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Segunda parte da Guerra Traduzida. Trazemos agora os principais destaques da imprensa russa com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, boa tarde mais uma vez. Moscovo já prepara a terceira ronda de negociações diretas com Kiev.
Notícia em manchete na agência estatal TASS. O porta-voz do Kremlin anuncia que a Rússia está a trabalhar num acordo especializado com a Ucrânia, garante Dmitry Peskov, que a crise no Meio Oriente não distraiu Moscovo destas negociações. Lembra também que os acordos firmados durante a segunda ronda de negociações em Istambul estão a ser implementados. Falamos da troca de prisioneiros entre os dois lados, também da devolução dos corpos de militares falecidos, também de ambos os lados para esta terceira ronda. Peskov espera agora que exista clareza do lado ucraniano para que seja possível dar continuidade ao processo.
A inteligência russa alerta que a Sérvia está a enviar suplementos militares para a Ucrânia.
É o que se pode ler num relatório dos serviços de inteligência para o estrangeiro russos. Neste documento pode ler-se que os militares ucranianos estão muito gratos aos fabricantes sérvios de armas e munições pela contribuição para manter a prontidão de combate das Forças Armadas Ucranianas. Belgrado estará, por isso, a utilizar intermediários para exportar produtos militares para a Ucrânia e tem intensificado essas atividades recentemente, algo que está a acontecer apesar da crescente pressão de Moscovo sobre a Sérvia, o que de acordo com os serviços de informações russos só se tornou possível, em muitos aspectos, devido ao uso de esquemas de fornecimento indireto. Estas munições são produzidas em empresas sérvias, são depois enviadas a países da NATO, como a República Checa ou a Bulgária, já na forma de conjuntos completos de peças para montagem, o que permite depois a Kiev receber formalmente, ou seja, de maneira formal, recebe produtos ocidentais e não produtos sérvios.
Vasco, já aqui falámos do ataque russo de ontem à noite em Kiev. A imprensa russa fala numa ofensiva contra instalações militares ucranianas.
A agência TASS relata que as tropas russas realizaram um ataque noturno na região de Kiev. O Ministério da Defesa da Rússia explica que o ataque foi feito com armas de precisão em veículos aéreos não tripulados contra locais militares em Kiev e também contra o arsenal de armas da Marinha Ucraniana. Já aqui ouvimos que o ataque atingiu também áreas residenciais, morreram vários civis. Ora, isso não é referido nesta notícia da agência estatal. De resto, garante o Kremlin que os objetivos do ataque foram alcançados e que todos os alvos designados foram atingidos. Acrescenta ainda que o exército ucraniano perdeu mais de 1200 soldados na linha da frente, isto só nas últimas 24 horas.
E Vasco, já aqui ouvimos as declarações do porta-voz do Kremlin sobre as negociações com a Ucrânia, mas Dmitry Peskov explicou também como a Rússia pode ajudar o Irão.
De várias maneiras, André, garante Peskov, que sublinha que cabe agora a Teerão articular a ajuda que deseja. O Ministro dos Negócios Estrangeiros russos, relembro, esteve hoje reunido com Vladimir Putin. Peskov garante que os russos nesta reunião ofereceram esforços de mediação, que esta tomada de posição é uma forma muito importante de apoio ao lado iraniano. Explica então que Moscovo está pronta para se assumir como mediador internacional, mas também para fornecer armas ao Irão, incluindo os sistemas de defesa aérea S-300 e S-400.
A KP traz hoje uma entrevista a um antigo embaixador russo nos Estados Unidos que garante que não vai ser Donald Trump a trazer a paz à Ucrânia.
Não é Trump, mas sim a Rússia quem pode e vai dar paz à Ucrânia, é o que garante Anatoly Antonov, ele que considera que não é necessário esperar que o presidente norte-americano estabeleça a paz na Ucrânia, porque a Rússia pode alcançar resultados sozinha. Antonov esteve nos Estados Unidos até outubro do ano passado, explica que nunca se deixou enganar por Trump, ou seja, lembra que no primeiro mandato do republicano foram introduzidas sanções econômicas muito dolorosas para a Rússia e que dezenas de diplomatas russos foram mesmo expulsos do país. O antigo embaixador avisa que neste momento, no Congresso norte-americano, paira no ar um projeto de lei para impor mais sanções anti-Rússia, alerta que a sociedade americana está dividida e que o dia de amanhã nos Estados Unidos é demasiado imprevisível. De qualquer forma, este antigo embaixador russo nos Estados Unidos considera que Moscovo está condenada a interagir com Washington, não tem motivos de ofensa com a Casa Branca, mas deve manter a linha de ação como sempre fez. Isto porque, como dizia, não acredita que qualquer presidente norte-americano, nem Donald Trump, consiga estabelecer a paz na Ucrânia. Isso só pode acontecer, diz Antonov, através da força russa.
Vasco, obrigado. Até à próxima edição. Fica por aqui a Guerra Traduzida de hoje.