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Começa agora a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Mais um episódio para traduzir a imprensa russa e a imprensa ucraniana, dia 30 de janeiro. Temos conosco a jornalista Diana Rosa, que vai começar por trazer o que diz hoje a imprensa russa. Diana, foi descoberta a residência secreta de Vladimir Putin junto à fronteira entre a Rússia e a Finlândia.
Sim, fica numa zona florestal na República da Carélia, a 30 km da fronteira. É o que avança o Moscow Times, mas a localização foi revelada pelo Dossier Center, que faz o rastreamento de atividades criminais por figuras ligadas ao Kremlin. Há uma fotografia do local, onde podemos ver três complexos brancos de estilo contemporâneo, com vista para a baía de Marjalati, ainda dois helicópteros, vários cais para iates e uma quinta para criação de animais. Pelos vistos, não há sistemas de segurança infalíveis, Miguel. Desta vez, foram contornados por jornalistas com recurso a drones, eles que conseguiram captar imagens aéreas do local. O Moscow Times revela que os poucos moradores da região referiram que Putin visita a propriedade pelo menos uma vez por ano. O esconderijo do presidente russo faz parte de uma rede de empresas do empresário e financiador Yury Kovalchuk, que tem a cargo a agenda particular de Vladimir Putin, assim como os imóveis do líder do Kremlin.
Também em destaque na imprensa russa, a notícia de que a Rússia está a investigar a origem das armas que a Ucrânia utilizou para abater um avião do Kremlin que transportava prisioneiros de guerra.
É a notícia que faz manchete na agência russa TASS, onde é afirmado que as armas utilizadas são provenientes do Ocidente. A informação foi avançada por Sergei Lavrov, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, em declarações recolhidas pela TASS. Lavrov explica que o avião seguia com prisioneiros ucranianos sobre a região de Belgorod, na Rússia. Estes tidos iam servir como troca com prisioneiros russos. Esta troca ia acontecer na fronteira entre Rússia e Ucrânia. O avião foi abatido, morreram as 74 pessoas que seguiam a bordo. O ministro da Defesa russo já classificou este incidente como um ataque terrorista. Já o diplomata russo Sergei Lavrov garante agora que a investigação sobre a proveniência das armas que eliminaram a aeronave vai ser feita com transparência. Mas Miguel, por que este pormenor da origem das armas é importante? Porque a Ucrânia não pode usar armas cedidas pelos países ocidentais para atacar a Rússia em solo fora da Ucrânia. Vamos ver agora qual vai ser o desfecho deste episódio.
Passamos para uma publicação do site de notícias TSN. As autoridades ucranianas estão a desminar os territórios desocupados.
E Miguel, até há campos de trigo que foram minados pela Rússia. É o que refere este artigo, que revela que desde o início da invasão, só em Zaporíjia já foram neutralizados mais de 4 mil dispositivos. Mas há ainda centenas de hectares pela frente, especialmente nas regiões de Kherson e de Kharkiv, duas cidades que têm os terrenos repletos de explosivos. Nesta reportagem feita no local pelo TSN, o chefe do governo de desminagem do Serviço de Emergência da Ucrânia afirma que neutralizar estes dispositivos no inverno é mais difícil, mas é uma prioridade que tem de ser tida em conta para evitar não só mortes, como a destruição destas regiões.
Há também a informação de três pessoas que morreram na cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia, por causa de um ataque do exército ucraniano.
É uma notícia que está em destaque no jornal Moscow Times, que cita autoridades apoiadas pelo Kremlin nesta região que está ocupada pela Rússia. Há ainda registro de outras três pessoas que ficaram feridas. Um vídeo divulgado pelas agências estatais russas mostra corpos caídos numa rua repleta de escombros, vários pedaços de metal espalhados pelo chão e ainda uma cratera aberta na sequência de um bombardeamento. A Agência France-Presse esteve no local. Não conseguiu, no entanto, verificar as circunstâncias do ataque, que ainda não foi reivindicado pelas autoridades ucranianas. A Rússia e a Ucrânia acusam-se mutuamente de uma forte escalada de ataques a áreas civis nos últimos dois meses. Lembro que ainda há pouco mais de uma semana, as autoridades apoiadas pela Rússia acusaram a Ucrânia de atacar o mercado no subúrbio de Donetsk. Morreram 27 pessoas.
Entretanto, a Justiça russa condenou uma mulher de 72 anos a quase seis anos de prisão por partilhar duas publicações nas redes sociais.
Sim, publicações que levaram a que esta cidadã russa esteja agora acusada de difundir desinformação sobre o exército russo. Isto aconteceu na região de Rostov, uma zona que faz fronteira com a Ucrânia e com a Geórgia. A notícia é do jornal Meduza e, mais concretamente, o que partilhou esta mulher de 72 anos, Yevgeniya Maiboroda, nas redes sociais russas. Uma das publicações continha informações sobre o número de militares russos mortos na Ucrânia, outra continha um vídeo de sensibilização com imagens da guerra. Maiboroda admitiu ter partilhado as publicações, mas garantiu que não foi motivada por ódio político. Ela tem, de resto, um irmão que foi enviado para combater em Dnipro, na Ucrânia, e não sabe sequer se ele ainda está vivo. Yevgeniya já tinha sido multada duas vezes desde o final de 2022, por alegadamente desacreditar o exército russo, por criticar a guerra na Ucrânia. Foi inclusivamente adicionada a uma lista de terroristas elaborada pelas autoridades russas. De lembrar, Miguel, que por causa disto, destas duas partilhas em redes sociais, esta mulher vai estar presa quase até aos 80 anos.
Os destaques da imprensa russa de hoje.