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Dia de viagem pelos cinco continentes na Rádio Observador. Ao sábado, analisamos os assuntos que estão a marcar a geopolítica internacional. Eu sou o João Costa e Silva. Esta semana está comigo também a Vanessa Cruz. Bem-vinda, Vanessa.
Obrigada, João.
E claro, o historiador Bruno Cardoso Reis. Bruno, seja muito bem-vindo também. Ainda um pouco combalido por causa de uma gripe chata, não é?
Sim, ainda estou aqui a recuperar o pleno uso da minha garganta.
Não está fácil, Bruno, para ti e para muita gente nesta altura.
É verdade.
E vai continuar o frio, Bruno. Portanto, tens que te cuidar.
É, agasalha-se.
Exato, uns cachecóis.
É isso. Vamos fazer um balanço do Conselho Europeu. Temos que começar por aqui, Bruno. O reforço do apoio à Ucrânia com 90 mil milhões de euros, mas também o adiamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Que conclusões é que podemos tirar daqui?
Acho que eram reconhecidos como dois testes importantes e que têm a ver com um mundo muito mais conflituoso, muito mais dividido, guerras reais, que obviamente não podem ser misturadas com quaisquer outras, sobretudo quando estamos a falar do custo em vidas, mas também guerras comerciais. Eu diria, no caso do acordo, ou melhor, do adiamento do acordo com o Mercosul, realmente é uma má notícia. Vamos ver se é mesmo uma espécie de adiamento "sine die", ou seja, se no fundo é realmente a queda desse acordo. Aquilo que foi oficialmente anunciado é que eram precisas mais umas semanas até janeiro e, portanto, a expectativa é que isso permitiria dar mais algumas garantias de apoios financeiros no orçamento comunitário aos agricultores europeus, que são, neste momento, a grande resistência e que leva países como a França ou a Polónia, onde esse lobby agrícola é muito forte, a resistir ao acordo. A Itália, que seria o voto decisivo, porque o acordo pode ser aprovado por maioria no Conselho, parece ter sido levada também por essa pressão a pedir mais tempo. Agora, realmente, eu acho que é importante perceber-se que é a credibilidade da União Europeia como ator internacional que está em questão. O Mercosul, no fundo, é ele próprio um exemplo da influência da União Europeia, deste modelo de integração econômica. Portanto, é um mercado no modelo europeu, uma tentativa de criar um mercado integrado no modelo europeu, na América do Sul, se quisermos, na fachada atlântica da América do Sul. Os países fundadores são o Brasil, a Argentina, o Uruguai e Paraguai. Entretanto, juntou-se, e depois foi suspensa a Venezuela, e está a aderir a Bolívia, mas é criado em 1991. Desde essa altura, praticamente, que se fala deste acordo. O processo começou basicamente em 95, as negociações a partir de 99. Portanto, estamos a falar de 25 anos de negociações. Há um artigo de uma série de diplomatas sul-americanos envolvidos neste processo, inclusive brasileiros, que escrevem um artigo com um título, em parte em francês, para os franceses perceberem, "ça suffit", ou seja, já chega, já estamos a ficar fartos. E portanto, acho que aí é importante perceber-se que estamos a falar de um mercado combinado à volta de 700 milhões de pessoas. A América do Sul é crucial, por exemplo, nesta guerra crescente pelas terras raras, pelas novas matérias-primas críticas. O Brasil é o segundo país com mais reservas conhecidas. Apesar de todos os problemas e tensões, por exemplo, os Estados Unidos estão a reforçar o investimento nessas minas de terras raras no Brasil. E a Europa arrisca-se realmente a perder aqui toda a credibilidade como um ator, mesmo na área em que era suposto ser o seu core business, a sua área principal de atividade, que é esta questão das negociações comerciais. Quer dizer, que país é que vai fazer concessões, entrar num processo de negociações complicadas, sabendo que ao fim de 25 anos de uma série de cedências mútuas, depois o processo pode não ir adiante, se pode repetir esta novela sul-americana, mas em que aqui os vilões são os europeus. Portanto, espero realmente que a questão se resolva em janeiro. Em relação à Ucrânia. Mas diz, Vanessa.
É porque acabei de saber, Bruno, sabes que como Luiz Montenegro está na Ucrânia, é uma visita surpresa, acabamos de saber que Portugal e a Ucrânia assinaram um acordo para produção de drones aquáticos e naturalmente que é importante contarmos aqui também com a tua análise. Portugal pode ajudar, de facto, nesta frente?
