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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos a mais um episódio. Vamos, nos próximos minutos, analisar a imprensa dos dois lados do conflito e hoje começamos pela Ucrânia, num trabalho do jornalista João Filipe Cruz, que tem, como sempre, colaboração de Tânia Olinyk. João, boa tarde. Começamos com uma reunião do governo da Ucrânia que já está a fazer preparativos para o inverno.

Boa tarde, Miguel. Uma reunião encabeçada por Volodymyr Zelensky. O presidente ucraniano partilhou alguns detalhes dessa reunião nas redes sociais, mais concretamente no Telegram. De acordo com Zelensky, aqui citado pelo jornal Pravda, em cima da mesa estiveram temas como o fornecimento de armas, munições, equipamento militar, mas também a velocidade de produção ucraniana no que diz respeito a armamento. E aqui, neste caso, também se falou ou se conversou sobre as necessidades das tropas, com Zelensky a dar instruções muito concretas aos ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros pra que comunicassem as necessidades reais da Ucrânia neste momento para que as próximas entregas tenham exatamente aquilo que é necessário. Também foram discutidos os planos russos com a ajuda dos relatórios dos serviços secretos. E aqui entram esses tais preparativos pro inverno, como o nível de prontidão do sistema de fornecimento de energia da Ucrânia e também o sistema de defesa antiaérea. Durante esta reunião, também foram abordadas as consequências dos bombardeamentos russos, sobretudo em infraestruturas civis, e a necessidade de ajudar as vítimas e construir também novas habitações, sobretudo nas regiões de Kharkiv e Kiev.

Entretanto, mais uma vez, foi estendida a lei marcial e a mobilização geral na Ucrânia.

Vão continuar por pelo menos mais 90 dias. Ambas terminavam amanhã, mas já sabíamos também que dia 27 de julho a Assembleia Ucraniana já tinha aprovado estas duas leis, que entravam em vigor amanhã e assim prolongaram-nas até dia 15 de novembro. De acordo, ou como explica a Agência Estatal de Notícias da Ucrânia, a Suspilne, foi a sétima vez que o Parlamento votou a lei marcial desde o início da guerra.

Entretanto, hoje também merece destaque a detenção de um agente russo, neste caso, por suspeitas de estar a preparar um ataque a Kiev.

Este espião russo, como escreve o Pravda, foi detido pelos serviços de segurança ucranianos, está sob suspeita de estar a preparar um ataque com mísseis à capital da Ucrânia. Os serviços de segurança publicaram uma imagem no Telegram do momento da detenção. Há fotografias, obviamente que com a cara modificada, agora já não me lembro bem do termo, mas há um termo pra isso. Tem a cara desfocada, isso mesmo. E avançam que esse agente, de 23 anos, terá sido apanhado em flagrante enquanto filmava e fotografava uma base militar ucraniana e mandava as coordenadas do GPS pra um mapa eletrônico. De acordo com as explicações das autoridades, este homem residia em Odessa, mudou-se pra capital na busca por dinheiro rápido e fácil, e esta necessidade terá levado a que tivesse sido encontrado pelos serviços secretos russos. A comunicação entre este homem e Moscovo era feita através de aplicações de trocas de mensagens e recorria a várias contas diferentes. Durante as buscas, foram também encontrados cartões de crédito e um telemóvel que, de acordo com os serviços de segurança da Ucrânia, contém provas.

Continuamos no jornal Pravda com uma história: 20 mil residentes de uma só cidade em Donetsk. Vinte mil residentes dessa cidade morreram na guerra.

Pessoas que foram mobilizadas pela Rússia pra se juntarem às fileiras de Moscovo. Foram 20 mil mortes entre os naturais da cidade de Horlivka, na região de Donetsk. O número foi partilhado pelo Centro de Resistência Nacional da Ucrânia, que reporta que as tropas da Rússia partilharam grandes perdas a Moscovo e, por isso, já estará a ser também preparada uma nova onda de mobilização e também já há, ou já haverá registro de listas de homens para a integrar. A intenção, de acordo com o jornal Pravda, já foi até comunicada à administração russa em Horlivka, que respondeu, diz que há uma crescente tensão na cidade devido a essa mobilização forçada que resultou nas 20 mil mortes. Portanto, não sabemos como vai resultar esta mobilização.

Fechamos com uma garantia da Casa Branca. A posição norte-americana quanto à eventual adesão da Ucrânia à NATO não mudou.

Tem sido um tema durante esta semana. Essa posição ou essa não mudança de posição foi garantida pelo porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. A administração de Joe Biden não teve conversas sobre essa hipótese de garantir à Ucrânia a entrada na aliança se cedesse partes do território à Rússia. John Kirby garante que Washington nunca equacionou essa hipótese e explicou que na Cimeira de Vilnius ficou claro que o caminho da Ucrânia até à adesão à NATO podia ser desenvolvido, mas o foco agora é ajudar o país na guerra contra os russos e devolver o território ocupado aos ucranianos. Só recordar que esta polêmica começou quando o chefe de gabinete do secretário-geral da NATO admitiu que aconteceram conversas entre os Estados-membros sobre essa possibilidade de acelerar uma adesão da Ucrânia se esta cedesse território à Rússia pra que a guerra terminasse mais rápido. Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO, já o negou e o próprio chefe de gabinete que proferiu estas declarações em entrevista a um jornal norueguês também já se retratou.

Termina assim este episódio de Guerra Traduzida.