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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos agora os destaques da imprensa russa com o jornalista António José Soares. E António, o assessor de política externa do Kremlin diz que a Rússia está pronta para dialogar com a União Europeia.

São declarações aos jornalistas citadas pela agência de notícias estatal Ria Novosti. Este breve comentário representa um dos sinais mais claros do Kremlin nos últimos tempos de que pode estar aberto a contactos directos com Bruxelas, após meses de ceticismo público em relação ao papel do bloco europeu nos esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia. A declaração surge na sequência de recentes comentários do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que acusou os líderes europeus de tentarem negociar com a Rússia a partir de uma posição de força.

Seguimos agora com as críticas do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia ao presidente ucraniano.

Sergey Lavrov apelida Volodymyr Zelenskyy de Führer e acusa-o de tentar arrastar directamente a Bielorrússia para o conflito armado em curso. De acordo com informações avançadas pela agência de notícias estatal russa Ria Novosti, Lavrov proferiu estas declarações polémicas durante uma mesa-redonda com embaixadores estrangeiros realizada em Moscovo. O chefe da diplomacia do Kremlin ridicularizou abertamente a postura do presidente ucraniano, afirmando que Zelenskyy foi recrutado a partir de um grupo de teatro amador para desempenhar esse papel específico e classificou o seu comportamento político como altamente contagioso e irresponsável. A comparação feita pela Rússia entre Kiev e a Alemanha nazí é um recurso antigo de propaganda de Moscovo, que visa justificar a invasão da Ucrânia e os crimes de guerra cometidos pelas tropas russas.

E António, tropas russas que atacaram as instalações de montagem de drones de longo alcance na Ucrânia nas últimas 24 horas.

O Ministério da Defesa informou que o grupo de batalha centro da Rússia infligiu cerca de 330 baixas às tropas ucranianas e destruiu três veículos blindados de combate. Uma informação avançada pela agência de notícias russa TASS, que escreve que segundo os dados divulgados pelo Ministério da Defesa da Rússia, o exército ucraniano perdeu perto de 1300 meios em combates com as forças russas em todas as áreas da linha da frente só no último dia. A agência acrescenta ainda que as defesas aéreas russas interceptaram mais de 460 drones ucranianos e cinco mísseis de cruzeiro nas últimas 24 horas.

E terminamos com o Moscow Times, que escreve que a Rússia afirmou que os Estados Unidos deixaram de ser um mediador objectivo para negociar o fim da guerra na Ucrânia.

As negociações lideradas pelos Estados Unidos para pôr fim ao conflito permanecem praticamente paralisadas, uma vez que o presidente Donald Trump voltou a sua atenção para o Médio Oriente depois de ordenar os ataques ao Irão no final de fevereiro. É o que diz o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirma que Washington parece ter abandonado qualquer pretensão de ter um papel mediador objectivo e, em vez disso, está a seguir um curso de intensificação da pressão das sanções contra Moscovo.

E fica por aqui a edição desta terça-feira com o jornalista António José Soares. A "Guerra Traduzida" está de regresso amanhã. Fica disponível, como sempre, em podcast.