Sim, ligando aqui as duas coisas. O apoio financeiro à Ucrânia, que foi anunciado no Conselho Europeu, é muito importante, estes 900 mil milhões. É um acordo típico da União Europeia, ou seja, com uma série de cedências, de exceções. Não era o acordo ideal mais simples e que teria também um impacto internacional mais importante, uma demonstração de força face à Rússia, de que a Europa não se deixa condicionar pela Rússia, usar realmente diretamente os bens congelados russos. Mas apesar de tudo, o que era mais importante era realmente haver esta garantia de um apoio financeiro substancial à Ucrânia nos próximos dois anos, que não seria por falta de financiamento que a Ucrânia não poderia resistir à Rússia. Isto é muito importante neste equilíbrio de poderes, de forças, no momento em que se está a negociar a paz. Pode parecer paradoxal, e há quem ache que no fundo isto é alimentar a guerra. Do meu ponto de vista, isso é um erro. É alimentar a possibilidade da Ucrânia ser vista como um ator credível, forte e que não precisa de uma paz a qualquer preço nestas negociações em curso em Miami. É muito importante que os diferentes países europeus e também Portugal mantenham esta solidariedade política diplomática. Portanto, esta ida de Montenegro, desse ponto de vista, é importante, implica sempre algum risco, é importante para os ucranianos sentirem que têm a presença de líderes europeus a mostrar em pessoa essa solidariedade, que percebem que a defesa da Ucrânia não é só um favor que nós fazemos à Ucrânia, é também algo muito importante que a Ucrânia está a fazer por nós, travar esta Rússia muito agressiva. E realmente aí uma questão crucial é não basta o dinheiro, é preciso as armas. E uma das formas mais eficazes de conseguir, de facto, armar a Ucrânia é ajudar a própria indústria de armamento ucraniana, é fazer estes investimentos conjuntos e, ao mesmo tempo, e com isso beneficiar também das lições aprendidas. Num conflito armado, uma coisa são as teorias, uma coisa são os planos, outra coisa é a realidade. O meu orientador de doutoramento, o Lawrence Freedman, que é um grande pensador estratégico, costumava dizer e depois incluísse na sua obra, que tem exatamente esse título, "Estratégia", de há quatro ou cinco anos, essa citação do Mike Tyson: "Toda a gente tem um plano até levar com o murro na cara". Portanto, aí é fundamental realmente perceber o que resulta e o que não resulta. Os drones têm sido cruciais neste conflito e em vários outros e, portanto, é muito importante que os exércitos europeus realmente mudem o chip, que se adaptem a esta nova realidade em que os drones têm um papel crucial, nomeadamente também na guerra marítima, na dimensão naval que para Portugal é crucial. Veja-se que a Ucrânia, sem praticamente uma marinha, conseguiu basicamente derrotar a frota russa do Mar Negro e, portanto, acho que é uma ótima notícia para a Ucrânia e é uma ótima notícia para Portugal que tenha sido anunciada esta parceria.
Bruno, nós vamos continuar aqui a falar dos conflitos armados com três questões aqui em cima da mesa. Na Ucrânia, destaque para o teatro político anual de Putin, com aquela sessão de horas de perguntas. Queremos perceber contigo se ficamos ou não a perceber melhor os objetivos russos nesta fase. No Médio Oriente, grandes obstáculos ao avanço do processo de paz, em que o desarmamento parece ser aqui o grande entrave. E sei que também ainda queres falar de conflitos esquecidos, nomeadamente no Sudão. Falámos e falamos disso várias vezes aqui no "Cinco Continentes", mas parece que nem nesta quadra há um abrandar das hostilidades.
Sim, por um lado, eu gosto sempre de falar dos conflitos esquecidos, como o nome indica, não têm muita visibilidade e, portanto, infelizmente dar esta nota, que é como dizias, apesar da quadra natalícia, pelo menos para os cristãos, um marco importante, e geralmente associada a esta ideia de paz, de facto, não se vê um abrandar desses conflitos. Pelo contrário, vemos um recrudescêr em alguns casos, por exemplo, entre o Camboja e a Tailândia, mas também nessa zona, na península do sudeste asiático, temos também, depois de uma aparente calmia na guerra civil muito intensa na Birmânia, em Myanmar, também um recrudescimento. Nos dois casos, diga-se, a China tem procurado, mais discretamente que os Estados Unidos, também ter aqui algum papel de mediação, quer na Birmânia, entre as diversas partes do conflito da guerra civil, quer agora entre o Camboja e Tailândia. Vamos ver se isso produz alguns resultados. No caso do Sudão, que é a crise humanitária mais grave atual, ou seja, aquela em que a situação dos civis é mais desesperada, tivemos um ataque a forças das Nações Unidas, portanto, a um campo das Nações Unidas. Isso mostra bem que realmente as partes não respeitam minimamente o trabalho humanitário, o que ainda agrava mais as dificuldades no apoio à população. E portanto, estamos a falar no total, convém recordar, a par de conflitos sempre muito mais falados, como a Ucrânia ou Gaza, de um total de 61 conflitos armados. É um número record em termos de conflitos armados desde o final da Segunda Guerra Mundial. Em termos das posições de Putin, é realmente esta espécie de teatro político, de fazer de conta que na Rússia há liberdade e há liberdade de expressão e há liberdade de imprensa, que sabemos que não existe. Portanto, supostamente é uma mistura de jornalistas com populares que fazem perguntas, obviamente tudo muito controlado. Agora, eu