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Segunda parte da Guerra Traduzida, novamente com a Maria Miguel Duarte e para saber o que conta hoje a imprensa russa. Maria Miguel, estão também em destaque as condições do Kremlin para esse encontro entre Putin e Zelensky.
A agência estatal TASS também destaca as declarações de Dmitry Peskov. Diz que um encontro entre os dois líderes é possível, mas sob acordos específicos. No artigo também é dito que tem sido a delegação ucraniana quem tem insistido mais para que Putin se reúna com Zelensky e que existiu a expectativa de que isso pudesse acontecer durante as negociações em Istambul, mas não aconteceu.
Ainda no tema das negociações, há pelo menos uma hipótese ou uma quase certeza, a segunda ronda não vai acontecer em Genebra.
É o que avança uma fonte à agência TASS. De acordo com o Kremlin, a política externa da Suíça nos últimos anos minou a neutralidade que existia em torno da diplomacia do país e por isso a segunda ronda de negociações não vai acontecer em Genebra. Quem sugeriu que o novo encontro pudesse ser na Suíça foi o enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, Keith Kellogg, mas o Kremlin rejeita que essa seja uma opção em cima da mesa. Recordo que Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, disse que o local da próxima ronda de negociações deve ser anunciado em breve.
E o Kremlin acusa Donald Trump de não estar suficientemente bem informado sobre o conflito ucraniano.
De acordo com o assessor de Vladimir Putin, Yuri Ushakov, o chefe da Casa Branca parece não estar suficientemente informado sobre o estado real do conflito russo-ucraniano. Em destaque na agência Interfax estão as declarações de Ushakov, que diz que o presidente norte-americano diz muitas coisas, mas que sobre a guerra na Ucrânia parece não estar a par do contexto do conflito. Nomeadamente, diz este assessor presidencial russo, e vou citar: "Trump não está a ser informado sobre os ataques terroristas massivos que estão a acontecer em algumas cidades russas". Acrescenta ainda que o presidente dos Estados Unidos só está a ter em conta as contramedidas que a Rússia está a tomar.
Em destaque na imprensa russa está também o levantamento das sanções económicas da União Europeia à Síria.
O anúncio foi feito pelo Conselho Europeu num comunicado. A União Europeia levantou as sanções económicas contra a Síria e retiraram as mais de 20 estruturas sírias que estavam nas listas negras da União Europeia. Apesar desta decisão ter sido tomada há cerca de uma semana, hoje está em destaque em vários jornais russos. É o caso do Meduza. Também é dito que ao mesmo tempo que algumas foram retiradas, as sanções contra organizações associadas ao regime do ex-presidente sírio Bashar al-Assad foram agravadas.
Existe também, Maria Miguel, alguma polémica em relação à troca de prisioneiros que aconteceu na semana passada.
Um artigo que está em manchete no canal russo Mediazona dá conta que alguns prisioneiros que foram enviados pela Ucrânia já estavam a aguardar deportação em centros de detenção de imigrantes. Esta reportagem fala com vários prisioneiros entregues na chamada troca mil por mil. Esta troca começou no dia 23 de maio e foi feita por três etapas. O Ministério da Defesa da Rússia informou que foram entregues 880 prisioneiros e 120 civis. O Mediazona, jornal independente russo, descobriu que há vários civis ucranianos que foram envolvidos nesta troca e que já estavam condenados por crimes cometidos na Rússia. Após cumprirem as penas, não conseguiram voltar a casa devido à guerra que já estava em curso na Ucrânia. As autoridades russas mantiveram estes prisioneiros em centros para estrangeiros desde 2022 e agora muitos destes civis que já estavam presos antes da guerra foram entregues à Ucrânia.
E é com esta polémica que termina este capítulo da Guerra Traduzida. Estamos de regresso amanhã.