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Vamos à força da técnica e a técnica da força aqui na Rádio Observador, como sempre, com o Gabriel Alves. Vamos falar do encontro da Liga dos Campeões, de uma noite épica para o Sporting, que venceu o Bodo/Glimt por 5 x 0. Segue em frente para os quartos-final da Liga dos Campeões. Os Leões entravam para este encontro com uma desvantagem de três gols trazida da Noruega. Gonçalo Inácio, Pedro Gonçalves e Luís Soares tinham uma ideia diferente. Em 90 minutos, marcaram três gols para o Sporting, que levou este encontro para prolongamento. Foi aí que Maxi Araújo, um dos destaques deste jogo, conseguiu fazer o 4 x 0 para o Sporting, um resultado que ditava a reviravolta e colocava o Sporting com um pé e meio nos quartos-final da Liga dos Campeões. Esse segundo pé foi colocado por Rafael Nel, que fez o 5 x 0 e sentenciou a partida. Gabriel Alves, é, sem dúvida, uma noite épica para o Sporting, que segue em frente na Liga dos Campeões, está nos quartos de final. Que notas a retirar, antes de mais, deste encontro que muitos vão demorar a esquecer em Alvalade?

Boa noite. Uma noite épica, uma noite de glória dos Leões em Alvalade, de todos. Uma vitória brilhantíssima do Sporting Clube de Portugal, uma manita, uma remontada como uma manita, aos olhos do mundo que hoje tinha a sua atenção em Alvalade. A plateia do futebol mundial hoje estava sentada a partir das 17h45, hora de Lisboa, a olhar o jogo desta segunda mão dos oitavos-final da Champions 25/26. E isto porque o Sporting trazia uma desvantagem de 3 x 0 da Noruega, conforme sabemos, e o Bodo/Glimt era a equipa sensação. Tinha arrastado toda uma série de adversários, e obviamente que trazendo essa vantagem, até que ponto é que iria, uma vez mais, retirar da prova um clube com outra dimensão, como é o caso do Sporting Clube de Portugal, outra dimensão futebolística e outra dimensão competitiva. Ora bem, disse bem Rui Borges, na sua intervenção, que o Bodo/Glimt não conhecia o melhor Sporting. E o melhor Sporting hoje realmente mostrou. Uma equipa intensa, uma equipa de atitude, uma equipa de velocidade, uma equipa de vontade. Acima de tudo, uma equipa onde aquilo que são os seus melhores jogadores, aquilo que são os jogadores com mais qualidade técnica uns, com mais qualidade física outros, com todo um apanhado de qualidade técnica global e um treinador no banco que soube muito bem mexer. Não só marcar a estratégia do jogo, como soube muito bem mexer atempadamente naquilo que era preciso para que a equipa mantivesse o mesmo ritmo. Obviamente que um futebol largo, tirando partido daquilo que é a velocidade dos seus jogadores à linha e depois com a qualidade do seu futebol interior, desde aquilo que é Trincão, daquilo que é Pote, daquilo que é Suárez, daquilo que marca a diferença da formação na qualidade de posse, na qualidade de troca e, acima de tudo, naquilo que é circulação de bola dentro daquilo que é o último terço. Foi um Sporting forte que falhou nos primeiros 12 minutos, eu diria, na primeira fase, quando tudo parecia que poderia levar a um gol muito cedo, falhou quatro oportunidades flagrantes de gol nos primeiros 12 minutos. Era milagre a equipa do Bodo/Glimt não estar à frente.

Em 10 minutos, o Sporting podia mesmo ter logo empatado o marcador. Como é que se explica essa entrada tão forte?

Ou ter pelo menos marcado um ou dois, que levaria a equipa a uma dimensão, provavelmente até a evitar aquilo que foi o prolongamento.

Esperavas essa entrada tão forte por parte do Sporting? Acredito que sim, mas com tanta capacidade de criar perigo.

Sim, porque a equipa do Sporting criou perigo e encostou autenticamente o Bodo/Glimt. Não lhe deu espaço, não lhe deu ar para respirar. Esta é que é a verdade. E foi o guarda-redes também, no meio disso tudo, da equipa norueguesa, que se sobressaiu. Aos 12 minutos, o Sporting podia ter o assunto ou resolvido ou meio resolvido. Na verdade, teve que ser através de um lance de bola parada que Inácio acabou por abrir o marcador, e bem, para o Sporting, dando naturalmente cor, de alguma maneira, uma cor curta ainda, mas aquilo que era o melhor jogo e o melhor futebol, digamos, a dimensão.

E depois vieram as vitaminas.

É verdade. Mas a segunda parte, noto que há ali um momento em que a equipa do Bodo/Glimt parece que quer ter, e teve, mais bola, subiu o bloco, criou outro tipo de dificuldades ocupando outros espaços, fez outro tipo de marcações com essa ocupação de espaço diverso. E depois há o momento, este, que é o momento que é aquela jogada do Catamo que desmarca. É uma jogada extremamente interessante, que obviamente leva a que o Sporting mude tudo aquilo que tinha. Porque aquela jogada do Suárez a colocar a bola para o Pote, a fazer o 2 x 0, muito bem o Suárez, toda a linha de jogada mudou. O Sporting, de facto, teve a tal vitamina.