acho que apesar de tudo, dá para perceber algumas coisas, por muito controlado que o processo seja. Uma é a preocupação dos russos com a economia. Portanto, apesar de toda a propaganda e desinformação, a verdade é que esta guerra está a ter um custo económico tremendo para a Rússia, taxas de juros sempre acima dos 15%, por exemplo, inflação muito elevada, e portanto, esse é um primeiro dado. O segundo é que realmente Putin está convencido que tem o apoio do Donald Trump. Ele inclusive utilizou esta nova doutrina estratégica norte-americana, saída na semana passada e que já aqui comentámos, para dizer: "Não percebo como é que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, vem falar da ameaça russa quando o seu principal Estado-membro, os Estados Unidos, na sua nova doutrina, não dizem nada disso". E realmente é verdade, é uma das grandes ruturas deste novo documento estratégico americano. E, portanto, claramente Putin considera que pode contar com o seu amigo Trump, por exemplo, nesta questão das negociações com a Ucrânia. E por fim, também esta questão de que realmente para Putin a Europa não conta muito, portanto, ele continua a ter uma postura extremamente agressiva em relação aos líderes europeus e às possibilidades da Europa lhe fazer frente. E para terminar, dois pontos cruciais. Um em relação à Ucrânia. Os objetivos mantêm-se, basicamente. Portanto, fica muito claro que não se trata apenas de um território aqui ou acolá. Basicamente, é esta ideia de que a Rússia tem o direito de recuperar todas as terras historicamente russas, ou seja, isso inclui países como a Polónia, a Finlândia, os países bálticos, etc., partes da Roménia, para quem tiver dúvidas, além de toda a Ucrânia. E a segunda questão é que em relação à Europa, tivemos uma pergunta de um jornalista correspondente da BBC, dos poucos que ainda se conseguem manter no interior da Rússia, que perguntou diretamente isso, se a Europa deve temer novas operações especiais, ou seja, novas invasões, novas agressões. E a resposta de Putin, acho que foi bastante reveladora, foi dizer: "Claro que não, se nos respeitarem". Ou seja, tendo em conta que a Rússia realmente é muito suscetível e que basicamente sempre que se diz não à Rússia, a liderança russa tende a interpretar isso como um desrespeito inaceitável pelo estatuto da Rússia como uma grande potência, acho que não há razões para ficar muito descansado. Evidentemente, eu não estou aqui a dizer que aquilo que os propagandistas russos ameaçam constantemente, que é invadir e conquistar a Europa toda até Lisboa, seja uma possibilidade realista, mas obviamente, por exemplo, se deixar de haver um conflito armado na Ucrânia, a Rússia tem toda a capacidade para, por exemplo, fazer um ataque com consequências muito sérias nos países bálticos. Portanto, acho que pelo menos isso ninguém pode dar como garantido que não acontecerá, para não falar de todos estes ataques híbridos, ciberataques, sabotagens, drones, etc., por toda a Europa.
Vamos agora ainda nesta primeira parte da África Ocidental. Falhou o golpe militar no Benim. Entretanto, o governo já recuperou o controle. E também é importante perguntar, Bruno, se já há reações à tentativa de golpe de Estado que aconteceu na Guiné-Bissau, que foi suspensa da CPLP, entretanto, depois desse golpe de Estado.
Tivemos realmente 10 golpes militares bem-sucedidos desde 2019. Todos eles, menos um, na Birmânia, foram em África, em particular na África Ocidental e no Sahel. Não há nenhum país do Sahel, desde o Sudão até o Mali, que não tenha tido um ou até mais do que um golpe de Estado. Portanto, a Guiné está nessa tendência e também nessa geografia. O Benim está também nessa tendência e nessa geografia. Apesar de tudo, aparentemente, terá havido aqui uma intervenção mais forte e mais a tempo, nomeadamente da Nigéria, pelo menos é aquilo que a imprensa de referência vai dizendo. A Nigéria, que procurou, por exemplo, resistir também ao golpe no Níger em 2023, mas falhou completamente. Portanto, para já, no Benim, a situação voltou à normalidade constitucional. Vamos ver se mantém, porque muitas vezes nos golpes há esta dinâmica de tentativas e antes de um golpe bem-sucedido. Vimos isso também, por exemplo, no caso do 25 de abril, com o chamado Golpe das Caldas, um mês antes. No caso da Guiné-Bissau, houve a reação de exclusão de uma série de organizações internacionais, regionais, desde logo esta organização da África Ocidental, a CEDEAO ou ECOWAS em inglês, e também da própria CPLP. Agora, a questão sempre é por que há tantos golpes e por que há muito mais golpes? Bem, claramente porque as pessoas não estão satisfeitas. Na África Ocidental, as elites políticas não são muito credíveis, muitas vezes são muito corruptas, as elites políticas civis estão muito divididas, há apelos públicos a golpes. Também porque têm um contexto internacional muito mais favorável, em que não podem contar com a Europa, não podem contar com países como a França, mas podem contar com a Rússia, podem contar com a China, podem contar com o Irão ou com outros países do Golfo. E, portanto, vamos ver se, por exemplo, no caso da Guiné-Bissau, não será essa a tendência. Aliás, o presidente Umaro Sissoco Embaló, que no fundo, há suspeitas de que isto é de alguma forma uma espécie de autogolpe meio disfarçado do presidente anterior da Guiné-Bissau, já andava muito por Moscovo para tentar responder à pressão e à tendência para algum isolamento internacional.
