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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Hoje com o jornalista Miguel Gato. Boa noite, Miguel.
Boa noite, Rita.
Começamos com os jornais russos e com a visita oficial de Vladimir Putin à Índia. É manchete na TASS. O primeiro-ministro indiano deixa uma posição dúbia quanto ao conflito na Ucrânia. Rejeita ter uma posição neutra, diz apenas que é pela paz.
Foi o que disse hoje Narendra Modi ao presidente russo. Diz que alinha ativamente em prol de um cessar-fogo. A declaração foi feita durante o início das conversações oficiais na cimeira anual que os dois líderes estão a realizar em Nova Deli, na Índia. Num discurso televisivo na abertura da reunião, Modi realçou também a urgência de pôr fim ao conflito através do diálogo e da diplomacia.
Neste encontro, Vladimir Putin garantiu que a Rússia vai continuar a vender gás à Índia, apesar de os Estados Unidos ser contra.
O chefe de Estado diz que a Rússia continua a ser uma fornecedora confiável de recursos energéticos e tudo o que é necessário para o desenvolvimento do sector indiano de energia. Putin confirma ainda a assinatura de vários acordos para fortalecer as relações entre os dois países, em particular de carácter económico. O objectivo é expandir as relações comerciais nos próximos cinco anos. À margem do encontro, os dois países, a Rússia e a Índia, estiveram ainda representados numa reunião em que concordaram em estabelecer uma parceria na produção de aviões. Falamos de aeronaves Sukhoi Superjet, que actualmente são fabricadas inteiramente na Rússia. É uma notícia do Moscow Times.
E Miguel, as Forças Armadas ucranianas admitem que a Rússia está a fazer avanços ao longo da linha da frente.
E a imprensa russa cita uma entrevista dada pelo comandante-chefe ucraniano, Oleksandr Syrskyi, à Sky News, que diz que a zona de operações especiais não está a ser fácil de conter. O comandante admite que o exército russo está a tentar avançar por praticamente toda a linha da frente, através do lançamento de um grande número de ataques contra as posições ucranianas. De acordo com Syrskyi, citado pelo portal KP, as forças russas estão a preparar-se para assumir o controlo total da República Popular de Donetsk. No entanto, garante que a Ucrânia tem na manga uma última manobra para libertar a região das mãos do Kremlin. Contrariamente a estas declarações, Vladimir Putin afirma que a iniciativa estratégica na linha de combate cabe inteiramente à Rússia. Acrescenta que as Forças Armadas da Ucrânia continuam a sofrer perdas e estão a recuar em todas as frentes.
E ainda, o Banco Central da Rússia vai suspender as restrições às transferências de moeda estrangeira.
É a partir da próxima semana, mais de quatro meses antes do previsto. As restrições, concebidas como uma medida de emergência, foram introduzidas nos primeiros dias da invasão à Ucrânia para proteger o sistema financeiro da Rússia do impacto das sanções ocidentais, do colapso do rublo e da rápida fuga de capitais. De acordo com as regras anteriores, os indivíduos podiam transferir até US$1 milhão por mês através de bancos convencionais e mais US$10 mil com recurso a sistemas de transferência de dinheiro. O banco central informou hoje que as transferências realizadas por russos e não residentes de países amigos vão perder as restrições a partir de segunda-feira. Cidadãos e pessoas jurídicas de países não amigáveis, aqueles que impuseram sanções à Rússia devido à guerra na Ucrânia, vão continuar sujeitos aos actuais constrangimentos na transferência de dinheiro até, pelo menos, 7 de junho do próximo ano.
E voltamos já a seguir para falar da imprensa ucraniana.