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Começa agora mais uma "Guerra Traduzida", especial Irão, para acompanhar os conflitos no Médio Oriente. Hoje a edição é do jornalista Miguel Gato. Boa tarde, Miguel.

Boa tarde, Miguel.

Começamos mais uma vez com a Assembleia Geral das Nações Unidas. Benjamin Netanyahu afirma que acusar Israel de genocídio em Gaza é a maior mentira do século, sendo que também defende as ações militares israelitas e norte-americanas no Irão.

O primeiro-ministro israelita começou por falar precisamente sobre o programa nuclear de Teerão. Disse que os ataques contra instalações iranianas foram uma decisão fácil, uma das mais fáceis que tomou enquanto primeiro-ministro de Israel. Diz que se não a tivesse tomado, "estaríamos todos mortos". Foi esta a expressão utilizada no discurso que fez na Assembleia Geral da ONU. Diz também Benjamin Netanyahu que a queda do regime iraniano pode não estar longe e quanto às acusações de genocídio na Faixa de Gaza, diz que Israel tem sido alvo de uma campanha que não é verdadeira. Netanyahu contra-argumenta, fala numa mentira, rejeita as acusações de colonialismo por parte de outros países e também organizações internacionais. O discurso do primeiro-ministro de Israel arrancou com algum atraso e com bastantes protestos dentro da própria assembleia. Foi necessária a intervenção do presidente da Assembleia Geral da ONU. Netanyahu diz que dezenas de delegados, aqueles que abandonaram a sala no início do discurso, são cobardes morais. Os protestos contra a presença de Benjamin Netanyahu nesta Assembleia Geral da ONU foi feita dentro, mas também fora do evento. Mais de 100 pessoas foram detidas nas manifestações feitas em Nova Iorque, algumas à entrada na sede da ONU. Isto são dados avançados pela imprensa norte-americana.

Entretanto, o Irão diz que continua disponível para chegar a um acordo com os Estados Unidos. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian acusa Washington de promover uma guerra que dura há quase sete meses e acusa também os Estados Unidos de bloquear os caminhos para a diplomacia.

Numa entrevista à Fox News, realizada à margem precisamente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Pezeshkian afirma que o principal obstáculo à paz é o facto de os Estados Unidos preferirem bombardear antes de dialogar. O presidente iraniano recuperou o memorando de entendimento assinado em junho com Donald Trump. Disse que o acordo foi assinado e que Teerão continua disponível, por isso mesmo, a avançar com base nesse documento. Sobre o programa nuclear, o presidente iraniano afirma que Teerão está disposto a reduzir os níveis de enriquecimento urânio e a permitir verificações externas. O objetivo seria precisamente aliviar as tensões que existem em torno das atividades nucleares iranianas. Pezeshkian negou mais uma vez que Teerão queira construir uma arma nuclear, esse que tem sido o argumento utilizado por Estados Unidos e também por Israel para atacar o Irão.

E o Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros apresentou ontem um plano de uma semana, sete dias, para tentar pôr fim às hostilidades.

Isso, Abbas Araqchi diz que Teerão propôs a Washington um plano para cessar os combates, reabrir o estreito de Ormuz e retomar as negociações sobre o programa nuclear. A proposta foi transmitida através de mediadores e recupera compromissos previstos precisamente no memorando de entendimento que falámos anteriormente. Segundo Araqchi, se os Estados Unidos aceitarem as condições iranianas, o estreito de Ormuz poderá ser reaberto no final do sétimo dia. Depois disso, seriam retomadas as conversações abrangentes sobre o programa nuclear. O ministro iraniano disse também que seria preferível alcançar um acordo antes das eleições intercalares norte-americanas.

Falamos agora de Portugal, isto porque Portugal apela ao fim da escalada entre os Estados Unidos e o Irão.

Isso mesmo transmitiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, que reuniu-se precisamente com o homólogo iraniano nas Nações Unidas. Durante o encontro, Portugal defendeu que os canais de comunicação devem continuar abertos e que a diplomacia e o diálogo devem prevalecer sobre a escalada de tensão. A liberdade de navegação, o direito internacional, a não proliferação nuclear e a proteção de civis são, segundo o Ministério Português dos Negócios Estrangeiros, preocupações que o Governo português continuará a defender no próximo mandato no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Tudo dito em mais um episódio da "Guerra Traduzida", especial Irão, sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje foi com o jornalista Miguel Gato.