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Guerra traduzida. Vamos dar destaque à imprensa russa nesta sexta-feira, dia 1 de abril e pra isso contamos, como sempre, com a ajuda da Larissa Tovmazian. Bem-vinda, Larissa.

Obrigada.

Hoje começamos com uma notícia que está em destaque na imprensa russa, também na imprensa ucraniana, na imprensa já a nível mundial: um ataque a uma base petrolífera na Rússia, em Belgorod, e é um ataque que está a ser atribuído às forças ucranianas.

Sim, o presidente Putin foi informado hoje sobre este bombardeamento na base petrolífera da cidade de Belgorod. Isto foi dito pelo secretário de imprensa, Dmitry Peskov, numa conversa telefónica, como sempre, com o jornal Izvestia. Temos aqui um pequeno excerto. Aqui o representante de Kremlin salienta que neste momento estão a tentar resolver a situação pra que não haja problemas que possam prejudicar o fornecimento e vários tipos de fornecimento. E por outro lado, o Peskov acrescenta também que esta situação não favorece as negociações que estão a decorrer entre a delegação russa e a ucraniana.

Portanto, aqui Peskov já a falar sobre este incidente, um ataque a uma base petrolífera na Rússia, está a ser atribuído às forças ucranianas e também já a informação de que isto pode mesmo comprometer aquilo que têm sido as reuniões diplomáticas entre os dois países. Avançamos para uma publicação da Meduza, um artigo da Meduza, que dá conta de cerca de 300 cidadãos sírios que chegaram à Rússia para uma formação antes de avançarem para território ucraniano para entrarem nesta guerra, nesta operação especial, neste caso.

Sim, são cerca de 300 militares que chegam hoje à Rússia e vão ter uma formação antes de serem enviados para a Ucrânia, precisamente para a operação especial. Estamos a falar de soldados do exército sírio, que até chegaram a colaborar com os militares russos durante a guerra na Síria.

E portanto, aqui um apoio àquilo que são as forças russas na Ucrânia. Militares sírios que chegam agora à Rússia, vão ter inicialmente uma formação, conta aqui a Meduza neste artigo, pra depois poderem seguir para a Ucrânia. Avançamos para o Vesti, uma publicação estatal, como sabemos, e que dá conta de vários líderes europeus que entraram na lista negra da Rússia. Foram aplicadas sanções a vários líderes europeus, é uma informação que já está também em várias publicações russas.

Isto vem na sequência das sanções e o facto de a Rússia estar cada vez mais isolada, e é uma forma também de demonstrar que tem algum poder face ao Ocidente. E aqui a Federação Russa coloca na lista negra os principais eurodeputados. Na quinta-feira, ontem, o Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou que houve vários líderes da União Europeia que são colocados na lista negra do governo russo. E este comunicado diz ainda que a política das sanções ocidentais já está a ultrapassar os limites e, além disso, a União Europeia preferiu não dar atenção à morte de civis de Donbass e concentrou-se mais na situação de guerra propriamente na Ucrânia.

Sim, e portanto, é praticamente uma resposta da parte da Rússia. As sanções têm sido aplicadas também a cidadãos russos e a líderes russos. Aqui uma resposta com sanções para líderes europeus. Avançamos para uma história que está hoje em destaque principalmente nas redes sociais, com áudios a circular pelas redes sociais, mas que algumas publicações já pegaram também nesta história. Dá conta de estudantes do oitavo ano, ou seja, têm cerca de 14, 15 anos, estudantes que denunciaram uma professora que falou sobre a guerra na Ucrânia e que fugiu àquilo que é a regra, fugiu àquilo que é a propaganda daquilo que pode ser dito nas escolas sobre aquilo que está a acontecer na Ucrânia.

Esta situação ocorre numa cidade russa, Penza, e os alunos desta escola fazem queixa da professora que disse e expressou a sua opinião sobre a guerra numa das aulas. Foram alunas do oitavo ano, tal como disseste, supostamente gravaram a conversa com a professora de inglês, em que a mesma descreve as atitudes da Rússia e condena-as.

E nós tivemos acesso a esse áudio que está a circular pelas redes sociais, essa conversa, essa suposta aula em que essa professora decidiu falar sobre a guerra e entrou aqui em divergência com os alunos.

No fundo, aqui o que acontece é que estas alunas estavam a conversar com a professora. São alunas de uma academia de desporto que deviam estar numa competição na Europa e devido à situação atual, evidentemente não conseguiram ir. E a professora diz, passo a citar: "Enquanto a Rússia não aprender a ser um país civilizado, isto vai continuar". Diz ainda que a Rússia tem um regime totalitário e ela própria admite, isto é muito curioso, que devido ao que está a dizer, poderá ser presa. E esta gravação acaba por chegar aos órgãos policiais e a professora está mais próxima de ser condenada do que pensa.

Sim, e ser multada também por tudo isto que aconteceu. Uma professora que acabou por ir contra aquilo que é propaganda e para aquilo que tem sido dito também nas escolas sobre este conflito. Avançamos, estamos já perto do fim. Antes disso, ainda falar de uma corrida de apoio aos soldados russos, um grupo de pessoas a correr pela rua com camisolas com o famoso Z. Isto está no canal estatal Ren TV.

A Ren TV diz-nos que em Moscovo foi organizada uma corrida de apoio aos soldados russos e na sua maioria eram estudantes universitários que tinham o símbolo Z na sua roupa, a famosa letra Z. E no fim da corrida alinharam-se para formar a letra Z, uma vez mais, para que esta fosse filmada de cima.

Para fechar, vamos falar de vinho. Os russos procuram alternativa ao vinho europeu por causa das sanções. As exportações de vinho de vários países, incluindo Portugal, pararam para a Rússia e é um artigo novamente da Ren TV, um canal estatal, que apresenta alternativas de vinho para poder ser comprado na Rússia.

Novamente na sequência das sanções aplicadas à Rússia e que continuam a ser aplicadas, os especialistas dizem que os russos podem passar de vinho europeu para outros produtores.

E dão exemplos.

E dão exemplos de países tais como Arménia, Grécia, Chile, Argentina, Turquia e Sérvia, para além também do vinho que os próprios russos produzem. Aqui basta apenas aos russos ter esperança que o vinho seja bom.

Que seja bom, sim. Que seja pelo menos tão bom como o vinho europeu, incluindo o português. Portugal é também um dos grandes exportadores de vinho para a Rússia. As exportações que pararam ou travaram por causa deste conflito. É assim que termina a guerra traduzida de hoje. Olhar para a imprensa russa com a ajuda da Larisa Tovmasian.