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"Guerra Traduzida: Especial Irão" na Rádio Observador, espaço onde passamos em revista os destaques de imprensa do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é com a jornalista Teresa Freire. Boa tarde, Teresa.
Boa tarde, Carlos.
Esta foi a terceira noite consecutiva em que os Estados Unidos e o Irão trocaram ataques. Teresa, como é que tudo começou nesta última noite?
Donald Trump, ao final da tarde de ontem, disse que Washington ia restabelecer o bloqueio ao Irão no estreito de Ormuz. O Comando Central das Forças Armadas norte-americanas confirmou que a última vaga de ataques durou cinco horas. Esta madrugada foram atingidos sistemas de defesa costeira iranianos, bases de mísseis e drones e capacidades marítimas.
Tendo em conta que três pessoas da mesma família morreram na sequência dos ataques dos Estados Unidos ao Irão, Teresa.
Segundo a agência Fars, um guarda-florestal estava a trabalhar no exterior da sua casa, mas quem acabou por morrer foram os dois filhos e uma nora.
E em resposta, a Guarda Revolucionária do Irão reivindicou ataques contra as bases norte-americanas no Golfo.
Foram ouvidas sirenes no Bahrein e na Jordânia. O exército iraniano confirmou também o ataque contra dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos no estreito de Ormuz. De acordo com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, morreu um tripulante e oito pessoas ficaram feridas. A Guarda Revolucionária do Irão diz que os dois petroleiros tinham desligado os sistemas de navegação e ignorado os avisos das autoridades iranianas. Perante o ataque aos dois petroleiros, os Emirados ameaçaram retaliar contra o Irão, o que significaria um regresso do país ao conflito com Teerão.
E Teresa, Donald Trump garantiu que os bombardeamentos vão continuar.
Já com os ataques em curso, o presidente falou na Sala Oval da Casa Branca. Questionado pelos jornalistas sobre um acordo com o Irão, Donald Trump diz que é possível, mas culpou o Irão pela inexistência de um entendimento. Já numa entrevista dada a um programa norte-americano, Donald Trump afirma que o memorando assinado com o Irão foi um teste com pouco valor. O presidente norte-americano diz que os iranianos não honraram o teste e diz que os ataques contra Teerão fizeram o país regressar à Idade da Pedra.
Entretanto, um responsável da Casa Branca garante que Donald Trump está muito empenhado na proposta de cobrar portagens no estreito de Ormuz.
No caso, uma taxa de 20% sobre a carga que transita. Citado pelo norte-americano Semafor, o responsável salienta que se trata de um plano que o presidente norte-americano pretende levar a cabo já há meses.
E o Irão já respondeu entretanto a Donald Trump, o que disse, Teresa?
Citado pela Tasnim, o porta-voz do exército iraniano garante que o estreito de Ormuz nunca será aberto por agressão dos Estados Unidos. O responsável diz que as Forças Armadas do país não vão ceder em relação a esta via navegável estratégica e que a única forma de abrir o estreito é respeitando os direitos do povo iraniano.
Já o Parlamento do Irão avançou com a reivindicação do controle do estreito de Ormuz.
Anúncio feito pelo presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento Iraniano, numa publicação na rede social X. O projeto de lei, a ação estratégica para a segurança e o progresso sustentável do estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico, foi formalmente apresentado no Parlamento iraniano. Ebrahim Azizi garante que o Irão continua firme na defesa das linhas vermelhas, particularmente no que diz respeito à gestão do estreito de Ormuz.
E tendo em conta este regresso dos ataques, importa, Teresa, olhar para os preços do petróleo.
O petróleo Brent atingiu o nível mais alto em quatro semanas. O preço por barril está agora nos US$ 86. Já o petróleo norte-americano subiu para perto de US$ 80 o barril. Os preços do petróleo estão agora no seu nível mais elevado desde que os Estados Unidos e o Irão assinaram o memorando de entendimento há quase um mês, no dia 17 de junho.
E uma nova sondagem citada pela Al Jazeera revela que a maioria dos americanos espera que os ataques dos Estados Unidos ao Irão continuem por um período longo.
Uma pesquisa da Reuters mostra que cerca de 80% dos americanos espera que o conflito ainda dure muito tempo. Sugere também que a maioria dos americanos continua a desaprovar a guerra, com 58% dos entrevistados a dizer que se opõem à guerra, enquanto 37% diz que aprovam os ataques.
Ponto final neste episódio da "Guerra Traduzida: Especial Irão" hoje com a jornalista Teresa Freire.