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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos da América. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, João.

Começamos com a imprensa iraniana, a Agência Tasnim destaca os ecos da eleição de Portugal e Áustria como membros não permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ainda assim, o destaque vai para outro país, Alemanha, que não foi, de forma inédita, eleita na passada quarta-feira e, Carlos, o Irão já pronunciou acerca disso.

Por intermédio de Esmaíl Baqaei, do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros e através do LinkedIn, diz que esta derrota alemã reflete a rejeição global das políticas de Berlim, nomeadamente o apoio prestado às ações israelitas em Gaza e de Israel e dos Estados Unidos no Irão. Baqaei lembra que é a primeira vez em décadas que a Alemanha não assume um assento não permanente neste importante órgão da ONU, o que para o Irão é sinal da crescente indignação da comunidade internacional para com a política externa alemã. Acusa mesmo os líderes alemães de irresponsabilidade, hipocrisia e cumplicidade com o genocídio em Gaza, bem como com a agressão militar de Estados Unidos e Israel em território iraniano. A reação do Irão termina ainda com um aviso para um mundo que está a mudar, no qual se julga os países pelo comportamento real e que quem quiser ignorar esta mudança pagará um alto preço diplomático. O aviso é deixado pelo porta-voz do governo de Teerão, Esmaíl Baqaei.

Seguimos com um dos pontos fulcrais para um acordo entre os Estados Unidos e Irão no Médio Oriente. Falamos do enriquecimento de urânio por parte do país islâmico. Para os iranianos, esse é um direito que não pode ser ignorado.

É uma posição defendida por um alto funcionário da política iraniana numa assembleia popular, Amirhossein Hajizadeh, vice-presidente do Parlamento. O parlamentar aponta para os direitos nucleares do Irão, diz que nenhum país pode privar a nação iraniana do direito legal e legítimo. Termina dizendo que a República Islâmica do Irão não vai recuar diante das ameaças dos inimigos, numa referência também aos ultimatos e avisos deixados por Donald Trump. Amirhossein salienta também os objetivos norte-americanos com este conflito. Diz que um estudo realizado nos Estados Unidos apontava para um iminente salto iraniano como uma potência global.

E isso, Carlos, não era desejado pelos Estados Unidos, mas principalmente por outro país da região.

Israel, o maior aliado dos norte-americanos no Médio Oriente, o vice-presidente do Parlamento iraniano considera que os Estados Unidos atacaram o Irão por estarem preocupados que Israel, com o crescimento do Irão, não conseguisse assumir o total controle do Médio Oriente. Quanto aos objetivos dos Estados Unidos, elenca três: atacar a civilização iraniana, enfraquecer o Islão e criar conflitos entre o povo e o regime. Não aconteceu, diz Amirhossein Hajizadeh, graças a uma resposta decisiva do povo iraniano.

E vamos continuar nos jornais do Médio Oriente. Agora a Al Jazeera, que nota um crescimento do apoio dos norte-americanos ao projeto de lei que pretende restringir o fornecimento de armas a Israel.

O chamado Block the Bombs Act, um embargo parcial do envio de armas que contava apenas há um ano com o apoio de 21 legisladores democratas. Agora a proposta conta com 73 coautores. Para alguns defensores dos direitos palestinianos citados pela Al Jazeera, este representa um progresso histórico. Ainda assim, esta proposta apresentada pela congressista Delia Ramirez está longe de apresentar o apoio suficiente para formar maioria na Câmara dos Representantes, constituída por 435 membros. A medida proibiria a transferência para Telavive de certas bombas e munições mais destrutivas.

Olhamos ainda para a Agência Reuters, que tem um artigo a explicar a ineficácia das sucessivas tentativas de Donald Trump em alcançar um acordo de cessar-fogo no Irão. O que diz o artigo, Carlos?

Aponta para os três acordos anunciados pela Casa Branca que, na realidade, não surtiram o efeito pretendido. A guerra continua e já leva 98 dias. O primeiro acordo foi anunciado pelos Estados Unidos no início de abril, com negociações subsequentes sobre o fim duradouro do conflito. Também a reabertura do Estreito de Ormuz esteve em cima da mesa, bem como o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. No entanto, apesar da tentativa de mediação do Paquistão, não houve acordo, pelo menos duradouro, e a Reuters realça essa teimosia, passo a expressão, de ambos os países, que se mostraram relutantes nas respectivas propostas e nos respectivos objetivos. Também a influência cada vez menor de organismos internacionais, como as Nações Unidas, e a crescente assertividade de potências regionais têm dificultado a consolidação de acordos de longo prazo, diz um investigador britânico à Agência Reuters.

Fica por aqui mais uma edição da Guerra Traduzida, edição especial dedicada ao conflito no Médio Oriente, desta vez com edição do jornalista Carlos Pedro.