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Força da técnica, Gabriel. A Espanha ganha bem. É um campeão muito merecido, de fato. Depois desta final, já aqui teve a oportunidade de dissecar tudo aquilo que foi realmente esta hora e meia de futebol. Olhando e fazendo um balanço, agora um bocadinho mais em pormenor daquilo que foi, sobretudo o Campeonato Europeu na vertente desportiva espanhola. Se há campeão merecido é realmente a Espanha.

Sim, é a Espanha. É o melhor futebol, a que divertiu mais, entreteve mais. Aquela que, inclusivamente, até pelos resultados e os gols que marcou, as vitórias, a sequência, a forma como se colocou em campo. Aquela filosofia simples do futebol, portanto, vertical, de ataque, fazendo aquela simbiose entre meninos, garotos e futebolistas mais experimentados, mais experientes, já mais maduros. Portanto, toda uma equipa bem organizada, bem ordenada com o professor, que é o treinador. Faz lembrar o professor que diga: "Meninos, divirtam-se, brinquem, mas as ordens são estas". E não com aquela trigonometria tática com que apareceram aqui muitas equipas cheias de bons valores, mas uns a fazer experiências, que foi o caso da portuguesa. Dar experiências para um campeonato da Europa. Vão-se fazer experiências de táticas e táticas e outras, como a França, que tem jogadores fabulosos. Esta própria Inglaterra que acaba por chegar aqui à final, que também tem azo para ter outro tipo de futebol, outra dimensão do futebol. Portanto, a Espanha é, de facto, aquela equipa que acabou por agradar ao mundo, porque é a equipa com futebol. Sex appeal.

É uma equipa espanhola que, na realidade, tem esse sex appeal. É confrangedor. E o Gabriel já tocou aqui numa série de seleções, nomeadamente a portuguesa. A portuguesa, a francesa, com muita qualidade.

E a Itália também. Embora a Itália...

A Itália é a grande decepção, de facto.

É uma decepção enorme. Mas a França também é decepção. É decepcionante.

Este tipo de técnico, de treinador castra muito o jogador.

Eu compreendo que os jogadores vêm dos clubes muito programados, mas esse programar tem que ser desprogramado na seleção.

Espanhóis também.

Eles também estão. Exatamente. Os jogadores estão no Manchester City. Grande parte estão a jogar em Espanha, que esta é a verdade, mas têm todos ali o seu modelo, portanto, estão modelados. E aqui são modelados para uma tipologia de futebol diferente aquela que têm nos seus clubes. E esta, de facto, é a grande novidade e portanto, merecendo contudo este título conquistado, que eu acho que fica muito bem e que alegrou, porque foi a melhor equipa.

A Espanha tem aqui uma geração para durar. A grande questão é esta.

Tem uma geração pra durar e tem mais jogadores. Falava há pouco, o Alex Baena. O Alex Baena é um grande jogador, nem sequer jogou numa das partidas. Mas o Alex Baena é um jogador fabuloso. Atenção! Depois temos o Gavi, que está magoado, o Pedri que começou, mas não conseguiu, portanto, acabou por se magoar no jogo com a Alemanha. Portanto, há toda uma gama de futebolistas de grande gabarito e que obviamente dão à Espanha aquilo que se diz sumo para solidez.

Melhor jogador do torneio, Rodri, foi de facto nuclear.

É um grande jogador, é o tal patrão, é o tal pai. O tal jogador que sabe ver, sabe delinehar. E depois há os garotos, são uns mais jovens, há outros menos jovens. E depois há as apostas que os treinadores fazem. Portanto, aquela aposta no Cucurella é uma aposta fantástica, quando todos julgavam que era o Grimaldo que ia jogar. Grandes jogadores.

E uma grande temporada.

Uma grande temporada. Só que Cucurella aqui, neste projeto, era o jogador indicado. Respondeu com alto rendimento. Ponto, parágrafo.

Cucurella foi lateral Grimaldo.

E a verdade é que Cucurella ainda no campeonato anterior era um jogador como em Londres, em Inglaterra. Por que se paga tanto por este jogador?

