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"Guerra Traduzida", dia 18 de maio de 2023. Avançamos para a análise da imprensa ucraniana com a ajuda do Rui Casanova, que contou com a preciosa colaboração da Tânia Olinyk. Rui, começamos com ataques em Kiev.

É um dos destaques da imprensa ucraniana de hoje. Desde ontem à noite até esta madrugada, a Ucrânia abateu 29 dos 30 mísseis enviados pela Rússia. São dados da administração militar de Kiev. As autoridades da capital ucraniana acrescentam que os projéteis eram mísseis de cruzeiro projetados de terra, mar e por meios aéreos. Entretanto, o autarca de Kiev adianta que alguns destroços caíram também no distrito de Darnitsia. As informações sobre possíveis vítimas e danos ainda estão a ser verificadas. Estes novos ataques a Kiev estão claro em destaque na imprensa estatal ucraniana das últimas horas.

Rui, falamos há pouco de Bakhmut no episódio anterior, onde analisamos a imprensa da Rússia. Vamos agora ao ponto de situação sobre os combates pela toma da cidade, agora pelo olhar da imprensa ucraniana.

Sim, falamos há pouco que a Rússia afirma que a libertação de Bakhmut está para breve. Claro que a imprensa ucraniana e as autoridades ucranianas têm uma versão diferente. Os defensores da Ucrânia avançaram nas últimas horas na zona de Bakhmut a uma distância de 150 a 1700 metros por dia. Mataram também 130 militares russos e capturaram outros quatro. São dados do porta-voz do Grupo Oriental das Forças Armadas da Ucrânia, aqui citado pelo jornal "Pravda". Este responsável militar ucraniano acrescenta que os ocupantes russos são forçados a fugir quando estão a ser intimidados pelas forças ucranianas. Portanto, é hábito versões diferentes sobre o que está a passar em Bakhmut. As tropas russas afirmam diariamente que estão perto de libertar a cidade, de tomar esta cidade ucraniana. Claro que as forças ucranianas vão dizendo que estão a conseguir repelir e a resistir aos ataques das forças russas.

Versões bem diferentes, sendo que os Estados Unidos também têm dados sobre o que se está a passar em Bakhmut.

Sim, olhamos para um relatório do Instituto Norte-Americano para o Estudo da Guerra, que diz o seguinte: as tropas russas estão a perder a iniciativa na área de Bakhmut e as Forças Armadas da Ucrânia estão a conseguir avançar. Portanto, aqui os Estados Unidos, de certa forma, a corroborar a versão ucraniana. O relatório destaca que os sucessos das Forças Armadas da Ucrânia são confirmados tanto pelo Ministério da Defesa Ucraniano como pelo Ministério da Defesa Russo.

Vamos a outro destaque da imprensa ucraniana: a reunião entre Zelensky e o enviado especial chinês.

Sim, o enviado especial chinês Li Hu está de visita a Kiev. Reuniu-se nas últimas horas com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e disse-lhe que todas as partes devem criar condições para acabar com a guerra e iniciar o diálogo para a paz. Li Hu, o representante especial do governo chinês para Assuntos da Eurásia, está a realizar um périplo que inclui Ucrânia, Polônia, França, Alemanha e Rússia. O objetivo é falar com as autoridades destes países para discutir uma solução política para a guerra na Ucrânia. Hoje reuniu-se com Volodymyr Zelensky e afirmou também, Li Hu, que não há uma fórmula mágica para resolver a guerra. Todas as partes devem começar por si mesmas, transmitir confiança e criar condições para encerrar o conflito e iniciar o diálogo para a paz. De certeza que ao longo dos próximos dias, conforme Li Hu for visitando estes países, vão surgir mais notícias sobre o conflito na Ucrânia, que certamente vamos analisar aqui na "Guerra Traduzida".

E é com este esforço diplomático de Pequim que pomos um ponto final neste episódio de "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã. Episódio de hoje trazido à antena do Observador pelo Rui Casanova.