Bruno, recomendo que deixemos aqui a questão dos Estados Unidos para abrir a nossa segunda parte. Pode ser?
Sim, claro.
Fica combinado. Vamos falar também da China, do Japão e conhecemos ainda o país em destaque nesta edição dos Cinco Continentes, que é a Síria. É já a seguir, logo depois das notícias. Até já. De regresso para a segunda parte do Cinco Continentes. Eu sou o João Costa e Silva, esta semana está comigo a Vanessa Cruz e, claro, o historiador Bruno Cardoso Reis. Começamos esta segunda parte, Vanessa, a falar sobre os Estados Unidos.
Sim, porque no fundo, Bruno, queremos perceber realmente se tem sentido os Estados Unidos reclamar como seu o petróleo da Venezuela ou se trata aqui da habitual falta de rigor de Donald Trump.
Bem, é um bocadinho as duas coisas, Vanessa. Ou seja, Donald Trump, também como acontece com alguma frequência, tem muita falta de rigor e apresenta muitas vezes soluções também que não são aceitáveis, embora às vezes até aponte para problemas reais. Ou seja, o petróleo da Venezuela é legalmente do Estado venezuelano. Aliás, desde a Segunda Guerra Mundial que 50% do rendimento do petróleo, desde 1943, portanto, não é propriamente uma coisa recente, tende ir para o Estado venezuelano. Isso também acontece em muitos destes países produtores. Desde 76 que a Venezuela decidiu nacionalizar a indústria petrolífera, isso também não é invulgar. Há aqui grandes paralelismos, por exemplo, com a Arábia Saudita. A Venezuela é o país com maiores reservas de petróleo do mundo, a seguir vem a Arábia Saudita. Nos dois houve muito envolvimento das indústrias petrolíferas americanas e depois houve esta tendência para um peso maior do Estado, sem que isso tenha significado um corte nas relações entre os Estados Unidos e esses países, mas na Arábia Saudita também foi a partir de 1973 que começou esse processo, que termina depois nos anos 80, de controle da Aramco, que é a companhia saudita de petróleo. A sigla basicamente o que significa é Arab American, portanto, começou como uma companhia americana na década de 30. Na Venezuela, o processo também começa logo nos anos 20, portanto é um pouco anterior à Arábia Saudita, mas há aqui realmente grandes paralelos nesta tendência geral dos petrostados a partir dos anos 70 a começarem a controlar mais diretamente a sua indústria. E desse ponto de vista, Trump não tem razão, o petróleo até constitucionalmente pertence à Venezuela, isso já era assim muito antes de chegar este regime de Hugo Chávez e de Maduro. No que ele tem alguma razão? É que havia muitos outros mecanismos de cooperação com a indústria petrolífera norte-americana já depois disso, e isso e outras indústrias americanas são afetadas por uma vaga de expropriações, de nacionalizações do Hugo Chávez em 2007, que são até transmitidas em direto na televisão. Há aqui uma empresa de vidro norte-americana que vai expropriar-se, diz ele na televisão. E isto sem pagar as indenizações devidas, sem haver acordo também com os acionistas, que foi o que aconteceu nestes episódios passados dos anos 70, etc. E portanto, a Venezuela neste momento é o campeão mundial de processos em tribunais internacionais arbitrais por processos de expropriação, nacionalização, sem a devida indenização. Só no caso dos Estados Unidos são à volta de 12 bilhões, mas há múltiplos países, inclusive também empresários portugueses envolvidos nestes processos. E desse ponto de vista, Trump tem alguma razão. Agora, claro, o problema aqui é que esta mistura de coisas em que ele tem razão com outras em que não tem, pode, por exemplo, facilitar, e está a facilitar a vida ao regime, ou seja, o regime tentar jogar esta cartada nacionalista de que os Estados Unidos estão a tentar roubar o petróleo venezuelano. Enfim, também se confirma aquilo que já suspeitávamos, que realmente para Donald Trump, a questão da promoção da democracia não é uma prioridade, isso está muito claro, aliás, nesta nova estratégia. Quando muito, pode estar em questão a promoção de trumpistas, de setores políticos que Trump vê como seus aliados, por exemplo, na Europa ou na América Latina, mas não propriamente a questão da democracia em si. Portanto, não é esse o grande problema dele com o regime Maduro, é que o regime Maduro não está alinhado com ele. E depois há esta questão sempre dos interesses das matérias-primas. Nessas questões, realmente Donald Trump é muito claro, não há aqui agendas secretas para descobrir, à parte realmente da questão do controle da imigração. Levar estes sete milhões de venezuelanos que foram forçados a fugir do país, a regressar ao país, à parte da questão do narcotráfico, que no caso da Venezuela, em relação aos Estados Unidos, não é assim tão relevante. E esta questão dos recursos, essas realmente são declaradamente as três grandes prioridades do Donald Trump e portanto aparecem aqui de forma também clara no caso da Venezuela.