Eu só estou a citar Gabriel Alves.

Exatamente. Não é a tal vitamina. Eu diria uma vitamina-chuva, porque entretanto chovia em Alvalade, e não chovia pouco. Esta é a verdade Chega-se ao 3 x 0, à igualdade do marcador, porque o Sporting tomou uma dimensão, voltou àquilo que foi a primeira meia hora.

Gabriel Alves, consegues imaginar a pressão sobre o Luís Suárez naquele momento, em que está a 11 metros de o golo que empata esta eliminatória?

Consigo, um grande jogador e ele bateu com força da técnica perfeita. Tranquilo, sereno, um jogador de alto gabarito que é Luís Suárez, um ponta de lança que morde e sabe morder, e muito bem na assistência que faz para o Pote. Muito bem o seu sentido associativo de jogo. A partir daqui, a verdade é que ficou tudo tratado por um prolongamento. Muito bem, e é isto que eu quero dar nota, quando foi necessário mexer, lá está, há um treinador que mexe bem, a entrada de Debast.

Mexeu bem, o Roberto.

Muito bem. Debast é uma entrada excelente. Pela qualidade tática, técnica, um jogador que sabe estar no campo, sabe colocar-se nos diversos espaços, tem meia distância, sabe controlar a posse de bola, sabe colocar-se, sabe posicionar-se aqui, ali, mais adiante, mais atrás. Sabe muito bem quais são os ritmos. E depois a entrada também do Nuno Santos, que é, eu diria, garra leonina, mas garra leonina com saber e que vai crescendo depois da sua grave lesão. E temos a entrada de Daniel Bragança. Não se dá por ele, mas é a finura da técnica, um jogador fino, inteligente, pormenores de técnica, pormenores de tática, qualidade.

Está a crescer bastante Daniel Bragança enquanto jogador.

Vai ser. É um senhor.

Ao ponto de Roberto Martínez estar atento?

Eu acho que ele estava em Alvalade e não deixou de ver. Ele estava lá, nós vimos. Roberto Martínez é um bom treinador e é um bom selecionador. Não se despreza Roberto Martínez. Portanto, segue-se o intervalo para o prolongamento. E no prolongamento, muito cedo, o Sporting marcou. Para mim, o melhor jogador em campo, que é o Araujo, marcou o golo. Para mim é uma jogada maravilhosa.

E muito insistiu Maxi Araujo neste encontro.

Muito. Foi para mim o melhor jogador em tudo. É ele que dá dinâmica de profundidade, de verticalidade, técnica, qualidade de um para um, qualidade de passe, sentido de jogo adiante, o sentido de passe, o bom passe. Muito bem. E depois aquela alma, aquela atitude que obviamente também à boa maneira sul-americana tem e que soube trazer adentro do relvado. Portanto, é uma grande vitória do Sporting, que termina da melhor forma, com um garoto a marcar um golo, a fazer o 5 x 0, a fazer a manita, que será inesquecível. Portanto, isto tudo mostra um belo Sporting, uma bela noite do Sporting Clube Portugal, uma bela noite para o futebol português, representado pelo Sporting e obviamente que se dá os parabéns à equipa leonina. Mas aqui há algumas coisas que eu gostaria de focar. Gostaria de focar na força da técnica, da atitude, Araujo.

Era precisamente por aí que eu ia. Quem teve a força da técnica, Gabriel Alves?

Eu dou a força da técnica ao Araujo, porque foi tudo. Foi a força da técnica, a força da atitude, a força do sentido tático do que é o jogo, daquilo que era a estratégia. Força da técnica também para Suárez, não só naquilo que é a assistência, mas acima de tudo, da forma como converteu a grande penalidade. Quero dar a técnica da força ao Hjulmand e também conjuntamente com a técnica da liderança. Hjulmand foi muito importante. Ele manda dentro do campo. É bom que ele fale menos com o árbitro e jogue mais concentrado, mais disciplinado. Acho que ia muito bem, porque de facto é um grande jogador e vai fazer uma falta enorme ao Sporting.

Viu o cartão amarelo, fica de fora.

Vai ser um vazio para o Sporting. Uma palavra muito forte também para Hjulmand, o capitão da equipa leonina. Quero dar a força daquilo que é a equipa, a força de equipa, o conjunto, o coletivo, porque é na tática da intensidade que eles souberam todos distribuir ao mesmo nível por todos eles. E agora vou dar aqui a técnica da força do 12º jogador, dos adeptos. Fundamental, foi impecável. Merecem esta alegria, porque eles ajudaram a esta manita, a esta remontada, a esta qualificação. Sentem neste momento uma alegria enorme e estão naturalmente todos eles a curtir. Portanto, técnica da força do 12º jogador é muito importante e Alvalade hoje foi um bom exemplo. E para terminar, a técnica da tática do treinador, da estratégia, daquilo que é um treinador que sabe o que pretende, que sabe estar com os seus jogadores, que tem a força da humanidade e que ser líder não é preciso ter nariz empinado. Parabéns, Rúben Amorim. Parabéns, Sporting.

Está feita a força da técnica e a técnica da força. Com Gabriel Alves estivemos a falar do Sporting Bodø/Glimt, uma noite épica para os Leões que venceram por 5 x 0 e estão nos quartos-final da Liga dos Campeões.