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"Guerra Traduzida": olhamos para o que dizem os jornais russos e ucranianos em plena guerra na Ucrânia. É o que acontece todos os dias aqui na Rádio Observador. Hoje com a jornalista Maria Miguel Duarte. Boa tarde, Maria Miguel.
Boa tarde.
Começamos pela imprensa ucraniana e pelas condições de Moscovo para a paz.
O presidente russo apresentou uma lista de exigências sobre as quais o Kremlin está disposto a discutir o fim da guerra contra a Ucrânia. Está em destaque no canal TSN e um pouco por toda a imprensa ucraniana. Moscovo exige algumas promessas escritas por parte do Ocidente. De acordo com este artigo, o principal objetivo de Putin é conseguir um compromisso claro por parte das principais potências ocidentais de que a Ucrânia, a Moldávia, a Geórgia e outras ex-repúblicas soviéticas não se juntem à Aliança Atlântica. Para além dessa questão sobre a NATO, o Kremlin também exige a proteção dos russos em território ucraniano e também a suspensão de algumas sanções. Depois da conversa com Donald Trump na semana passada, Putin terá concordado em escrever um documento que reúna condições para um cessar-fogo. O Kremlin está a preparar essas mesmas condições, mas não se sabe quando pode estar finalizada esta proposta.
E sobre as sanções ocidentais impostas à Rússia, Maria Miguel, o presidente ucraniano diz que vão afetar de forma significativa a Ucrânia no verão do próximo ano.
Foram declarações de Volodymyr Zelensky numa conferência de imprensa, estão em destaque no jornal "Pravda". Desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, que os aliados ocidentais têm imposto pesadas sanções à Rússia. Apesar destas medidas, Putin tem mantido a capacidade militar e tem conseguido continuar na linha de frente do combate. Agora, Volodymyr Zelensky diz que espera que em junho de 2026, ou seja, praticamente daqui a um ano, o conflito já não exista, mas que em algum momento, no verão do próximo ano, se o conflito se mantiver, a economia russa vai sentir o impacto destas sanções. É uma previsão deixada pelo presidente ucraniano. Diz também que durante o próximo ano a Rússia não deverá conseguir aumentar a capacidade de defesa. Isto, de acordo com estimativas ucranianas, indicam que o caminho é a Rússia gastar cada vez mais dinheiro na guerra. E estas declarações de Zelensky surgem na semana em que a administração norte-americana admite também impor sanções à Rússia. Está no "Wall Street Journal". As sanções por parte dos Estados Unidos teriam assim como objetivo levar a Rússia à mesa das negociações.
E Maria, a Rússia diz que é possível existir um encontro entre Putin e Zelensky, mas com condições específicas.
É uma nova declaração por parte do Kremlin, diz que o encontro entre os dois presidentes é possível, mas que existem essas tais condições específicas por parte de Moscovo. De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o memorando sobre a Ucrânia ainda está a ser finalizado e só depois é que se pode, sim, avançar para a próxima etapa das negociações. Quanto ao local para a próxima reunião entre a diplomacia da Ucrânia e da Rússia, Peskov diz apenas que deve ser num sítio que seja conveniente para ambas as partes. Enquanto isso, Volodymyr Zelensky continua sempre a mostrar disponibilidade para participar numa reunião com Donald Trump e Vladimir Putin.
Em destaque na imprensa ucraniana está também a visita do presidente Volodymyr Zelensky a Berlim.
Zelensky chegou hoje a Berlim para um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz. Foi recebido por Merz logo à chegada. Os dois líderes vão discutir assim o apoio militar da Alemanha e também as condições de cessar-fogo por parte da Ucrânia. O presidente ucraniano também se deve depois encontrar com o presidente alemão. A visita acontece no momento em que existem novas especulações sobre uma possível entrega de mísseis Taurus. São mísseis de cruzeiro alemães que são capazes de atingir alvos a uma distância de 500 km. E devido a algumas polémicas que têm surgido na Alemanha em torno deste apoio que tem sido dado à Ucrânia, o governo alemão disse que já não vai anunciar publicamente as armas que vai fornecer, o que significa que um possível fornecimento destes mísseis Taurus pode não ser anunciado publicamente.