Bruno, vamos falar agora da China, que anunciou uma nova estratégia para a América Latina. Queríamos perceber como é que ligas isso com o regresso da doutrina Monroe nos Estados Unidos. Voltamos também aqui a falar um pouquinho de Donald Trump nesta questão, não é?
Sim, e da tal nova estratégia de segurança, em que declaradamente se diz "vamos voltar à doutrina Monroe", e há aqui uma espécie de corolário Trump, enfim, pra quem conhece a história da política externa americana, é uma referência a um outro corolário da doutrina Monroe. A doutrina Monroe é muito antiga, vem de 1823. Basicamente o que diz é: América para os americanos, sendo que há aqui uma implicação que o maior país das Américas é os Estados Unidos, portanto, há aqui uma ambição de uma certa hegemonia regional americana. Mas depois com Roosevelt, a ideia no início do século XX, aliás, a propósito de uma crise na Venezuela em 1904, a ideia de que os Estados Unidos podem usar a força, podem intervir militarmente se houver situações de caos, de crise, de descontrole que obriguem a algum tipo de intervenção externa, deverão ser os Estados Unidos a fazer isso. E no fundo aqui o corolário do Trump parece ser, e vamos querer controle de recursos naturais, enfim, ao mesmo tempo que estamos dispostos a dar alguns incentivos para os latino-americanos alinharem conosco. Enfim, estes anúncios de apoios, por exemplo, na Argentina ou mesmo nas Honduras. Mas aquilo que é interessante é que por muito criticável e muito questionável que sejam estas opções norte-americanas, a verdade é que a China parece estar um pouco preocupada. Esta estratégia, no fundo, do meu ponto de vista, reflete um pouco isso. A China não quer perder terreno na América Central, na América do Sul. O que a China tem para oferecer? Basicamente, a ideia de que é um parceiro confiável, um parceiro que respeita a soberania destes Estados, portanto, há aqui, obviamente, uma comparação evidente ou um contraste evidente, se quisermos, com a postura dos Estados Unidos. A ideia de que a China também é um país do Sul global, também é um país em desenvolvimento. Portanto, esta ideia de, no fundo, nós somos como vocês. No fundo, é o modelo chinês de aposta, sobretudo em investimentos, em investimentos em infraestruturas, em investimentos também na área da mineração das matérias-primas. Eu diria que é interessante para os países latino-americanos que a China continue empenhada em estar presente. Isso permite diversificar relações, permite contrabalançar um pouco este peso dominante dos Estados Unidos. Mas a verdade é que persistem alguns problemas, questões como a sustentabilidade da dívida, até que ponto é que esses investimentos em infraestruturas são todos realmente viáveis e economicamente interessantes, e se não são, quem é que vai pagar o preço por isso, ou mesmo coisas como a questão da desindustrialização. No fundo, o peso da China tem levado a que, por exemplo, um país como o Brasil, que historicamente tinha como grande ambição industrializar-se, tornar-se uma grande potência industrial, na verdade, os setores mais dinâmicos são os setores mais tradicionais, se quisermos, da agricultura, do agronegócio, exportação de soja, de carne pra China ou de matérias-primas, mineração, coisas como o ferro, o lítio, etc. Portanto, esses problemas continuam, no fundo, por resolver nesta estratégia chinesa, que obviamente, embora se apresente como uma espécie de manifestação de solidariedade entre os países do Sul global, na verdade, está sempre muito orientada para a defesa dos interesses chineses.
Vamos agora, Bruno, para o país em destaque, o que queres destacar hoje e também em destaque pela "Economist", que é a Síria. Que dados e que datas queres aqui trazer relativamente a este país?
Bem, eu desta vez resolvi fazer batota, como dizia a Vanessa, e no fundo, socorri-me do "Economist", ou seja, foi o "Economist" que escolheu o país em destaque. Uma parceria, Bruno. É uma parceria, exato, uma parceria que eles não sabem. Espero que não fiquem chateados.
Informal.
