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A força da técnica e a técnica da força com o Gabriel Alves, como sempre, para analisar aquilo que se passa em cada jogo que transmitimos aqui na Rádio Observador. Neste caso, o Benfica-Bayern de Munique, vitória histórica dos encarnados, 1 x 0. E Gabriel Alves, é um Benfica que elogiamos aqui bastante por esta capacidade de com equipas grandes conseguir bater o pé. O que é que o Benfica tem que nestes jogos com equipas de dimensão maior consegue realmente ser superior, mas que muitas vezes em equipas de menor dimensão parece que a coisa fica mais difícil?
Eu chamei a atenção na antevisão do jogo que o treinador do Bayern tinha dito: "Somos o Bayern, absolutamente impossível entrarmos em campo para não vencer." E eu na altura disse: "O Benfica é completamente impossível, dado o nome e dada a marca que é, é completamente impossível entrar em campo para não vencer, porque tem que entrar em campo para vencer." Pronto, e o Benfica entrou para campo para vencer. E é verdade que o Benfica foi uma equipa de alta competitividade nos 90 minutos, mais os tempos de compensação, que obviamente existem nos jogos, sempre à altura daquilo que são os seus pergaminhos e que são as necessidades ou os acontecimentos. Agora, a verdade é que esta equipa do Bayern, e há que reportá-lo aqui, tem uma primeira parte em que deu a primeira parte. Deu neste sentido, porque não competiu ao nível daquilo que o treinador disse que ia fazer. E o Benfica não. O Benfica entrou e encarou o jogo com toda a seriedade, com toda a capacidade, com toda a competitividade e marca um gol. Marca um gol e depois sabe administrar, sabe gerir. Portanto, essa vantagem que adquiriu num lance de futebol muito bonito, bem visado, bem delineado, com Di María por o jogo interior, Aursnes ao jogo exterior, Pavlídis a mexer-se muito bem na área para que Sheldon pudesse surgir para o remate final. Mas antes disso, já Di María tinha colocado Neuer naquilo que é um grande guarda-redes, a chamar a atenção, porque o Neuer tinha feito uma defesa a impedir que a bola chegasse ao fundo da sua malha. E o Benfica, na primeira parte, tem três remates enquadrados, uma lá dentro, uma grande defesa de Neuer e um remate que Neuer defendeu com facilidade, que de facto foi um remate frontal, mas sem aquela dificuldade que foi o primeiro remate de Di María. É um remate defendido na raiva.
Lembrou os velhos tempos de Neuer. Terá havido algum excesso de confiança, na tua opinião, por parte do Bayern de Munique no início do jogo?
Não foi competitivo, porque foi uma equipa lenta, pastosa, sem profundidade às aulas. E o Benfica soube muito bem colocar-se, controlar essa situação, controlar a posse de bola, posicionar-se muito bem nos movimentos e nos espaços, com Di María cheio de pujança, controlando muito bem a situação. O Renato Sanches bem sobre a posição de boxe to boxe, chamamos assim, entre o seis e um oito, e Pavlídis sempre em excelentes movimentos. Na segunda parte, as coisas são um bocadinho diversas, porque obviamente que o treinador do Bayern percebeu que tinha que meter mais carga positiva e fez entrar o Kimmich, o Olise e o Kane, e obviamente que isto trouxe outro Bayern. Trouxe outra velocidade, trouxe outra dimensão, trouxe outra profundidade, trouxe outra movimentação de bola, de circulação de bola muito mais rápida, a bola a girar e a gizar com muito mais velocidade. E o Benfica sentiu, face à equipa orientada por Kompany, sentiu alguma dificuldade em controlar tudo isto. E aí surge Trubin. Trubin faz três, quatro defesas fabulosas em que vence os mano a mano, vence dois mano a mano, e isso é fundamental para que a equipa depois tenha uma grande confiança. E depois temos aqui uma outra situação, com dois centrais à altura, com Otamendi a comandar, a mandar, e António Silva a responder daquilo que é a articulação com o seu capitão no eixo da defesa de forma impecável. Sempre muito bem nas alturas, sempre muito bem na luta corpo a corpo, sempre muito bem a aparecer na zona que era necessária para contornar, para ser objeção ao jogador do Bayern de Munique. Portanto, um trio muito bom, em que o próprio Otamendi chama a atenção que é preciso mais alguém, porque Olise faz um trabalho fantástico sobre a sua asa direita, é um jogador fabuloso, e era necessário. E então aí a laje de Bruno Lage veio ao de cima e fechou autenticamente a porta à equipa do Bayern. Portanto, é um Benfica que ganha muito bem este jogo, merece-o por completo. Quanto ao Bayern, tem que se lhe dizer: "Ó Bayern, os jogos têm 90 minutos." Ao Benfica não lhe é preciso dizer. O Benfica soube que o jogo tinha 90 minutos e jogou os 90 minutos.
