que é uma verdadeira “Pretty Woman”.

“Os Homens Preferem as Louras” e este pobre coitado, já percebeu que “O Pecado Mora ao Lado”. Quando a provocante miúda lhe sorri, ele enche bem o peito, encolhe a barriga e fica em pose de “Lion King”. Mas é sol de pouca dura. Porque logo de seguida chega a mulher dele àquela “Janela Indiscreta”.

A legítima, que parece saída de um filme da “Família Addams” acaba por reduzi-lo à sua verdadeira dimensão, com um olhar assassino. E ele coitado, sente-se como na história de “A Bela e o Monstro”. Uma besta feia. Uma espécie de “O Corcunda de Notre Dame”.

Ainda tenta disfarçar a situação, fazendo-lhe uma festa no rosto e passando-lhe os dedos entre os cabelos desgrenhados e a acusar falta de tinta. Acho que o meu vizinho naquela altura já nem pensava na miúda gira. Naquele momento e naqueles segundos, ele gostava era mesmo de ser o “Eduardo Mãos de Tesoura”.

Pela cara dele imagino que pensava “Porque raio não ficou esta bruxa em casa da mãe a fazer a quarentena? Bom mesmo, teria sido eu ficar “Sozinho em Casa”, a miúda vinha pra cá e isto era “A Ilha do Tesouro”.

Mas, foi o fim do sonho “E tudo o Vento Levou”.

Há de tudo na clausura desta quarentena, ate miúdos que choram baba e ranho, porque “O Padrinho” este ano não lhes mandou os habituais ovos da Páscoa.

Muita “Guerra dos Tronos” entre casais que discutem liderança em poucos metros quadrados. Os projécteis vão dos tachos e panelas, à versão encadernada de “O Crime do Padre Amaro”.

Há muita “Psico” derrapando em “Velocidade Furiosa” mesmo sem sair de casa, e como que “Voando Sobre um Ninho de Cucos”.

Mas, nada disto é comparável a não tratar das unhas de gel, não fazer depilação e não pintar o cabelo e já são tantas as raízes à vista.

Meu Deus…. o que não vai por aí de “Donas de Casa Desesperadas”.

Aí quarentena, quarentena.

(Exactamente um mês depois de iniciar a sua quarentena voluntária)