Exato, é uma forma de fazer publicidade à revista, mas o "Economist" decidiu aqui há uns anos que toda a gente escolhe sempre uma personalidade do ano, seguindo o modelo da Time, e que eles queriam fazer uma coisa um pouco diferente, então vamos escolher um país do ano. No fundo, eles pedem opiniões a toda a redação, as pessoas propõem um país, oferecem-se como, vamos dizer, padrinho de um país e procuram explicar porquê, sendo que a regra do jogo é: o país que mais melhorou, que mais mudou para melhor no último ano. E realmente aí o grande marco é o fim do regime de Assad, exatamente há um ano atrás, em dezembro de 2024, a queda desta dinastia política republicana, que é algo que existe muito nos países árabes. Temos as monarquias e depois temos as repúblicas, em que a sucessão também se faz de pai para filho. Enfim, um colega egípcio há uns anos contava-me essa história que o presidente, o Hafez al-Assad, o patriarca da família Assad, que tomou o poder em 1970 num golpe militar e depois o entregou ao filho em 2000, portanto há 25 anos atrás, ao filho Bashar al-Assad, numa conversa com o presidente egípcio Mubarak, teria dito: "Bem, então tu já decidiste que filho é que vai ficar com o poder". Isto é contado por um egípcio, o presidente Mubarak terá dito: "Bem, o Egito é uma democracia, portanto, eu vou deixar que os egípcios escolham que filho meu é que querem que me suceda". Obviamente, não foi assim que aconteceu no Egito, nem na Síria, por causa das primaveras árabes de 2011, mas no caso da Síria, houve essa enorme resistência da família Assad, uma guerra civil extremamente sangrenta a partir de 2011, que terá causado mais de 500 mil mortos, milhões de deslocados. E portanto, aí a grande notícia e a grande justificação para a escolha do "Economist" é que a Síria é um país muito importante no Médio Oriente. Se quisermos, é o maior dos pequenos e médios, portanto, tem around 25 milhões de habitantes. Obviamente, não se compara com o Egito, tem mais de 100 milhões, ou com o Irã ou a Turquia, que tem mais de 80 milhões. Mas é um país também geograficamente muito importante, muito central, como se viu, aliás, depois com a possibilidade que o colapso do regime e que a guerra civil abriu ao surgimento do Estado Islâmico, que afetou toda a região e também muito a segurança europeia a partir de 2014. Mas realmente a Síria é um país muito importante e em que objetivamente as coisas estão melhores. O nível de violência caiu muito, há around 5 milhões de pessoas que terão regressado à Síria. Aparentemente, há uma tentativa do novo governo de criar uma ampla coligação com os diferentes grupos, os alauítas, que apoiavam o regime anterior, mas drusos, curdos, cristãos, etc., a par da maioria sunita. Está longe de ser uma situação ideal, continua a haver episódios de violência muito preocupantes. Ainda agora tivemos um ataque norte-americano em resposta àquilo que ainda resta do Estado Islâmico, portanto, o "Economist" também é muito claro nisso. A situação está longe de ser normal, pacífica, ideal, mas em termos de melhoria, relativamente ao que foi este período terrível desde 2011, de uma guerra civil extremamente brutal, realmente a melhoria é muito significativa e há aqui algum sinal de esperança em termos de uma tentativa de um amplo governo de união nacional e rejeição de retaliações coletivas e também a procura de apoios internacionais para reconstruir o país, apoios muito diversos, inclusive do Ocidente, dos países do Golfo, da própria Rússia. Portanto, vamos ver se este otimismo se confirma, se mantém, ou se isto é uma questão tática e se rapidamente, no fundo, este governo, liderado por um antigo membro da Al-Qaeda No fundo, se vai revelar um pouco como o Talibã, como violentamente repressivo, sectário, etc., e vamos regressar a uma situação de conflito armado muito intenso na Síria. Mas para já, realmente, eu percebo o ponto do Economist e acho que temos aqui alguma razão para louvar os esforços na Síria para acabar com este conflito extremamente violento.
A Síria que é o país em destaque pelo Bruno Cardoso Reis e também teve aqui destaque pelo The Economist, como já referiste. Seguimos viagem, agora até ao Japão. Um alto responsável do novo governo disse que o país devia ter armas nucleares e isto numa altura em que os Estados Unidos fazem vendas recorde de armas a Taiwan. Bruno, estes dados, nomeadamente do que diz respeito ao Japão, acabam por ser preocupantes?
