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A força da técnica depois de uma primeira mão de playoff da Liga dos Campeões, de acesso aos oitavos de final, em que o Benfica recebeu em casa a equipe do Real Madrid. Não repetiu a dose de há três semanas, Gabriel, depois dessa vitória épica com um gol no final de Trubin, mas acabou por fazer até um bom jogo, sobretudo no início. Perdeu por 1 x 0, mas sai vivo desta primeira eliminatória.

Sim, sai com uma diferença mínima para o jogo da segunda mão. Eu dou três fases ao jogo. Uma primeira em que o Benfica entra bem na partida. Surpreende, de alguma forma, a equipe do Real Madrid, que levou uns minutos, eu diria cerca de 10 minutos, a perceber. Real Madrid que controlou depois. Controlou, fez um jogo pausado, fez um jogo de controle de posse de bola, onde a força da técnica dos seus jogadores veio à flor da relva. Há um momento em que o Rafa é assistido e a partir dessa altura, para a parte final dos primeiros 45 minutos, temos uma segunda fase, que é a fase em que o Real Madrid deixou de ser uma equipe com um futebol pausado para passar a ser uma equipe com futebol frenético. Isto é, a pôr à prova aquilo que era o sistema defensivo do Benfica e, acima de tudo, Trubin, que respondeu de forma altamente positiva. Muito bem Trubin e o guarda-redes à altura das circunstâncias para manter a sua baliza a zero, ao ponto de o Benfica ter necessidade do intervalo para naturalmente respirar, receber indicações e parar alguma exaustão, inclusivamente da parte mental, que não estava a funcionar face ao assédio e ao aperto, ao cerco do Real Madrid. A segunda parte começa dentro daquilo que é o mesmo-

O registo do fim da primeira

... da primeira parte, com um gol, que é de fato um monumento ao futebol, que é um gol de Vinicius Junior. É um monumento ao futebol. Eu costumo dizer: é disto que o povo gosta verdadeiramente. É deste tipo de gols que todos os povos que gostam de futebol querem.

E este povo brasileiro, em tempos de carnaval, estas celebrações acabam por ser naturais e foi mesmo um grande gol de Vini Jr. Mas eu queria perguntar, Gabriel, se é da opinião de que o festejo foi excessivo.

Agora a questão é outra, a do festejo. Como disse, eu estou de acordo com o Mourinho, quando se faz um gol daqueles, é um festejo global. Não vamos pôr uma linha estando no estádio adversário, fazer o que o Vinicius fez. E se o Vinicius tem 20 ou distinção pelo gol que marcou, que é fabuloso, depois tem nota má, por aquilo que faz a seguir. Porque é assim, marcar um gol daqueles, fabuloso, não lhe dá o direito de ultrapassar as regras daquilo que são a ordem social ou sociodesportiva dos atletas e dos profissionais de futebol. Depois há a questão, e a verdade é esta, se houve ou não de Prestianni uma situação em que andou pelo racismo, eu estou a dizer andou, porque não estou lá, não vi.

Sim, temos que dizer todos alegadamente até ao final. E será provavelmente a palavra de um contra o outro.

Exatamente. E disso, naturalmente, o Pedro Henriques dará a sua explicação concreta, esmiuçada, em sede própria. A verdade é que se perdeu 10, 12 minutos, perdeu-se o jogo e daí para frente não houve jogo. O Real Madrid controlou aquilo que se pode dizer a sua vantagem de 1 x 0 e o Benfica perdeu-se completamente. Em tudo o que era esclarecimento, estratégia, em que o próprio Mourinho, também na minha opinião, deixou-se levar pela impulsão. Ele disse na entrevista rápida o que disse ao árbitro. É aquilo que ele sentiu, é aquilo que se começa a sentir de alguma forma, porque este árbitro até estava bem, estava correto, e depois quando as coisas passaram a um determinado ponto, também ele se resguardou. Mas eu deixo isso da arbitragem para o Pedro Henriques, naturalmente, que, como se costuma dizer, sem papas na língua, vai pô-las todas cá fora. Falando do jogo. Um Benfica que perde o meio-campo e que não o recupera, perdeu completamente, e que a partir do momento em que isso aconteceu, o Real Madrid controlou. Se fosse um jogo que era preciso matar, o Real Madrid tinha ganho por mais. Esta é a minha sensação. E o Benfica não teve unidade.

Fica também essa ideia de que a partir do gol e a partir do calor que o estádio foi tomando, que o Real Madrid também teve o discernimento de ir gerindo a situação.

