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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Todos os dias analisamos a imprensa da Rússia e da Ucrânia sobre a invasão. Hoje começamos por olhar para os jornais da Ucrânia com o jornalista Rui Casa Nova. Rui, bem-vindo. Boa tarde.
Boa tarde.
Começamos com uma entrevista ao chefe dos serviços secretos ucranianos.
Sim, uma entrevista de Kyrylo Budanov. Falou ao Wall Street Journal sobre a situação atual no terreno e revelou alguns planos da Ucrânia para os próximos tempos. É uma entrevista aqui citada pelo canal TSN, que faz a esta hora manchete com estas declarações de Kyrylo Budanov, o líder dos serviços secretos, que começa por falar de Avdiivka. Acredita que apesar da tomada da cidade pela Federação Russa, as tropas russas não têm forças neste momento para atingir o objetivo de capturar as regiões de Donetsk e Lugansk ainda este ano. Lembra que os russos levaram quase dois anos para capturar Avdiivka e que, de forma geral, a Rússia ou Kremlin tenta conquistar esta cidade desde 2014. E por isso Kyrylo Budanov faz uma pergunta retórica. Diz: "Será isto o sucesso do grande e poderoso exército russo?" É uma pergunta irônica, retórica, de Kyrylo Budanov, o líder dos serviços secretos da Ucrânia, aqui a questionar a força do exército russo. Por outro lado, Budanov admite que o exército ucraniano não está, neste momento, numa boa fase, mas ao mesmo tempo diz que o exército da Rússia também tem problemas. São declarações do chefe dos serviços secretos ucranianos ao Wall Street Journal, numa entrevista que é aqui citada pelo canal ucraniano TSN.
Rui, e Budanov falou sobre o futuro, deixou algum vislumbre?
Sim, admite que a contraofensiva das Forças Armadas do último verão de 2023 não teve o sucesso esperado e, por isso, aponta uma nova contraofensiva que pode começar em 2025, portanto, daqui a um ano. Dá a entender Kyrylo Budanov, o chefe dos serviços secretos nesta entrevista, que a guerra ainda vai demorar muitos anos. Isto numa altura em que estamos quase nos dois anos da guerra. Será no próximo sábado, dia 24.
Faltam três dias para esse marco. E Rui, continuamos a falar de Avdiivka, cidade onde vários militares revelam que a retirada foi desorganizada e que ficaram para trás, nesta cidade de Avdiivka, centenas de feridos.
Sim, o relato é feito ao Kyiv Independent, um jornal online ucraniano, por militares de Kiev que estavam a defender a cidade. Um dos últimos soldados a sair conta a este jornal que ficaram cerca de 300 feridos para trás. Fala este militar numa retirada tardia, desorganizada, e admite que se sentiu abandonado pela liderança ucraniana. Como temos destacado ao longo desta semana aqui na "Guerra Traduzida", o líder das Forças Armadas da Ucrânia anunciou a retirada de Avdiivka este fim de semana. Tem sido um tema muito falado nos últimos dias e agora este relato de militares que até aqui estavam a defender a cidade faz manchete no Kyiv Independent. No próximo episódio de "Guerra Traduzida", vamos também voltar a falar de Avdiivka, porque continua a ser um tema também muito em destaque na imprensa estatal russa.
Fica prometido, Rui. Não só na imprensa ucraniana, mas na imprensa europeia hoje também uma grande notícia: a União Europeia aprovou mais um pacote de sanções à Rússia.
É já o 13°. A notícia surgiu logo ao início da manhã. Naturalmente, esta informação está em destaque em vários jornais ucranianos, como por exemplo o RBK. Este novo pacote não contempla medidas sancionárias adicionais à Rússia, mas alarga sim as atuais punições a cerca de 200 novos indivíduos e entidades ligadas à Rússia. A presidente da Comissão Europeia já reagiu. Saúda a aprovação deste novo pacote de sanções contra a Rússia acordado por Bruxelas. Numa publicação nas últimas horas na rede social X, Ursula von der Leyen afirma que temos de continuar a degradar a máquina de guerra de Putin. É a reação de Ursula von der Leyen, a presidente do Executivo Comunitário, à aprovação de mais um pacote de sanções à Rússia, já o 13°.
Rui, terminamos com uma sondagem. Só 10% dos cidadãos europeus acreditam que a Ucrânia vai vencer a guerra.
Sim, é uma sondagem da empresa YouGov, citada aqui pelo jornal ucraniano Pravda. Este jornal tem sempre em destaque várias sondagens sobre o ponto de situação da guerra. E esta sondagem curiosa, só 10% dos cidadãos europeus acredita que Kiev vai vencer esta guerra contra a Rússia. Foi uma sondagem feita nos últimos dias em 12 países da União Europeia, incluindo Portugal. Só um em cada 10 europeus acredita que a Ucrânia vai vencer o conflito. A opinião geral predominante desta sondagem é de que este conflito, que dura há quase dois anos, vai acabar com um acordo de compromisso com o Kremlin, ou seja, vai acabar na mesa de negociações.
É o ponto final deste episódio de "Guerra Traduzida". Já a seguir, a imprensa da Rússia.