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Começa a app da vizinha. Como é habitual, está connosco a Ana Pimentel, a editora de tecnologia e startups do Observador. Olá, Ana, bem-vinda.

Olá, Ana Filipa.

Ora viva.

Boa semana.

Obrigada, para ti também. Ana, e há uma aplicação portuguesa que nos quer deixar mais bem-dispostos e relaxados no trabalho. Não é? Mais zen.

Sim, Ana Filipa, é isso mesmo. Só vos trago coisas boas para esta app da vizinha, para descontrair dessas notícias. Mas sim, na verdade, é um dois em um, porque se estivermos mais bem-dispostos e relaxados no trabalho, isso depois também acaba por influenciar tudo o resto. São relações que se alimentam. E é mesmo isso que faz o Holi. Holi, com H-O-L-I. E o que é este Holi, perguntam vocês.

O que é o Holi? Sim.

O Holi é uma aplicação portuguesa que implementa técnicas de autogestão da saúde mental nas empresas. Isto para quê? Para, como tão bem estavas a dizer há pouco, Ana Filipa, para reduzir o burnout dos funcionários. O burnout é um esgotamento motivado por um estado de exaustão, muitas vezes ligado a situações de estresse no trabalho ou a muita carga laboral, e também tem sido uma das grandes preocupações desta pandemia, não só o burnout profissional, mas também o parental. Portanto, é um tema que está bastante na ordem do dia.

Mas onde é que eu encontro essa aplicação, por exemplo, no meu smartphone, como é que eu faço? É possível instalar?

João, não. Esta não vai ser possível instalar, esta em específico não podes, porque apesar de ser uma aplicação, ela é só, pelo menos por enquanto, dirigida a empresas. Ou seja, neste caso, imagina, para tu teres acesso à aplicação, para eu ter acesso, para a Ana Filipa também, teria que ser o Observador a contratar o serviço da Holi à Nevar. A Nevar é a startup portuguesa que está por trás do desenvolvimento desta aplicação. E, na verdade, esta aplicação até nasceu de um mestrado que a Rita Massorani e a Francisca Canais, que são as duas cofundadoras do projeto, tiraram em Engenharia Biomédica e Biofísica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. E apesar de ter nascido durante o mestrado, na via acadêmica, até tem conquistado vários jurados nos concursos de empreendedorismo em que tem participado.

Ana, mas deixa-me perceber se eu, de facto, percebi, isto em condições também. Portanto, é preciso existir uma empresa que adquira este serviço, mas como é que ela ajuda a reduzir o burnout?

Ana Filipa, a história é um pouquinho interessante, porque a Rita e a Francisca queriam desenvolver soluções que conseguissem ver o estado emocional da pessoa através de sinais fisiológicos. E como é que elas queriam fazer isto? Era recorrendo a uma metodologia que tem por base jogos. Isto, lá está, foi a ideia inicial, que as fundadoras até chegaram a direcionar para o tratamento de fobias, mas depois o tempo passou, a pandemia chegou, e com a saúde mental cada vez mais a ser falada, decidiram direcioná-la então para reduzir e evitar o burnout nas empresas. E lá está, para responder à tua pergunta, como é que elas fazem isto? Pegando na mesma tática dos jogos que há pouco vos falei, mas aqui aliando a conceitos e a práticas que promovem o bem-estar. E estamos aqui a falar de coisas como mindfulness, como exercícios de regulação da respiração, sistemas e ferramentas de registros de humores, o journaling, que é uma prática que usa a escrita como terapia. Ou seja, imagina o Observador compra o Holi à Nevar, a Nevar depois cede esta aplicação aos funcionários da empresa, eles vão tendo acesso a estas ferramentas e mediante os exercícios que cada trabalhador vai fazendo, a app vai classificando o estado em que a pessoa se encontra, aqui sempre nesta lógica de prevenir que cheguem a um estado de burnout, um estado já mais grave. E como é que elas classificam? Como se de um semáforo se tratasse. Portanto, quando deteta uma situação de perigo num colaborador em específico, esta aplicação, se achar que o trabalhador precisa de apoio especializado, então depois também encaminha essa pessoa para um dos parceiros que a empresa já tem na área da saúde, como o Hospital da Luz, por exemplo. É um dos exemplos.

Ana, mas depois a empresa vai saber como é que está cada um dos trabalhadores?

Não, João Alexandre, não é isso que se pretende. Aliás, segundo aquilo que a fundadora explicou ao Tiago Neto, que assina uma peça mais completa sobre a história da Holi no nosso site, depois os nossos ouvintes podem também ler, os empregadores têm, na verdade, acesso a uma análise agregada do estado da empresa, ou seja, conseguem ter uma perspectiva geral global sobre como está o bem-estar dos seus funcionários, mas não dos colaboradores individualmente. Os planos da Nevar parece que não se ficam por aqui. E como disse também a Rita, que é CEO desta startup, ao Tiago, o objetivo do Holi é mesmo revolucionar o panorama da saúde mental. Por isso, acho que uma opção direcionada ao consumidor final parece-me que não está 100% descartada, mas vamos ter que esperar para ver, porque o projeto ainda está muito no início.

Perceber como é que esta app depois evolui. Está esse artigo, como dizias, assinado pelo Tiago Neto no site do Observador. E Ana Pimentel, também no site do Observador é possível subscrever a newsletter que estás a preparar.

Claro, sempre. É possível subscrever e também é possível ler, porque agora as nossas newsletters ficam sempre disponíveis no nosso site. E sim, amanhã a newsletter Startups por volta do final da tarde chega ao correio dos nossos leitores com novidades como as da Holi, por exemplo.

Por exemplo, é apenas um exemplo de muito que pode encontrar na newsletter de Startups e Tecnologia do Observador. A Ana Pimentel é editora e junta-se a nós todas as semanas na app da Vizinha. Ana, obrigada. Até para a semana.

Até para a semana.

Obrigado, Ana.

Obrigada. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.