Era um mal amado.

Olha, meus senhores, paga-se tanto por isto.

Entretanto, Yamal já aqui falamos, foi também considerado, de facto, o melhor jogador jovem. Se lhe atribuíssem o título, e eu assinava logo ali por baixo, o jogador do torneio era também muito bem entregue.

Era.

Eu creio que ele vai ter tempo de ganhar muitos troféus.

Sim, mas há muitos jovens aqui. Eu quero falar aqui em alguns, posso falar. Olhe, falamos da Itália, mas o Fiori, que é um defesa de 22 anos, é um excelente futebolista. Hoje que vimos aqui o Guehi, o central de 23 anos da equipe inglesa. É um excelente futebolista. O Mamardashvili, que tem 30 defesas em quatro jogos, o guarda-redes georgiano é um guarda-redes de grande qualidade. Falo do próprio nosso Diogo Costa, que fica também com a marca das três grandes penalidades defendidas e é um grande guarda-redes. O turco Arda Güler. Mas que futebolista que está ali! Um menino, também ele 19 anos de idade. Portanto, noutros campeonatos temos que dizer, Modrić foi quem apareceu. Eu estou me a lembrar do Achrafini, estou me a lembrar do Nedved, estou me a lembrar do Maldini, estou me a lembrar do Poborsky. Foram todos jogadores que apareceram e que arrebentaram, no bom sentido da palavra, nestes campeonatos. E mesmo no próprio outro anterior campeonato, tivemos um Patrik Schick que apareceu. Enfim, depois não deu tanto como se pensava. Temos o Chiesa, que também foi um jogador que apareceu no campeonato anterior. E estava me a recordar aqui daquele menino de 19 anos que no Euro 2016 deu cartas chamado Renato Sanches. E desapareceu, infelizmente.

Infelizmente, mas aí talvez um erro também de carreira, mas isso era outra história.

Não vale a pena irmos agora aqui.

Exatamente.

Mas que foi, de facto, um menino que apareceu e que deu grande expressão. Portanto, estes campeonatos trazem à luz grandes jogadores. Nós estamos a falar do Yamal, mas temos que falar também do Nico e obviamente Deste Zubimendi que jogou pouco, mas que é um futebolista de alto gabarito.

O Campeonato Europeu é a pergunta final. O Campeonato da Europa, agora com mais equipas, temeu-se sempre que o alargamento, a forma mais democrática como as equipas podem chegar a uma fase final do Campeonato Europeu e, obviamente, também ao Campeonato do Mundo, pudesse diminuir a qualidade. Ora, aquilo que se viu, não sei se concordas, é uma Albânia.

A Albânia foi um prazer vê-la.

A diferença já não é tão grande.

É uma diáspora. Os albaneses foram à diáspora buscar os seus futebolistas. Desde que tenham uma ligação, têm passaporte, e é evidente que está a haver um trabalho. E ela apareceu e foi muito agradável. Cheios de vontade, cheios de dinâmica, cheios de prazer. Eles sendo de diáspora, nascidos aqui e ali, acolá, não vamos agora estar aqui a definir isto, com amor à camisola, ao jersey que tinham no corpo. E a verdade é que foi uma equipa muito agradável e que deu nota. Temos a Eslovénia, que bem que a Eslovénia, muito bem. A Eslováquia também foi muito agradável vê-la.

Confirmação da Suíça.

Confirmação da Suíça, mas a Suíça é uma confirmação, mas precisa também, tendo talento, porque tem lá o Xhaka, tem lá uma série de jogadores, mas pode dar um passo mais à frente. A Áustria, que já dissemos. Foram seleções, eu diria, aquelas menos dimensionadas foram aquelas que acabaram por agradar mais. Não ganhando, etc., mas mostraram futebol, mostraram vontade. A Geórgia, a vontade com que eles se aplicaram. Depois temos a deceção que é a França, que é a Itália, na minha perspetiva, Portugal. Portugal está dentro dos parâmetros da deceção. A Alemanha, talvez se esperasse mais. Merino acabou por não lhe dar a hipótese de ter um prolongamento, e esta Espanha. Mas a verdade é que a Alemanha não foi deceção. A Alemanha vê-se tal de um projeto para já a seguir continuar e crescer.

