Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Estamos no NorteShopping, no Porto, e junto a nós, é esse o convite. A tarde em direto faz-se a partir do piso zero. Estamos numa zona bem visível e se passar por cá, temos também uma surpresa reservada. Não posso contar muitos detalhes, mas esperamos por si até quarta-feira. A tarde em direto, a Rádio Observador está no Norte Shopping. Significa esta música que está tudo pronto para a app da vizinha de hoje. Está conosco ainda aqui à distância, a Ana Pimentel, editora de tecnologia e startups do Observador. Ana, olá.

Olá, Ana. Olá, João.

Ora viva.

Ora viva, para vocês aí no Norte Shopping, pelo que estou a ver.

Sim, muito movimento desde 早 .

Sim, a Ana Pimentel, não sabemos onde ela está, não é?

Isso é um mistério, vai ficar para sempre um mistério.

Vamos ficar assim.

Quis adensar esse mistério agora neste momento, para os ouvintes ficarem ainda com mais vontade.

É isso. Gostávamos muito de te ter aqui, mas enfim, não é possível. Ana, hoje vamos falar da Apple e do Facebook, porque parece que estão de costas voltadas?

É isso mesmo, Ana Filipa. Parece que sim. Nada como um bom duelo de titãs. Parece que Mark Zuckerberg não está muito satisfeito com a nova versão do sistema operativo da Apple, o iOS 14.5, que chegou aos iPhone na semana passada. Apesar de estas mudanças, estas atualizações destes softwares serem normais e frequentes, portanto, os sistemas operativos vão tendo as suas atualizações. A mais recente versão do sistema que faz os iPhone funcionar, integra um pormenor, chamemos assim, porque é apenas uma pergunta, mas é um pormenor que vem mudar e muito as regras do jogo para uma empresa como o Facebook. Que não nos podemos esquecer, o Facebook tem outras aplicações do gênero, como o Instagram e o WhatsApp, portanto várias aplicações que usam os dados pessoais dos seus utilizadores para fazer negócio através de parcerias com outras apps e outras empresas terceiras, no sentido de direcionar a publicidade, os anunciantes, para um determinado tipo de utilizador. É isto que está no cerne da questão da guerra entre o Facebook e a Apple.

Ana, mas que mudança é esta que tanto está a atormentar Mark Zuckerberg?

Olha, João, como dizia há pouco, parece um pormenor, porque é uma simples pergunta, mas está a causar este alvoroço todo. De que é que se trata? Quando instalas o novo sistema operativo da Apple e começas a abrir as tuas aplicações, ele faz-te uma pergunta. Pergunta-te se aceitas que a app em questão rastreie a tua atividade noutras aplicações ou sites. Ou seja, instalas o iOS 14.5, abres o Facebook, aparece-te esta pergunta e depois tu vais poder escolher, enquanto utilizador, sim ou não. Portanto, se queres que os teus dados sejam rastreados ou não. Depois, abres o Twitter, vamos imaginar, e daí em àspas, àspas. Este processo repete-se. Esta pergunta que o novo sistema operativo faz, na verdade, é uma das novas funcionalidades dos iPhone, que se chama transparência de rastreio de aplicações. Só pelo nome já temos ideia de que isto é para promover a transparência e porque, na verdade, o que querem é que os dados de cada utilizador fiquem mais privados se assim o entenderem. Pelo menos é isto que a Apple argumenta. Desta forma, cada um de nós pode decidir se quer permitir o acesso de determinada aplicação a dados como o nosso e-mail ou a nossa data de nascimento, ou não. Como a Tecnológica explica num vídeo onde anunciou esta novidade, o facto de haver empresas que, na perspectiva da Apple, estão a abusar dos dados dos utilizadores para criarem uma espécie de perfis digitais, de cada utilizador, que depois vendem às tais outras empresas que falei há pouco, levou a dona dos iPhone a pensar numa alternativa que desse mais poder de escolha ao utilizador. E foi a esta conclusão que chegaram. É apenas uma pergunta, mas uma pergunta que está a causar bastante transtorno.

Certo, esta funcionalidade dos iPhones, a transparência de rastreio de aplicações. Portanto, Ana Pimentel, vamos ver se eu percebi bem. Eu agora posso decidir aplicação a aplicação, que informação é que estou a ceder, é isso?

