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Altura de falar de tecnologia. É sempre assim neste dia da semana na Rádio Observador, com a Ana Pimentel, a editora tecnologia e startups do Observador. Olá, Ana, bem-vinda, boa semana.

Olá, Ana Filipa, boa semana. Olá, Miguel.

Olá, Ana.

Ana, hoje vamos falar de um farol, mas não é daqueles que estamos habituados a ver junto ao mar. Pois não?

Não, não fosse isto um programa de tecnologia, não podia ser, mas sim, esses são muito bonitos, sim, senhora, mas não é sobre eles. Este farol de que vamos falar aqui hoje é, na verdade, um programa de aceleração de startups. É um programa muito recente, foi lançado hoje e também é um programa pioneiro. Ele visa apoiar projetos muito específicos, aqueles que tenham como missão mitigar e reduzir a escravatura moderna. Atenção, e o trabalho forçado dentro das cadeias de produção. Portanto, estamos aqui a falar de direitos humanos. A ideia deste farol é ajudar a acelerar, criar, desenvolver soluções tecnológicas, e aqui estamos na nossa época vizinha, portanto, pôr aqui a tecnologia ao serviço deste objetivo, desta missão. No fundo, que ajudem a perceber se determinado produto que nós, como consumidores, compramos em qualquer parte do mundo, consegue, de facto, passar por todas as suas fases de produção, aqui vamos desde a recolha da matéria-prima até todas as fases que impliquem que o produto chegue às mãos do consumidor, sem que nenhuma entidade que passe neste longo processo tenha recorrido a este tipo de práticas. Portanto, é este aqui o objetivo.

Ana, mas este programa de aceleração é português?

Miguel, é assim meio meio. Na verdade, aqui o farol está a ser impulsionado por uma colaboração ibérica. Do lado de Portugal está a organização Partnerships for Humanity e do lado da nossa vizinha Espanha está a Fundação Espanhola para os Direitos Humanos. No fundo, o que ambas pretendem é usar a inovação como uma eventual resposta a vários tipos de questões que envolvam os direitos humanos. Neste caso, estão centradas na questão do abuso laboral, das situações de pobreza que daí advêm. E este projeto, este farol, é, na verdade, um projeto que integra o pacto global da ONU, portanto, também tem aqui o carimbo das Nações Unidas e conta também com o apoio de outras organizações internacionais, como a Fundação Thomson Reuters, que atua também como parceiro legal, e também da comunidade Parley for the Ocean, que tem sede em Nova York, portanto, também tem aqui este cunho internacional e global. E por cá, o programa conta também com o apoio da consultora BTI e do governo português, que através da iniciativa Portugal Inovação Social, ajuda a financiar este programa por sua vez, do Fundo Social Europeu, portanto, tem aqui, sim, um grande carimbo português.

Mas como é que daqui se tenta mitigar a escravatura moderna, Ana?

Isso mesmo, Ana Filipa. Bom, então aqui a ideia do programa, como já tinha dito, é precisamente a de ajudar este tipo de negócios de soluções a acelerar. Portanto, a crescer, a criar mais rápido o seu impacto. Para isso, estas organizações estão agora à procura de 15 startups tecnológicas que estejam em fase pré-lançamento do seu produto, que é uma fase muito inicial, ou uma fase inicial um pouquinho mais avançada, mas que estejam ainda aqui nesta fase e que tenham isto como objetivo. Mitigar a escravatura moderna, e não têm de ser apenas startups. A este programa podem concorrer também projetos de organizações não governamentais e outras organizações. Aqui o que interessa é que seja qual for a origem destas soluções, elas têm a trabalhar em tecnologias, têm que estar a pensar em criar, a tentar desenvolver tecnologias que contribuam para este objetivo. E aqui por tecnologias temos várias capazes de ajudar a rastrear esta cadeia da produção dos bens de consumo, desde a blockchain, que é o protocolo de base que está, por exemplo, ligado à transação com criptomoedas, a inteligência artificial, o machine learning, o processamento da linguagem, o reconhecimento de imagem, aqui o big data ou a geolocalização. Enfim, são vários tipos de tecnologia que podem aqui atuar em diversas vertentes, em diversas fases deste processo. Mas bom, selecionadas estas 15 startups, 15 projetos, 15 ideias, o próximo passo é participar neste programa durante seis meses, com o objetivo de ajudar a criar este tipo de solução tecnológica. Portanto, no fundo, aqui o que interessa é que estas ideias que ainda estão aqui numa fase muito embrionária, depois sejam aceleradas rapidamente para mais rapidamente criarem impacto.

Sendo, Ana, que parece um bocado estranho estarmos em junho de 2021 a dizer que é preciso encontrar soluções que ajudem a acabar com o trabalho forçado e com conceitos como o da escravatura moderna, não é?

É mesmo, Miguel, a verdade é que é um pouco estranho, mas é muito necessário. Segundo alguns dados da Organização Internacional do Trabalho, as estimativas apontam para que existam atualmente cerca de 40,3 milhões de pessoas. Mais de 40 milhões de pessoas a viver sob alguma forma de escravatura no mundo. E portanto, sim, isto acontece e isto é urgente, e daí a importância deste tipo de programas. Bom, a nível global, mais de metade, isto segundo os tais dados da Organização Internacional do Trabalho, mais de metade encontra-se em trabalho forçado. E o que isso significa? Significa Que estas pessoas estão a trabalhar contra a sua vontade e sob intimidação ou coerção. Desta grande fatia, as mulheres e raparigas representam 71% de todas as vítimas da escravatura moderna e cerca de 10 milhões são crianças. Portanto, números alarmantes, números urgentes e obviamente que tudo isto é ilegal. É ilegal e precisamente por ser ilegal, é uma prática bastante escondida e difícil de detetar. Daí a necessidade de criar estas soluções tecnológicas que permitam tornar todos os processos de produção mais transparentes para o consumidor, até para que o próprio consumidor possa fazer as suas escolhas mais alinhadas e sabendo aquilo que está a comprar, de onde vem, por onde passa. E para isso é preciso este tipo de soluções tecnológicas, que estejam presentes nas tais diversas fases da cadeia de produção. E aqui podemos ter vários exemplos. Podemos ir à agricultura, à mineração, à pesca, às linhas de montagem, à construção, ao processamento de alimentos, manufatura. Tudo isto entra aqui nestes conceitos e nesta batalha para tentar mitigar e baixar estes números, idealmente até acabar com eles, erradicá-los.

E portanto, é preciso escolher essas 15 startups. É um concurso, portanto, há aqui um prazo, não é, Ana?

Exatamente. Os projetos que querem concorrer a este programa podem fazê-lo até 31 de agosto, Ana Filipa. E depois aqueles que forem selecionados, os tais 15, terão acesso a seis meses de aceleração, que incluem mentorias, diversas conferências com diversos especialistas nesta área. Aqui a organização que está por trás deste farol, que é a tal Partnership for Humanity, ela tem sede no Porto e foi criada precisamente para desenvolver ações que cumpram com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas e promovendo também a colaboração com o governo português. E a programação deste programa de aceleração acabou também por contar com o apoio da consultora portuguesa BTI, que já tem uma longa história de programação de aceleração de startups. E sim, portanto, aqui serão estes tais seis meses para tentar acelerar estes negócios ou estas ideias o mais breve possível.

E sobre isto vais falar também na newsletter de startups.

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Precisamente, o correio eletrónico. Gosto muito desta expressão. Portanto, se ainda não assina.

É old school, não é? Agora fui um pouco vintage, quase.

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Até para a semana, adeus.

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