França, deceção?

Completamente dececionante. E depois há aqui alguns jogadores que também foram deceção. Eu estou a ver aqui Livaković, da Croácia. Enfim, a defesa croata foi má, mas ele sete gols em três jogos. Depois o Di Lorenzo, o grande lateral direito italiano, desapareceu completamente. Nico Williams fez dele o que quis, por exemplo, é um elemento. Mancini, da Itália, também era uma esperança, mas acabou por ser muito fraco. Duas faltas, eu diria quatro recuperações, três duelos ganhos, é muito pouco para um futebolista. Christensen, da Dinamarca, que era um futebolista que vinha, um jogador muito bom. Muito pouco para ele nos quatro jogos. Zinchenko, da Ucrânia, também foi um jogador que já não esteve bem no Arsenal durante a temporada. Outra deceção foi Savić. Muito pouco. E depois temos aqui o fundamental jogador húngaro, o Szoboszlai.

Exatamente.

Teve uma época iô-iô no Liverpool, ora ali, ora cima, ora baixo. No Euro, zero gols, uma assistência, enfim, de uma grande pobreza. Vlahović, da Sérvia, também. Outra tristeza, dois remates, zero gols. Lukaku. Viram?

Foi uma desgraça.

Desgraça. E temos que pôr aqui nas decepções Ronaldo.

Está entregue a força da técnica.

Ainda não, porque eu quero ficar aqui.

Ainda há uma nota final.

Eu quero aqui uma nota final, porque eu acho que é extremamente importante, porque o futebol tem coisas de muito bom, tem coisas menos boas, tem coisas assim, assim, como em tudo na vida, em termos sociais. Mas eu acho que quero dizer que este futebol tem sido, e estes campeonatos mostram de uma forma bem vincada, que é o evocar o desporto na promoção da diversidade e coesão social. E isto é muito importante, tendo os valores do desporto como respeito mútuo, solidariedade e integridade no centro daquela que é a sua missão. Lançou uma campanha, o Onement, a UNOC, Aliança de Civilizações das Nações Unidas, uma campanha que reúne intervenientes do futebol, clubes, ligas, federações, luta contra a discriminação, xenofobia e conflitos de identidade. Valores que foram destacados neste Euro 2024. É um campeonato que tem, nesse setor, as suas vitórias, que são muito importantes. Este Euro conquistado pela Espanha deu também à África um bom título de campeão. Eu quero só aqui focar. Vejam, a Inglaterra, na Alemanha, com seis jogadores de ascendência africana. Os Países Bascos com quatro futebolistas, aliás, todos eles muito ativos na dinâmica junto das entidades, naquilo que compete à sociabilidade do futebol. Portugal com três jogadores, Danilo, de Guiné, um poliglota, Danilo, atenção. Nuno Mendes, de Angola, e Semedo, do Cabo Verde. A Alemanha com cinco futebolistas. Rudiger, estou aqui a lembrar, Musiala. Rudiger da Serra Leoa, Musiala da Nigéria, Taha da Costa do Marfim. Sané do Senegal, Henriques do Gana. Suíça, oito futebolistas, atenção. Destaco só aqui o Akanji da Nigéria, o Zakaria da República Democrática do Congo, Emboló dos Camarões. Depois, estes laços históricos fortalecidos, tendo o futebol no eixo Europa-África. A verdade é que tudo isto, sucesso pode ser alcançado independentemente da etnia ou da origem. O futebol nisto está de parabéns.

Força da técnica com Gabriel Alves, que também disponível através de podcast. Quanto a nós, Gabriel, foi um gosto, um prazer. Vamos voltar exatamente no arranque da próxima temporada ou desta temporada que aí vem.

Até lá.

Até lá. Boas férias.

Obrigado.

Boas férias. Grande abraço.

Até lá. Obrigado.