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Mais um episódio de Guerra Traduzida. Estamos no dia número 505 da invasão. Já estivemos a olhar para os destaques da imprensa ucraniana, vamos agora olhar para os jornais russos. O jornalista Rui Casanova leva-nos por esta análise à imprensa russa, que tem a ajuda à tradução da Larissa Tovmazian. Começamos, Rui, mais uma vez pela Cimeira da NATO.
E passo a citar um título de um artigo que faz manchete hoje no jornal estatal russo KP: "Como terminou a Cimeira da NATO? A Ucrânia foi destruída, Zelensky foi calado e a China foi insultada". É a conclusão, a análise, o resumo desta Cimeira da NATO na Lituânia, aos olhos da Rússia. Neste artigo pode ler-se que o segundo dia, ou seja, ontem, da Cimeira da NATO terminou com um ritual de consolo para Volodymyr Zelensky, a quem os líderes ocidentais tanto decepcionaram ao recusar fazer um convite formal de adesão à NATO. O próprio Zelensky, de resto, mostrou-se descontente por não ter surgido esse convite formal. Ainda assim, Zelensky, como destacámos ontem, fez um balanço positivo desta Cimeira da NATO. Este artigo do jornal estatal russo KP diz também que na conferência de imprensa conjunta que decorreu ontem entre Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO, e o presidente ucraniano, Stoltenberg dirigiu-se a Zelensky com um sorriso tenso, é a expressão utilizada neste artigo, isto porque Stoltenberg não dirigiu a Zelensky um convite formal de adesão. Por último, e em relação à China, este artigo diz que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China fez também um balanço negativo desta cimeira, que diz estar repleta de mentalidade de Guerra Fria e preconceito ideológico. Em resumo, no final deste artigo do KP, pode ler-se que o principal resultado desta cimeira é que o Ocidente mostrou de forma aberta a todo o mundo a intenção de conduzir processos políticos do planeta, de acordo com as regras inventadas pela própria NATO. Para quem não concorda com essas regras, a NATO está pronta para ameaçar com o uso de força que está a aumentar. Portanto, é muito interessante este artigo, é a análise, as conclusões que a Rússia retira desta cimeira da NATO. Se todo o Ocidente, e ontem destacámos isso, todos os primeiros-ministros, presidentes que estiveram presentes fizeram um bom balanço, destacaram aspetos positivos desta cimeira, a Rússia resume assim, e volto a citar este título: "A Ucrânia foi destruída, Zelensky foi calado e a China foi insultada".
São dois mundos paralelos.
Exatamente. E sempre em destaque, ou seja, essa divergência sempre em destaque da imprensa estatal russa para a imprensa do Ocidente e costumamos sempre destacar isso aqui na Guerra Traduzida.
É curioso fazer essa comparação. E quais são os destaques da imprensa estatal russa sobre as últimas movimentações no terreno?
Olhamos aqui para um comunicado do Ministério da Defesa que dá conta de que as Forças Armadas russas interromperam um ataque de um grupo de sabotadores ucranianos e reconhecimento na zona da República Popular de Donetsk. É muito frequente este tipo de notícias e este tipo de relatórios e comunicados por parte do Ministério da Defesa da Rússia. Este comunicado diz que durante estas hostilidades no terreno, as Forças Armadas da Ucrânia perderam 480 militares. Portanto, aqui ainda um número considerável, ou seja, um grupo de sabotadores ucranianos tentou atacar tropas russas na República Popular de Donetsk e todos esses soldados morreram.
O Ministério da Defesa também anunciou, Rui, um ataque com mísseis a armazéns onde estavam munições das Forças Armadas da Ucrânia.
É uma notícia em destaque no jornal estatal "Vedomosti", diz que ontem à noite as forças russas lançaram um ataque com mísseis contra depósitos de munição das Forças Armadas da Ucrânia. Diz este comunicado do Ministério da Defesa da Rússia que todos os alvos designados foram atingidos. Ainda assim, não é especificado que tipo de munições estavam exatamente no interior destes armazéns. Certo é que, de acordo com este comunicado do Ministério da Defesa da Rússia, esta missão foi concluída com sucesso.
Terminamos, como é habitual, a olhar para a imprensa livre da Rússia.
E como é habitual, à boleia do canal independente Meduza, que citamos aqui diariamente na Guerra Traduzida, diz que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia aprovou uma nova lei, uma nova proposta que diz que os cidadãos russos que receberam cidadania, autorização de residência ou outro documento que confirma o direito de residência permanente no país estrangeiro, passam a ser obrigados a notificar isso mesmo às missões diplomáticas da Federação Russa nesses países, isto em um prazo de 60 dias. Ou seja, aqui uma nova regra proposta pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia é aplicada a todos os cidadãos maiores de 18 anos, têm de enviar ou notificar a embaixada ou consulado pessoalmente a cada país ou por meio de um representante com uma procuração. Portanto, aqui uma notícia também em destaque no canal independente Meduza, a dar conta, de certa forma, deste controle das autoridades russas dos cidadãos que vão para outros países.
Rui Casanova e a Guerra Traduzida. Amanhã estamos de regresso para voltarmos a olhar para aquilo que publicam os jornais russos e ucranianos.