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Força da técnica na Rádio Observador. 21ª jornada do campeonato trouxe um clássico decisivo para as contas do campeonato. O Futebol Clube do Porto entrou a quatro pontos de distância do Sporting em campo e depois do jogo empata uma bola, tudo se mantém igual. O que é certo é que fomos descrevendo aqui um cenário ao longo deste encontro muito pouco desejante daquilo que será um clássico. Foi um jogo estéril, Gabriel Alves.
Sim, foi um jogo estéril, mas eu não começo por jogo. Começo por aquilo que aconteceu à volta do jogo. Grave. E é tão grave que já está na imprensa internacional. Nós estamos perante um clássico, um jogo de tremenda importância, onde se discute o título, os pontos são fundamentais e temos como ponto de interesse para a imprensa internacional os achotes. Esta é que é a verdade. Os pirotécnicos, o jogo interrompido por pirotecnia. Eu pergunto: o que é que a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga Profissional de Futebol vão fazer? É porque ficam à espera que num dos próximos grandes jogos aconteça algo de grave, alguma tragédia com este assunto? É isto que queremos passar? É isto que queremos vender para lá para fora? É isto que queremos ter em termos de som de futebol, em termos do nosso futebol a nível Internacional? E depois a história das bolas. Como é que é possível? A liga são os clubes. Os clubes têm que, naturalmente, também eles per si, se tratar e retratar. E em função de tudo isso, o que é que a Federação Portuguesa de Futebol, o órgão máximo, faz? Falemos do jogo. Estéril, chamaram-lhe tático.
Quando um jogo está desinteressante, diz-se que foi muito interessante do ponto de vista táctico.
Exatamente. Muito interessante sob o ponto de vista emocional. Obviamente, quem come pipocas gostou se a sua equipa ganhou, quem não come pipoca, se a sua equipa perdeu, fica sem comer pipocas ou então acha as pipocas amargas, ou não boas, ou não estavam bem condicionadas. Foi um jogo muito tático, é verdade. Um jogo com muito pouco interesse naquilo que foi a primeira parte, praticamente não se viu realmente se era a estratégia, se era aquilo que ambos os treinadores fizeram para a funcionalidade do seu futebol. Olha, novo futebol. Talvez jogassem por resultado, não quisessem perder. Talvez a pontuação lhes interessasse que ficasse assim. Só que eu não fico. Por que o Sporting queria um resultado assim? O Sporting tinha necessidade de alterar aquela que é a desvantagem que tinha. É bicampeão, quer o tri, a desvantagem que tinha em relação ao seu adversário, mesmo jogando fora. E não fez nada para que isso acontecesse. Eu quero lembrar, e tive boa oportunidade de dizer, que cerca dos 70 minutos havia quatro remates à baliza e chamei aos guarda-redes "apanha-bolas", porque eles não tinham tido qualquer tipo de intervenção que pudesse ser referida. Portanto, quatro remates à baliza, dois de cada lado, com um remate entre paus por manda do Sporting Club Portugal. Foi um Sporting que não mudou. Tinha aquele que é, para mim, a sua luz do jogo coletivo, que é Pote, que esteve debaixo do nevoeiro, que se fez sentir antes do jogo e continuou com o nevoeiro. Podia ter saído mais cedo, para bem da dinâmica do Sporting e até para a sua própria dinâmica. A equipe do Futebol Clube do Porto renovou a partir da segunda parte com Fofana, que é nova aquisição, trouxe aquilo que se chama um jogador pujante, forte, técnico da força, fresco ao meio-campo. E trouxe o Rodrigo Mora, que só por si, Rodrigo Mora traz um pequeno ato de virtuosismo. Traz aqui um pequeno ato de detalhe, de nota, que pode trazer qualquer coisa diferente ao jogo e preocupar acima de tudo a defesa contrária à estrutura, à estratégia contrária. E aconteceu, porque no fundo o gol do Futebol Clube do Porto acaba por nascer de Moura e de Fofana, dos dois jogadores que entraram numa jogada extremamente atabalhoada, numa jogada extremamente tiro ao boneco. Mas pronto, Fofana abriu a lata