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Avançamos, sem mais demora, para a análise da imprensa da Ucrânia. Está conosco Rui Casanova, que contou para este trabalho com a colaboração da Tânia Olynych. Estamos no dia 441 da invasão e, como prometido, Rui, começamos com as últimas movimentações em Bakhmut.

Sim, os defensores da Terceira Brigada de Assalto das Forças Armadas da Ucrânia derrotaram as unidades da Brigada número 72 da Federação Russa, libertaram parte do território de Bakhmut e capturaram as forças russas. É o que afirma precisamente a Terceira Brigada de Assalto numa publicação na rede social Telegram e também o líder e fundador do Regimento Azov, um grupo militar ucraniano. De acordo com estas fontes, estas ações ofensivas decorreram ao longo de uma faixa de 3 km de largura na cidade de Bakhmut, que fica no leste da Ucrânia e tem sido palco de intensos combates ao longo das últimas semanas. A Ucrânia afirma que todo este território está agora completamente livre das forças de ocupação russas. No entanto, esta informação ainda não foi oficialmente confirmada ou desmentida por parte de Moscovo.

Seguimos com um conselho de Dmytro Kuleba feito ao antigo líder russo Dmitry Medvedev. Que conselho foi esse, Rui?

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, aconselha o Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Federação Russa, Dmitry Medvedev, a beber menos vodka. É o conselho deixado por Dmytro Kuleba, em entrevista ao jornal alemão "Bild". Fazia aqui Dmytro Kuleba um comentário, uma reação aos apelos de Medvedev para o assassinato do líder ucraniano Volodymyr Zelensky. Afirma que Medvedev devia beber menos vodka antes de fazer publicações na rede social Telegram. As declarações algo sarcásticas de Dmytro Kuleba, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, nesta entrevista ao jornal alemão "Bild". Isto porque no início deste mês, no dia 3 de maio, Dmitry Medvedev, depois de um alegado ataque de drones ao Kremlin por parte da Ucrânia, defendeu a necessidade da eliminação física de Zelensky e de toda a equipa do líder ucraniano. Agora surge a reação de Dmytro Kuleba.

É o vodka, o conselho de Dmytro Kuleba. Na Ucrânia foi aberto o programa de pagamento de fundos para a restauração das habitações.

Sim, um programa que se chama Yes Recovery, no âmbito do qual os cidadãos ucranianos vão poder receber fundos para a reparação das casas danificadas pela guerra. A restauração é uma ajuda financeira do Estado para a reparação destas casas. É uma notícia em destaque no jornal "Pravda". O valor destes fundos é de 200 mil hryvnias, a moeda oficial ucraniana, traduzida para euros falamos em cerca de €5 mil. Quem tiver casas danificadas pelos ataques russos pode fazer um pedido de pagamento numa aplicação criada para este efeito. Esta aplicação chama-se Dia, foi criada no âmbito deste programa e os fundos são atribuídos através dos seguintes pontos, ou seja, é preciso cumprir os seguintes requisitos para receber estes fundos: a casa tem de ter sido danificada no âmbito da guerra, claro, depois de 24 de fevereiro de 2022. Isto se a casa estiver localizada num território desocupado, se não foi totalmente reparada de forma independente e os fundos podem ser gastos em materiais de construção ou serviços de empreiteiros que participem neste programa. É assim uma ajuda do Estado aos cidadãos ucranianos nestes tempos de guerra.

Voltamos ao terreno, Rui. O canal TSN conta hoje a história de Maxim Liak, um soldado que morreu no campo de batalha. Tinha 23 anos.

Sim, quando a guerra começou, Maxim estudava na universidade. Era um bom aluno, de acordo com o canal TSN. Não hesitou em entrar no exército para ajudar a defender o país. Alistou-se em conjunto com o irmão de apenas 18 anos, Ivan. O irmão chamava-se Ivan. O canal TSN falou com o comandante da equipa a que Maxim pertencia. Este comandante afirma que, ao início, Maxim era um jovem inexperiente como qualquer outro que entrou para o exército nesta altura, no início da guerra, mas que com o tempo, rapidamente se tornou um dos melhores soldados da unidade. Nas últimas semanas, os dois irmãos estavam a defender a cidade de Bakhmut. Foram apanhados por um ataque aéreo da Rússia. O irmão mais novo ficou ferido. Maxim salvou-o, tirou-o da linha de fogo, prestou os primeiros socorros e salvou assim a vida ao irmão. Mas depois Maxim acabou também por ser baleado. Morreu uns dias depois. Tinha 23 anos. O irmão, Ivan, sobreviveu. Está fora de perigo. Já saiu dos cuidados intensivos. O canal TSN explica que ele mal consegue estar de pé, apesar de ter sobrevivido. Diz agora que agarra com toda a força a bandeira ucraniana que trouxe do campo de batalha. Está coberta com manchas de sangue. Diz que não conhece ninguém mais corajoso do que o irmão, Maxim, que lhe salvou a vida. Ontem, centenas de amigos despediram-se deste jovem de 23 anos, Maxim Liak, que morreu pela defesa da cidade de Bakhmut. Foi, de acordo com o canal TSN, uma cerimônia muito emocionante.

As loucuras da guerra. É com esta história que fechamos mais um episódio de Guerra Traduzida. Estamos de regresso amanhã, como sempre, aqui na Rádio Observador.