Depende muito da perspectiva. Do ponto de vista da China, são extremamente preocupantes. Eu diria que estas declarações também não podem ser descontextualizadas desta crise, destas tensões entre a China e o Japão que já falámos, a respeito de umas declarações da primeira-ministra do Japão, precisamente a respeito de Taiwan e da ideia de que um ataque a Taiwan seria um ataque ao Japão e obrigaria a algum tipo de resposta militar pelo lado do Japão. Mas do ponto de vista da China, sim, a questão de Taiwan, os Estados Unidos anunciam vendas de 10 mil milhões de armamento avançado a Taiwan. O grande objetivo, obviamente, é, de acordo com os Estados Unidos, com Taiwan, não é preparar-se para uma guerra, é evitar uma guerra, ou seja, tentar dissuadir a China de tentar resolver a situação pela força. Há muitas especulações sobre 2027, aqui como uma espécie de meta pelas Forças Armadas chinesas para resolverem a questão de Taiwan a bem ou a mal. E, portanto, a ideia é reforçar meios, por exemplo, de guerra naval, de mísseis antiaéreos, mísseis antinavio, defesa aérea, etc, defesa costeira, para tornar muito custosa uma eventual ação militar chinesa. Aí eu acho que o grande problema, o grande desafio é que a China pode não precisar disso, ou seja, pode recorrer a um modelo que agora os Estados Unidos estão a ensaiar na Venezuela, que é uma espécie de bloqueio naval. Taiwan, como sabemos, é uma ilha, portanto, está muito dependente do exterior para muito do que precisa para viver e a China tem a possibilidade de fazer uma espécie de ação coerciva, que não é uma ação militar, uma invasão, e que tornaria muito mais difícil uma resposta eficaz. Em relação ao Japão, o que está aqui em questão realmente é uma viragem ou pôr essa questão do nuclear seria uma viragem radical na cultura estratégica, na cultura política japonesa. A líder da oposição, aliás, veio dizer exatamente isso, que isso não era aceitável, que a pessoa que fez essas declarações tinha de demitir. Foram declarações em off, mas a pessoa é identificada como próxima da primeira-ministra. Porque põe em questão os chamados três nãos, que definem a cultura estratégica japonesa, muito também como resultado do trauma das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. O Japão foi o único país que foi vítima da utilização de armamento atômico no final da Segunda Guerra Mundial e portanto, os três nãos é o Japão não produz, não tem e não permite a presença de armamento nuclear, por exemplo, dos Estados Unidos no seu território. E portanto, o que é que acontece aqui? É que a própria primeira-ministra, quando lhe foi perguntado no Parlamento, disse: "Nós temos de repensar isso, a resposta será dada na nova doutrina de segurança nacional, nova estratégia de segurança nacional japonesa". Portanto, não deu uma resposta taxativa a dizer que não, e agora um conselheiro próximo terá dito que a resposta racional a um contexto muito mais conflituoso, em que o Japão pode estar sozinho, ou seja, traduzido por miúdos, uma China muito mais agressiva, uma Coreia do Norte muito mais agressiva e uns Estados Unidos muito menos presentes, uma aliança com os Estados Unidos muito menos segura, a resposta racional a isso será rearmar-nos até aos dentes, inclusive com armamento nuclear, que é a arma máxima e aquela com mais capacidade de dissuadir um adversário de pensar se quer invadir um país. E portanto, desse ponto de vista, eu acho que isto ilustra muito bem as consequências do contexto internacional atual e desta retração dos Estados Unidos, desta ideia do America First, do America Only do Donald Trump, ou seja, só o que interessa são os interesses americanos. As alianças não nos vão condicionar. Somos aliados num dia, podemos não ser outro. Estou aqui literalmente ou quase a citar Donald Trump. E portanto, o resultado lógico disso é realmente o que podemos chamar uma crise da proliferação ou da não proliferação nuclear. A par do próprio caso da Ucrânia, não é? É muito evidente que se a Ucrânia não tivesse cedido as suas armas nucleares, muito por pressão dos Estados Unidos, em 1994, à Rússia, em troca de uma garantia de segurança da Rússia e dos Estados Unidos, se calhar não teria sido invadida ou pelo menos não com este nível de violência. Portanto, realmente estamos perante uma crise da proliferação do regime de não proliferação nuclear e eu acho que é muito provável que haja mais aliados históricos dos Estados Unidos que, de facto, acabem por optar por desenvolver armamento nuclear. Fala-se disso também na própria Europa, países como, por exemplo, a Polónia ou mesmo a Alemanha, onde também existe muito este tabu em relação ao nuclear. Aqui o que é importante para terminar, sublinhar, é que o Japão, tal como, por exemplo, um país como a Alemanha, basicamente tem a capacidade para ter armamento nuclear. Tem imensa experiência nuclear civil, tem muitas centrais nucleares, portanto, tem a possibilidade de produzir material nuclear. Tem experiência também ao nível espacial, ao nível de foguetes, portanto, mísseis se quisermos, de foguetes que podem ser tornados mísseis e com relativa facilidade o Japão poderia desenvolver armamento nuclear se quisesse.
Temos ainda tempo, Bruno, para falarmos de um novo diálogo trilateral de segurança no Pacífico entre Indonésia, Papua Nova Guiné e Austrália. Qual é o significado deste encontro?