Sim, completamente. Vence bem, é melhor, tem um resultado justo e o Benfica tem uma atitude em campo que poderemos dizer de brio, de profissional, de intensidade até onde pode, com os jogadores de que dispõe, até com uma equipe focando esta vertente. Mas a verdade é que com as unidades, com a técnica, os tecnicistas que a equipe do Real Madrid tem, obviamente que acabou por ser a equipe melhor e naturalmente nada a dizer. E pronto. A verdade é esta: o Benfica não faz um remate à baliza na segunda parte. Esta é que é a verdade.

Em contraste com aqueles primeiros 10 minutos iniciais que até faziam parecer que iríamos ter um Benfica de monta, semelhante àquele que há três semanas venceu por 4 a 2, que recordo que foi um Benfica até bastante dominante.

Se entra um golo.

Mudava a tônica da coisa.

Mas é o se. E o se é que diz que não entrou. Portanto, isso é que é o facto. E o Real Madrid acertou as marcações, vamos falar assim rápido, básico, e pôs o seu jogo em plano. E a partir daí foi controlando. E como disse, quando há a paragem de dois, três minutos para assistir o Rafa, é um Real Madrid que sai dessa paragem de assistência ao jogador português com uma dimensão completamente diferente. A bola passou a ser passe intenso, passe rápido, desmarcação rápida, com e sem bola. Jogadores a aparecer e a criarem outro tipo de vertente à defesa do Benfica, com o Turbina, nessa altura, em grande destaque. Não esquecendo que a outros, obviamente, deu a primeira grande defesa do desafio a Courtois. Esta é que é a verdade. Órtons, ao sair, obviamente que o Benfica, mas Órtons vinha de uma lesão. E Órtons a sair, o Benfica caiu no meio-campo também, porque é de facto um jogador de grande exceção.

É o coordenador.

É líder. Não fala muito, não esbraceja. Se calhar fala pouco e não fala alto.

Ou fala com os pés.

Exatamente. E fala também, os jogadores respeitam aquilo que ele possa dizer e dar como indicação para as nuances do jogo. E era assim com Roger Schmidt, foi assim com Lage e continua a ser assim com Jorge Jesus.

Provavelmente todos os treinadores dirão que é aquele que todos os treinadores gostam de ter.

É um jogador chave. Isso é que é importante.

Tivemos titularidade para Rafa que precisava não ter compreendo.

Mas muito bem de Tchouaméni. Tchouaméni tinha as ordens dadas pelo seu treinador de não dar um espaço a Rafa, e Rafa não se conseguiu libertar disso. Rafa, na minha opinião, esteve tempo a mais no jogo.

E tivemos, de outro lado, talvez uma nota muito positiva para Tomás Araújo, que hoje entre ações defensivas e rigor posicional.

Sim, muito bem Tomás Araújo. Jogar é uma excelente defesa. Não tem nada a ver com António Silva. Tomás Araújo é um jogador que sabe ocupar os espaços, sabe onde está. Tem aquilo que se chama qualidade tática, qualidade técnica, tempo de entrar, rapidez de execução, rapidez de reposição. E estando ao lado de um grande senhor, Otamendi. A dupla de centrais do Benfica em grande altura. Não é por aí que se pode dizer que o Benfica teve... antes pelo contrário, o Benfica travou o Real Madrid com dois grandes centrais.

E alguém vai merecer o epíteto força da técnica hoje, Gabriel?

Completamente, tem que dar ao Vinícius, porque aquele gol é força da técnica com distinção. Mas eu dou-lhe a distinção nessa força da técnica, mas depois dou-lhe castigo, por todo o comportamento que ele teve a seguir. Quem faz um gol daqueles, não pode ter a atitude que teve a seguir. E também tem que dar, portanto, um mal para o futebol, não é bom para aquilo que é o negócio do futebol. Isto hoje é muito negócio, mas não pode ser manchado este negócio, nem a satisfação do jogo, a emoção, a paixão por situações sociais que não têm cabimento em nenhuma vertente da vida, nem aqui. Portanto, questões de racismo nunca. Ponto. Nunca, jamais.

Gabriel Alves, “A Força da Técnica”, Real Madrid, vitória dos Merengues em casa do Benfica por uma bola a zero. Vamos ter segunda mão no dia 25 de fevereiro. Gabriel Alves, um grande abraço.

Um abraço para todos os observadores.