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Guerra traduzida na Rádio Observador. Seguimos com a jornalista Diana Rosa, agora com os destaques da imprensa ucraniana. Dezenas de diplomatas denunciam na ONU uma escalada inaceitável por parte da Rússia no conflito ucraniano.

O embaixador ucraniano nas Nações Unidas, juntamente com os diplomatas de mais de 40 países, incluindo Portugal, denunciou hoje essa escalada inaceitável dos ataques russos durante o fim de semana e pediu um cessar-fogo total, imediato e incondicional. Isto vem também na sequência daquelas ameaças que há pouco falávamos às embaixadas de outros países em Kiev. Diz Andrii Melnyk, na sede da ONU, em Nova York, que a Rússia atingiu um novo e assustador nível de agressão contra a Ucrânia, intensificando ainda mais os ataques contra a população civil e também a infraestrutura civil. Foi acompanhada esta declaração por todos os representantes europeus, também a representante da União Europeia e os representantes do Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul, entre outros países. Os Estados Unidos, que assumiram o papel de mediador entre Zelenskyy e o homólogo russo, não participaram na declaração conjunta.

E os estados bálticos uniram-se para exigir mais ajuda da União Europeia e afirmam que a solidariedade não é suficiente para fazer face à ameaça russa.

Os presidentes da Letónia, Lituânia e Estónia pediram à União Europeia que forneça mais assistência financeira. Os três países foram vítimas nas últimas semanas de interferência russa nos sinais GPS, que forçou drones ucranianos a invadirem o seu espaço aéreo, bem como ameaças de Moscovo de tomar medidas militares ilegais sob a falsa acusação de que estariam a permitir que drones ucranianos transitassem pelos territórios para atacar a Rússia e pedem, por isso, mais financiamento para proteger os espaços aéreos. O presidente da Estónia sublinha que a prioridade urgente é o fortalecimento das capacidades de deteção de drones e defesa aérea em múltiplas camadas. Projetos europeus de defesa de interesse comum, especialmente a vigilância do flanco leste, precisam de se tornar realidade muito mais rapidamente. Já o presidente da Letónia afirma que o apoio fornecido precisa de ir além das necessidades imediatas de defesa daqueles que vivem na fronteira.

E Diana, falamos agora da história do quarto de uma criança ucraniana que foi transportado para os corredores do poder no bairro da União Europeia, em Bruxelas. Uma história que levou políticos e também o público em geral a refletir sobre o sequestro de mais de 20 mil crianças pela Rússia e as famílias que foram separadas nesse processo.

Deixa-me dizer desde já, Ricardo, que esta é uma história longa, detalhada, que é uma das manchetes do Kyiv Independent. O quarto é parte de uma exposição chamada Camas Vazias, criada pela organização sem fins lucrativos Bird of Light Ukraine, e o Kyiv Independent conversou com os cofundadores. A própria exposição levou muito tempo para ser concebida. Galeyeva, uma ucraniana que morava em Nova Iorque, e Yeung, uma canadiana de ascendência chinesa, viajaram para a Ucrânia em 2021. Foi ali que Galeyeva reencontrou o pai, que não via há mais de 32 anos. O pai convidou-a para entrar em casa, onde ela encontrou o quarto de infância completamente inalterado e a cama vazia original. Aquilo mexeu com ela e depois, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, pouco tempo depois, nasceu a Bird of Light Ukraine. Desde então, a organização sem fins lucrativos arrecadou mais de $7 milhões em assistência humanitária, ajudou quase 700 mil pessoas. À medida que as necessidades no terreno mudaram, o mesmo aconteceu com o nível de ambição do trabalho desta Bird of Light. Desde a distribuição de alimentos para bebés, até ao patrocínio de programas de reforma de reabilitação para instalações infantis, são várias as iniciativas.

Uma delas, Diana, é este quarto e para quem nos ouve perceber melhor, há roupas espalhadas pelo chão, posters de futebol e de Minecraft na parede e o quarto apresenta papel de parede e móveis imediatamente reconhecíveis para a maioria dos ucranianos.

Sim, mas nem tudo está bem neste quarto. A guerra deixou as suas marcas, há algumas garrafas grandes de água, uma lâmpada de emergência, uma espécie de preparação para quando a energia acaba e o som ocasional também e distante de artilharia. É um quarto que foi apresentado ao público pela primeira vez no dia 9 de maio, Dia da Europa, quando 18 mil pessoas visitaram a sede da Comissão Europeia. Depois de um mês em exibição em Bruxelas e uma pequena mostra no Luxemburgo, a exposição Camas Vazias chegou a Roma e ao Senado italiano, com visitas futuras também em Estrasburgo e Paris.

É com esta história que fechamos este episódio. A Guerra Traduzida está de regresso já amanhã.