Este Domingo decorre a final mais aguardada do ano. Não, não é a do Big Brother, mas sim a da NFL: o Super Bowl. Aquele desporto que não se joga nem com o foot nem com uma ball. Aquele que nos filmes, o Quarterback namora com a Cheerleader e depois apercebe-se que afinal gosta da miúda do coro e juntos vivem um amor impossível porque ele é popular no high school e ela quer ir para o college. Aquele em que para apanhar um supositório castanho, homens sodomizam-se mutuamente através de placagens que culminarão em demências antes dos 50 anos. Aquele que joga o namorado da Taylor Swift. Esse mesmo. Bem, se calhar devia ter começado logo por aqui.

Antes de mais importa dar contexto. Eu já gostava de futebol americano antes de ser fixe. Já sabia o que era um touchdown antes da Taylor fazer “End Game” no Travis. Por isso deixem-me que vos explique.

Este ano a competição opõe os São Francisco 49ers e a equipa do namorado da Taylor. Eu sei que se chama Kansas City Chiefs e que tem sido a equipa mais dominante nos últimos anos, mas se esta é a primeira crónica de futebol americano que está a ler, é provavelmente um dado irrelevante.

A Siwftização da modalidade é estrondosa. É como se milhões começassem a interessar-se por soccer porque a Georgina da Netflix namora com o Ronaldo. Levou a um aumento exponencial de miúdas e graúdas a assistirem ao jogo, o que é ótimo no combate ao estereótipo de que as mulheres estão na cozinha, mas péssimo para os homens que agora têm de tratar da própria comida.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Esta “Love Story” levou ao aumento das vendas da camisola do Travis em 400%. As swifties estão descontroladas. É que vestirmo-nos igual a um ídolo já todos fizemos. Agora igual à pessoa que o nosso ídolo anda a beijar?! Nem em “Wildest Dreams”.

O Travis Kelce (que é um dos melhores de sempre) anda a levar placagens e cabeçadas semana sim, semana sim senhor, e ninguém quer saber quantos touchdowns faz. Só querem saber se faz a Taylor feliz. Deviam era estar felizes por cada vez que ele é atropelado por um adversário e se lembra que tem namorada. Não é pelas traições, é pelas concussões.

Mas é impressionante o impacto desta relação. Aumentaram as views dos jogos, as vendas de merchandise, a procura e preço dos tickets, até o Observador me convidou para escrever um artigo. Se isto não está tudo louco, então eu não sei.

Eu sei que posso chocar muitos leitores, mas há mais no Super Bowl do que este namorico entre o ativo mais importante da NFL e o Travis: Os intervalos.

Ao passo que no “nosso” futebol cada paragem é encarada como “perda de tempo”, no Super Bowl cada pausa é um momento de celebração. Para um react, uma kisscam, uma entrevista a um famoso, um close up na Taylor Swift ou até os icónicos anúncios, em que cada 30 segundos chegam a custar 7 milhões de dólares.

E as marcas lutam pela melhor #pub da noite. É como se na final da Champions League se resumisse a quem esteve melhor, “a Carlsberg ou a Castrol?” Por exemplo. este ano a Uber Eats fez um anúncio que conta com estrelas como Jennifer Anniston e David Beckham. Não admira que as taxas de entrega estejam tão altas, haja dinheiro para pagar a esta gente. Aliás, há tanto dinheiro envolvido na final, que os jogadores que lá andam parecem-me ser os mais mal pagos.

E depois vem o tão aclamado “Halftime Show”, este ano com o Usher. Onde no futebol muitos se levantam para encher os copos e esvaziar as bexigas, aqui é o clímax. Há tantos artistas potencialmente titulares que até se dão ao luxo de ter a Taylor Swift na bancada. No fundo, o futebol americano são 11 contra 11 e no final ganha o espetáculo.

O jogo do ano, incluindo o halftime show, será transmitido em exclusivo na DAZN a partir das 23h30.