É realmente um sinal de que as coisas estão muito a mexer neste xadrez do Pacífico, de que vamos falando muitas vezes. A Papua Nova Guiné é uma ilha realmente extraordinária, tem quase 800 mil km², portanto, é das maiores ilhas do mundo. Está dividida basicamente a meio, aqui é interessante comparar com Timor-Leste, que aliás é uma ilha próxima. Tal como a ilha de Timor, a ilha da Papua está dividida basicamente a meio. A metade oriental, tal como em Timor, pertence à Indonésia, este enorme Estado arquipelágico gigante do Sudeste Asiático, e a parte ocidental é independente, num caso Timor-Leste, noutro caso a Papua Nova Guiné, que era uma antiga colônia australiana. Aqui qual é o contexto disto? Uma presença crescente da China levou a Austrália a investir muito em parcerias, em alianças, em cooperação reforçada com estas ilhas do Pacífico. Apanhou um susto com um acordo entre as Ilhas Salomão, que ficam também logo a norte da Papua Nova Guiné e da Austrália, com a China, e portanto assinou recentemente, falámos disso aqui há uns meses, um acordo de parceria, de apoio financeiro, de treino, etc, com a Papua Nova Guiné. Do outro lado da ilha está a Indonésia, e portanto a Indonésia mostrou algum desconforto com esse acordo, exatamente as implicações disso também para a sua própria segurança, e portanto a solução para isso foi realmente uma boa solução, que é no fundo criar aqui um diálogo trilateral entre ministros da Defesa, que foi estreado agora. Mas a ideia, no fundo, é: isto não é contra a Indonésia, nós temos todo o interesse também em envolver a Indonésia nesta cooperação, nesta parceria. Aparentemente, há uma proposta até de desmilitarização da fronteira entre a Papua Nova Guiné e a Indonésia, e iniciativas de cooperação trilateral. Portanto, parece-me que é uma boa notícia desse ponto de vista. Evitar aquilo que acontece muito na política internacional, que é um país pode cooperar com outro, do seu ponto de vista, para se defender, mas um país vizinho não sabe se é mesmo para se defender, se não é para eventualmente o atacar e uma das formas de resolver isto é ter estes mecanismos de diálogo.
Sim.
Bruno, terminamos esta edição, como é habitual, com a tua recomendação. Queres recomendar a Vanity Fair. Não é assim muito habitual. Desconfio que esteja ligado a uma certa chefe de gabinete de Donald Trump, que deu o que falar. É isso?
Exatamente. A Vanity Fair é uma revista mais conhecida por excelentes fotografias, mas muito ligada ao mundo da moda, do espetáculo, etc. Mas realmente faz boas reportagens políticas, tem muito esta tradição de fazer uma grande reportagem sobre cada nova administração presidencial, também com fotógrafos de referência a fotografarem os protagonistas da presidência. E escolheu focar-se nesta figura de Susie Wiles, e eu acho que foi uma escolha muito inteligente. Realmente é a primeira chefe de gabinete mulher de um presidente norte-americano. Muitas vezes em Washington, DC, na capital americana, fala-se do chefe de gabinete do presidente dos Estados Unidos como a segunda pessoa mais poderosa dos Estados Unidos, da qual quase ninguém fala, porque por regra são figuras relativamente discretas, são uma espécie de alter ego do presidente. Mas é a pessoa que está literalmente ao lado da Sala Oval, é a pessoa que controla a agenda do presidente, controla o acesso ao presidente, que geralmente é uma figura de enorme confiança também política do presidente. De um modo geral, aliás, os chefes de gabinete são figuras muito influentes e importantes em qualquer país, mas realmente é assim o caso nos Estados Unidos. Aqui realmente o que foi interessante foi que esta figura muito discreta falou e disse coisas um pouco fora da caixa, com uma certa honestidade brutal, vamos dizer assim, mas coisas como: J.D. Vance, o vice-presidente, é um teórico da conspiração, que por ambição mudou de opinião em relação ao Donald Trump. Sobre Donald Trump, no fundo, caracteriza como uma espécie de personalidade alcoólica, o que é uma grande surpresa, porque Donald Trump não bebe. Mas aparentemente o próprio Donald Trump valoriza tanto Susie Wiles que veio defendê-la em relação a isso e dizer: "Sim, eu próprio digo isso, tenho um pouco essa personalidade, por isso é que não bebo". Mas no fundo, eu acho que aqui a grande lição e o ponto chave é uma administração muito disfuncional, isso fica bastante claro na reportagem, convido os ouvintes a lerem, que basicamente não tem um processo estruturado, por exemplo, de planeamento, de pensar as grandes questões da política externa. Sobre a Venezuela, que é comentada, o plano é basicamente: vamos bombardear lanchas de narcotraficantes até que o regime Maduro cries ankle, ou seja, uma expressão popular americana, peça socorro ou desista. Mas acho que é muito revelador como é que funciona a Casa Branca e que apesar de tudo, sem a Susie Wiles funcionaria bastante pior. Ela parece realmente um pouco aqui a adulta na sala, apesar de tudo. Mas é realmente uma reportagem que vale muito a pena ler.
Susie Wiles, aqui o destaque da Vanity Fair. Bruno Cardoso Reis, dúvidas, perguntas, enviar para o e-mail ouvinte@observador.pt. Nós temos aqui algo preparado especial para a próxima semana. Não vamos revelar, vamos deixar aqui no ar, mas vamos trazer reforços. Bruno, é sempre um gosto. Obrigado também à Vanessa Cruz, que esteve conosco nesta edição especial dos "Cinco Continentes". Um abraço, Bruno.
Obrigado. Bom fim de semana.
Abraço, Bruno, as melhores.
Abraço, obrigado.