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Noite ingrata para as cores nacionais. Derrota do Benfica no Estádio Bernabéu por 2 a 1. O Benfica, Gabriel, começa bem, marca primeiro por Rafa, mas também não aguenta muito essa vantagem. Dois minutos depois, empate de Tchouaméni e uma partida que depois ainda conseguiu bons momentos na segunda parte pela equipe portuguesa, mas um lance mais rápido de Vini Jr. pela esquerda acaba por deitar por terra as esperanças do Benfica seguirem em frente nesta Liga dos Campeões. Tivemos vários momentos nessa partida, mas muitos deles em que o Benfica parecia capaz de derrotar este Real.
O quase não chega.
Quase.
O quase não chega. Fica: o Benfica incomodou o Bernabéu. O Estádio Bernabéu, incomodou. A vitória do Real Madrid pode se pautar por uma vitória difícil. Do Real Madrid fica a nota: continua a ser uma equipa frágil sob o ponto de vista defensivo e tem em Courtois, Tchouaméni, Valverde e Vini, digamos, a espinha dorsal, que acaba por ser a realidade para esta passagem às oitavas de final. O Benfica organizou-se num ataque programado, enquanto o Real Madrid foi muito mais contra-ataque. E é de contra-ataque que o Real Madrid acaba por marcar os dois gols, o primeiro por Tchouaméni, o segundo por Vinicius. Sempre com a assinatura da assistência por banda do uruguaio Ernesto Valverde. Mas já mostrou uma boa mobilidade ao último terço, o que baralhou a estabilidade ofensiva madrilenha. Diz-se que, na gíria, acertadas as marcações, o Real acabou por segurar mais, porque teve necessidade de quê? De segurar a bola, controlar a bola e obviamente retirar a iniciativa ao adversário. O gol de Rafa permeia essa estratégia montada pelo Benfica, mas o tal contra-ataque de Real Madrid com Tchouaméni acaba por anular. Embora Courtois tivesse, na minha opinião, tido a defesa da noite, ainda na primeira parte, uma defesa colossal, em que o Benfica poderia obviamente ter adiantado outra vez o marcador. Segunda parte, o Benfica oscilou entre aquilo que era uma equipa sem capacidade e a determinada altura mostrou que tinha capacidade e ficou no quase. E o quase, de fato, não nos leva a lado nenhum. E depois há a questão estratégica, que não se percebeu. Alguma coisa haverá ou não, para que não tivesse havido mexidas na equipa ali a partir dos 60 a 65 minutos, quando se sentiu que alguns jogadores estavam em quebra de rendimento, e que era preciso trazer qualquer coisa de novo ao jogo, até em função daquilo que a partida estava a desenvolver. Trazer alguma criatividade, alguma fantasia, mais verticalidade e acima de tudo discura.
E tinham opções no banco, não é?
Claro, existiam essas opções. Não vieram. Naturalmente, o treinador sim, o saberá, mas a verdade é que o quase assim não se desfez. A equipe do Real Madrid acabou por agradecer. Portanto, futebol é o que é, futebol é isto. Naturalmente, para o Real Madrid fica o gaudio, a satisfação de uma passagem às oitavas de final, uma passagem difícil, mas que é um Real Madrid que está muito aquém daquele Real Madrid instituição com tantas Champions. Da minha parte, fica uma nota na força da técnica para Vini, que marca mais uma vez um gol de excelente recorte. E portanto, para ele, pode-se dizer, aos ombros, acabou, para além de Courtois, Tchouaméni, Valverde, tendo sido ele quem levou o Real Madrid às oitavas.
E a técnica da força atribuís a alguém nesta partida, já que essa força da técnica de Vini parece evidente no resultado final?
Sim, a técnica da força eu vou dá-la àquela força que faltou ao Benfica por não ter feito as substituições necessárias em tempo devido.
No início da partida, dizias que esta era uma vitória que era mais importante para o Real, mas o Benfica agora fica praticamente sem competições, à exceção do campeonato.
Sim, o Benfica tem uma época, toda ela, uma época muito para refletir. Aliás, que já vem de trás, não é só esta. É uma época onde estão gastos milhões e milhões e de onde não se tira partido. Uma série de jogadores que hoje estamos a ver que chegaram como jogadores importantes e afinal são jogadores que nem sequer utilizado são. E isso, de facto, o Benfica tem que ter muita atenção, porque de facto isto é um negócio, de facto isto é uma indústria, mas se tu não escolhes bem, aquilo que tu pagaste pela unidade que trazes, isso já não vem de hoje, já vem de há uns anos a esta parte, acaba por se desvalorizar naquilo que é o mercado. Porque tu vais buscar um jogador por 26 milhões e ele não é usado, pois quando o queres passar, não vai passar por 26 milhões. O jogador não teve evolução, o jogador não teve produção, não teve rendimento, porque as ações valorizam-se com o rendimento esportivo. A empresa Futebol é assim, é o rendimento esportivo, é o rendimento no campo, é o rendimento nos resultados, é o rendimento naquilo que é os aspectos que os jogadores conseguem, não só em termos individuais, mas acima de tudo em termos coletivos e, portanto, a eficácia acaba por não existir. E esse Benfica anda um pouco perdido dessa matéria e obviamente que o Benfica terá que refletir muito bem, porque o seu mercado é gordo, mas em rendimento é magrinho.
Está feita a análise em "A Força da Técnica" do Gabriel Alves. Fica disponível em podcast já daqui a pouco. É o resumo deste Real Madrid 2, Benfica 1. Gabriel, um abraço. Até a próxima. Obrigado.
Um abraço pra todos os observadores.
Boa noite.