Gabriel, para fecharmos a nossa conversa, o que é que foi, como habitual, para ti, o momento ou o jogador que foi, no fundo, incorporar esta força da técnica de hoje?
Temos um lance que eu dou o lance do gol como um lance fantástico.
É um grande gol.
É um grande gol por toda a movimentação, a forma técnica e tática como o lance é desenhado. E dou a Di María, não só pela forma como ele abre para Aursnes aparecer, como inclusivamente chama a atenção para aquele remate de Di María que o Neuer defende. Evita o primeiro com esse remate. Eu não quero deixar de dizer que Di María, e tem sido altamente chamado a atenção na imprensa internacional como o gás do Benfica. Esteve muito bem, 100% em forma. Ele mostra que está em forma. Não tem aquela capacidade física que tinha, obviamente, nos seus 37 anos. Dezoito gols, 10 assistências na temporada, um recorde pessoal dele no Benfica. Ele tem 50 gols nas duas passagens pelo Benfica. Está no top dos 10 artilheiros da Argentina e em terceiro em jogos disputados atrás de Lionel Messi e Marcos Acuña. Hoje Di María, frente ao Bayern de Munique, deu uma vez mais nota da sua qualidade, da sua capacidade, numa altura em que isto é o adeus ao Benfica. E eu volto a dizer aquilo que já disse por diversas vezes: Di María começou na Europa numa instituição de alto gabarito em Portugal chamada Sport Lisboa e Benfica. Foi aqui que ele apareceu para a fama. E despede-se, antes de voltar à sua terra, ao sítio onde tudo começou, despede-se da Europa também nessa grande marca, nessa grande instituição chamada Sport Lisboa e Benfica.
Algo que nem todos conseguiram fazer.
E eu acho que os adeptos do Benfica, sócios, adeptos, o mundo, o povo Benfica, só tem que estar feliz, só tem que aplaudir e só tem que homenagear. Porque, de facto, nós, o futebol português na generalidade, também temos que fazer uma menção muito honrosa ao jogador argentino por toda esta capacidade. Uma vez mais, deu essa nota. Do outro lado, o Olise fez, de facto...
O momento força da técnica? A técnica da força?
A força da técnica do Olise é fabulosa, mas tem passes magníficos. Na técnica da força, eu direi que não vou julgar ninguém, mas posso dizer, na força da tática, a tática implementada com propriedade, com objetividade por Bruno Lage, resultou completamente hoje no Sport Lisboa e Benfica.
Gabriel Alves, muito obrigado por ter estado conosco.
Só uma nota mais que eu gostaria, não querendo entrar na questão da arbitragem, na questão do nosso auditor.
Pedro Henrique, já o vamos ouvir.
Já vamos ouvir, mas eu não queria deixar de dizer: quem me dera que as arbitragens fossem todas como foi a desta noite.
É, como fomos dizendo, passou despercebido, não quis ser o protagonista.
Não, não quer ser protagonista de nada. Ele quer ser o árbitro do jogo, aplicar as leis do jogo, ponto, parágrafo. Menção honrosa, muito honrosa para isso.
Gabriel Alves, muito obrigado. Estás conosco numa próxima oportunidade. Gabriel Alves com a assinatura de mais um "A Força da Técnica e a Técnica da Força".