e trouxe, portanto, um gol, um arremate entre paus. Finalmente, o Futebol Clube do Porto com um arremate entre postes marcava e punha a bola na rede e trazia, portanto, qualquer coisa diferente à partida. E o Sporting aí acaba por reagir e tem nos dez minutos finais o que se pode dizer uma reação. À procura daquilo que se calhar deveria ter procurado muito antes e mesmo as substituições que acaba por fazer tivesse sido feita muito antes, certamente teríamos tido outro jogo, porque obrigaria a equipe contrária também a ter outro tipo de resposta. Resposta que nós não vimos do Futebol Clube do Porto frente a essa reação leonina. O Futebol Clube do Porto que tinha que segurar 1 x 0, que até tem, e sabemos disso, um coletivo defensivo fortíssimo, intenso, não soube controlar a bola fora daquilo que é o seu primeiro terço. Portanto, tem responsabilidades. O Sporting sim, foi pra lá, mas o Futebol Clube do Porto não conseguiu sair com a bola, jogar a bola fora do seu primeiro terço, ir para três quartos de terreno, não o conseguiu fazer. E depois, obviamente que no último segundo, o Sporting tem vindo a acontecer, tem aquilo que é o que pode acontecer, um gol, um ressalto. Houve uma grande penalidade. Uma grande penalidade de Moura, que obviamente verdadeira, real e que Luís Soares quase que havia defendido.
Estalhado.
Quase que havia sido defendida pelo Diogo Costa. A bola saiu-lhe mal e deu hipótese ao jogador sul-americano de poder fazer a recarga, porque se ela tem ficado embrulhada nele ou tem saído noutro sentido, obviamente que neste momento teria ficado a caixar. Portanto, aquilo que eu tenho para dizer deste jogo, nem os lances de bola parada foram. Se há muita tática, nem os lances de bola parada, quer de um lado, quer do outro, foram digamos lances que nos pudessem dizer algo que nos agrade e que nos diga que houve trabalho destes dois grandes clubes, em termos nacionais, candidatos ao título. Notas individuais, dupla polaca de centrais do Futebol Clube do Porto é, de fato, uma grande dupla de centrais. Eu quero dizer que o Varela foi um trinco A medida daquilo que é um trinco, estou falando de questões individuais. Vou dizer que no Sporting gostei de ver ainda o Trincão, portanto o fluir do Trincão no jogo. Foi jogador que lutou porque alguma coisa fosse diferente e teve dois ou três detalhes. O Ulman foi sempre motor, mas tem que ser menos agressivo com os árbitros.
Tem perdido muita energia o capitão do Sporting nesse momento, no momento em que faz o uso da braçadeira para falar com os árbitros, também se perde energia nesses pontos.
Exatamente. E ele tem que falar com o árbitro não em termos de agressividade, mas em termos de dimensão e de esclarecimento. Quanto ao jogador, para mim, da partida, eu quero dar aqui três notas sobre o Futebol Clube do Porto. Vou deixar o último. Vou falar de Benaguel, é central de grande qualidade. Já falei da dupla, mas Benaguel é, na realidade, um jogador de grande capacidade. Já falei no Varela, um jogador de grande dinâmica e de grande porte dentro da equipa e na técnica da força, porque eu não vou dar a força da técnica a ninguém, vou dar na técnica da força à grande estreia de Fofana. Eu já o conheço dos outros futebols, dos outros jogos, de outras equipas. Fofana chegou pleno de saúde, de força. É uma grande aquisição para o Futebol Clube do Porto.
Gabriel Alves, foi com ele a força da técnica e a análise deste encontro entre Sporting e Futebol Clube do Porto. No Dragão, empate entre Futebol Clube do Porto e Sporting, uma bola a uma, tudo igual na tabela classificativa. O Sporting mantém-se a quatro pontos do Futebol Clube do Porto e neste momento tanto Futebol Clube do Porto como Sporting têm o Benfica mais perto no terceiro lugar do campeonato. Aqui na Rádio Observador temos sempre grande interesse em acompanhar o que se passa todas as jornadas. Hoje com Gabriel Alves, a Força da Técnica. Gabriel, um grande abraço e até para a semana.
Boa noite a todos os observadores.