Exato, Ana Filipa, é isso mesmo. Imagina se hoje instalares a nova versão do sistema operativo e fores abrir, por exemplo, o Instagram, para dar aqui mais um exemplo de outra aplicação, e te aparecer esta questão, tu podes decidir dar permissão à Apple para rastrear os teus dados, porque hoje te apetece que assim seja. Mas vamos imaginar que daqui a duas semanas, lês uma notícia qualquer ou pura e simplesmente mudas de ideias e decides que não, não queres mais que o Instagram te rastreie os teus dados e que ceda a outras aplicações. Portanto, aí, nesse momento, tu vais poder alterar a resposta que deste anteriormente. Ou seja, esta primeira resposta que dás não é efetiva, não é para sempre. Podes depois mudar a tua permissão nas configurações da aplicação. E esta foi uma das novidades do novo sistema operativo da Apple. É verdade, é a novidade que mais se fala, mas tem outras. Estes updates dos sistemas operativos vêm sempre com algumas novidades. Uma delas também é uma aposta mais na diversidade e na inclusão. Neste novo iOS 14.5, vai ser possível, ou já é possível, aliás, escolher emojis com mais tons de pele diferentes, há mais opções de vozes para a Siri, a assistente virtual da Apple, portanto, há aqui outros aspetos a considerar quando instalar este sistema operativo.

Ana, entretanto consigo perceber por que é que isto acabou por irritar Mark Zuckerberg, mas o que é que ele já fez para evitar ou para contornar esta alteração?

Pois é isso mesmo. É fácil perceber-

Isso quer dizer que fez pouco?

Não sei se fez pouco. Eu estou a dizer é que, de facto, é fácil compreender porque é que isto irritou o Zuckerberg. Porque esta nova possibilidade vai permitir que cada utilizador escolha que dados quer partilhar e para uma rede social, para uma empresa como o Facebook, isto afeta grande parte dos seus negócios. Aquilo que o Zuckerberg diz é que esta nova ferramenta da Apple prejudica os negócios mais pequenos. E por quê? Porque se o Facebook não tiver como recolher dados de utilizadores e cruzá-los com os de outras aplicações, deixa então de poder dar um serviço eficiente às empresas mais pequenas que utilizam a rede social para fazer anúncios, para fazerem publicidade aos seus produtos. E portanto, isto faz com que, segundo Mark Zuckerberg, toda a negociação à volta dos dados se torne menos eficiente para as empresas que depois utilizam então estes dados para direcionar anúncios aos utilizadores. A verdade é que a discussão está lançada. Parece que o Facebook, entretanto, já tratou de dar aqui um bocadinho a volta à situação como podia. Neste fim de semana, soube-se que os utilizadores que já instalaram o mais recente sistema operativo do iPhone, já estão a receber um aviso nas redes sociais da marca, dizendo que, por exemplo, o Facebook usa as informações que rastreia para ajudar a manter o Facebook gratuito. Para apoiar empresas que dependem de anúncios e para mostrar então os anúncios mais personalizados. No fundo, aqui Zuckerberg a dizer que nós fazemos isto para manter esta aplicação gratuita. É um argumento que também poderá gerar a sua própria discussão. A verdade é que depois num texto publicado no blog da empresa, o Facebook diz apenas que esta mensagem é educativa, portanto só para ficar claro que os utilizadores saibam como os seus dados são usados. Mas a verdade é que as polémicas com os dados e o Facebook não têm sido poucas, têm sido bastantes e teremos de aguardar para ver como é que tudo isto se desenrola. Esperar por cenas dos próximos capítulos.

E vamos continuar a acompanhar essas cenas dos próximos capítulos também na newsletter de startups, certo Ana Pimenta?

Claro. Sim, isso mesmo, Ana Filipa. Amanhã eu sei que vocês continuam aí pelo Porto, mas a newsletter de startups vai continuar também a chegar aos correios dos nossos leitores ao final do dia e com as novidades dos negócios tecnológicos, das grandes empresas, destas big tech, mas também das startups portuguesas e não só.

Portanto, se nos está a ouvir e ainda não subscreve esta newsletter, é simples, basta passar pelo site do Observador. A Ana Pimentel é editora de tecnologia e startups do Observador e junta-se à rádio sempre todas as semanas na app da vizinha. Ana, obrigada, até para a semana.

Obrigada, até para a semana.

Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto