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Pode ser o início da guerra na Ucrânia. Vladimir Putin acaba de autorizar uma operação militar especial na região de Donetsk.

O Conselho Europeu descreveu o dia de há um ano como negro para o país invadido, para a Europa e para o mundo. Charles Michel assegura que a Ucrânia vai vencer.

Faz hoje dois anos desde o início da invasão russa. O conflito, que já dura há dois anos, provocou a destruição de importantes infraestruturas em várias áreas da Ucrânia. Mas hoje, dia 28 de maio de 2024, acabou mesmo por acontecer.

Depois de ter estado em Espanha e na Bélgica, num espaço de pouco mais de 24 horas, Zelensky chegou a Lisboa às 15h em ponto.

O Kremlin deixa várias ameaças ao Ocidente numa altura em que foi autorizada a utilização de armas de longo alcance para Kiev atacar a Rússia.

São 1000 dias de guerra na Ucrânia, o conflito que, segundo os analistas, Vladimir Putin queria dar como ganho em 72 horas.

Mil dias depois, dezenas de cidades ocupadas numa Ucrânia que continua a resistir contra todas as probabilidades, com um presidente que não era político, que não quis abandonar o país, mas que não tem largado o pé dos líderes internacionais para que não desistam do conflito na Europa.

Estamos na Guerra Traduzida na Rádio Observador, um dia especial em que trazemos, com a Diana Rosa, o que dizem hoje os jornais russos e ucranianos. E começamos, Diana, pela imprensa russa. A Ucrânia lançou hoje o primeiro míssil norte-americano contra território russo, um alvo que fica a 130 km da fronteira.

Era o que Volodymyr Zelensky esperava há muitos meses: a autorização para atacar a Rússia em profundidade. Hoje, dia 19 de novembro de 2024, pode ser um ponto de viragem na guerra na Ucrânia. Agora falta saber quantos mísseis de longo alcance a Ucrânia vai ter disponíveis. A notícia é da RBC Ukraine. O ataque foi direcionado a um alvo perto da cidade de Karachev, na região de Bryansk. Foi bem-sucedido. No comunicado oficial sobre o ataque a este alvo, falamos de um armazém onde a Rússia guardava vários tipos de armamentos e munições. Não consta a referência aos mísseis norte-americanos. Um bombardeamento que acontece depois dos Estados Unidos terem dado luz verde para que a Ucrânia ataque alvos russos com mísseis fornecidos pelo Ocidente. A Rússia já reagiu. Vamos falar daqui a pouco do que disse Moscovo na segunda parte da Guerra Traduzida.

E precisamente hoje, Volodymyr Zelensky apresentou no Parlamento ucraniano um plano de resiliência para a guerra, um plano que tem 10 pontos-chave.

Foi ainda aprovado o orçamento do Estado para o próximo ano e refutados os rumores de que o governo quer realizar eleições em 2025. O plano de resiliência, que segundo Zelensky, vai conduzir a Ucrânia no caminho da paz, está em manchete em vários jornais, desde o Kyiv Independent ao The Voice of Ukraine. Para ficarmos a conhecer este plano, porque é extenso, vou recrutar aqui a tua ajuda, Luís. Começo pelo primeiro ponto, descrito como a unidade. Zelensky sublinha a importância de, tanto dentro quanto fora do país, os líderes estarem na mesma página, na mesma linha, e pediu o apoio contínuo dos parceiros internacionais.

E passamos então para o segundo ponto, a linha da frente. Zelensky quer alargar ainda mais a idade de recrutamento para o exército. O Ministério da Defesa vai criar um novo sistema de contratos para cidadãos abaixo da idade de mobilização.

Relativamente às armas, Kiev quer aumentar a própria produção. Para isso, prevê a criação de um centro tecnológico. A Ucrânia quer produzir pelo menos 30 mil drones de longo alcance e 3 mil mísseis.

No setor da energia, Zelensky quer garantir estabilidade dos recursos e também a sustentabilidade energética com recurso, por exemplo, às fontes nucleares.

A economia, claro, não fica de fora. O presidente ucraniano quer reduzir riscos de corrupção no setor militar, quer também reduzir o valor alocado à redistribuição do PIB, quer ainda diminuir o papel da supervisão na aplicação da lei na indústria.

Na área da segurança, a Ucrânia precisa melhorar as condições dos abrigos antibombas, ainda instalar detectores de metais em todas as entradas de escolas e edifícios públicos e ainda fortalecer as fronteiras também está nos planos.

No setor descrito como comunidades, a aplicação de taxas especiais para áreas na linha da frente.

No que diz respeito ao capital humano, de acordo com Zelensky, inclui a criação de normas legais para cidadania múltipla e um novo Ministério da Unificação da Ucrânia.

E finalmente, na cultura, incentivar a criação de departamentos de estudos ucranianos em universidades estrangeiras está incluído ainda uma política de lembrança de guerra para honrar a memória de quem lutou pelo país.

E hoje é dia dos líderes do Ocidente enviarem mensagens de apoio à Ucrânia e numa altura em que Donald Trump pode diminuir o investimento norte-americano neste conflito, a União Europeia está pronta para aumentar o apoio a Kiev, caso os Estados Unidos deem um passo atrás.

É a garantia deixada hoje pelo ministro polaco dos Negócios Estrangeiros. Mais assistência militar, mas também financeira. Depois de uma reunião dos diplomatas europeus, que teve lugar na Polónia, Radosław Sikorski sublinhou que a Europa deve assumir uma maior responsabilidade pela segurança do território. Diz o governante que o fortalecimento das capacidades de defesa da Europa deve andar de mãos dadas com a manutenção do compromisso dos Estados Unidos em melhorar a segurança europeia. Sikorski afirma que já discutiu, inclusivamente, com Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, sobre estratégias para reforçar o apoio à Ucrânia. Uma notícia do Kyiv Independent.

E falamos ainda do Reino Unido, que no 1000° dia de guerra anunciou novas sanções contra a Rússia por deportação ilegal de crianças ucranianas.

Pertencem à lista 10 entidades e empresas. O anúncio foi feito num comunicado do governo britânico, citado pelo Krym.Form. Diz a agência ucraniana que as novas sanções têm como alvo aqueles que apoiam as tentativas do ditador russo, Vladimir Putin, de deportar e doutrinar à força as crianças ucranianas e apagar a herança cultural ucraniana. Hoje o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros afirmou que nenhuma criança deve ser usada como peão numa guerra, mas a atitude de Putin mostra até onde ele é capaz de ir para apagar a Ucrânia e o respectivo povo do mapa. Acrescenta David Lammy que à medida que a Ucrânia alcança o marco sombrio de 1000 dias de brava defesa contra a invasão ilegal de Putin, o apoio do Reino Unido é inabalável. De referir ainda, Luís, que uma das pessoas sancionadas nesta lista é a Tatiana Zavalska, a diretora nomeada pela Rússia para o Lar Infantil de Kherson, na Ucrânia, onde 46 crianças foram levadas à força do lar para a Rússia para serem adotadas.

E foram estes os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais russos.