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Guerra Traduzida na Rádio Observador. É mais um episódio em que trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Conosco está já a jornalista Diana Rosa. Diana, trazes hoje, em primeiro lugar, o que dizem os órgãos de comunicação social russos neste dia 5 de março. E começamos com novos dados revelados hoje sobre o funeral de Navalny. Em todo o país foram detidas mais de 100 pessoas por participarem em homenagens ao ativista.

Um número avançado por um grupo de direitos humanos independente a operar na Rússia. Entre os detidos estava, por exemplo, Paulina Orekhova, que foi acusada de violar a lei depois de ter comparecido a uma reunião em memória de Navalny, que tinha acontecido ainda antes do funeral. É uma notícia do jornal "Meduza". Para além de ter de fazer um trabalho comunitário, esta mulher vai ter de pagar 20 mil rublos, que é o equivalente a pouco mais de 170€, o que pra nós parece que não é muito, mas na Rússia é mais do que o salário mínimo nacional. Há ainda outras pessoas que foram detidas sem serem acusadas de nada, portanto apenas por participarem nas cerimônias fúnebres. Lembrar ainda que o Kremlin ameaçou quem quisesse participar em protestos depois da despedida de Navalny, dizendo que essas pessoas pagariam as consequências.

E a inteligência militar ucraniana afirmou hoje que destruiu um navio-patrulha russo na costa da Crimeia.

A embarcação que sofreu danos na proa quando foi atacada por drones marítimos durante a noite, perto do estreito de Kerch, que liga o mar de Azov ao Mar Negro. Quanto à tripulação, sabe-se que há mortos e feridos, ainda sem números oficiais. O porta-voz do Serviço Militar de Informações acredita que parte das pessoas que seguiam a bordo conseguiram abandonar o navio pelo próprio pé. Nas redes sociais têm circulado relatos de moradores da região, que dizem ter ouvido explosões e tiros durante a madrugada. Há ainda um vídeo no YouTube, partilhado pelas forças ucranianas, que mostram imagens de um ataque, mas a imprensa independente, neste caso o "Moscow Times", que tem este artigo em manchete, não conseguiu verificar a veracidade deste registro. Já o Ministério da Defesa da Rússia não quis comentar as alegações da Ucrânia. Certo é que as autoridades russas anunciaram ainda durante a noite que o tráfego rodoviário ao longo da ponte da Crimeia tinha sido temporariamente suspenso, sem dar explicações. Entretanto, o trânsito na travessia já foi restabelecido.

E Diana, vais agora falar da tática do Kremlin para obrigar os russos a irem votar nas eleições presidenciais que estão marcadas para o dia 17 deste mês.

As autoridades russas enfrentam um dilema, Luís, pelo menos de acordo com fontes próximas do Kremlin ao jornal "Meduza". Uma vez que é assumido que Putin vai ganhar as eleições, por razões óbvias, ele conseguiu afastar todos os oponentes que podiam ter apoio da população, há muita gente que não faz conta de ir votar. Mas Putin não quer que a porcentagem de abstenção seja elevada. Por isso mesmo, para garantir que pelo menos 80% das pessoas coloquem a cruz no boletim de voto no dia 17, as autoridades do Kremlin querem usar terminais de votação eletrônica e códigos QR para pressionar eleitores, como por exemplo, funcionários públicos e trabalhadores de empresas privadas leais ao governo. Estão ainda planeados atos de coação, por exemplo, ter os gerentes das empresas a dizer aos funcionários que se não votarem, a atividade pode estar em risco.

E seguimos com declarações do Kremlin, que acusa embaixadores do Ocidente de estarem a interferir em questões internas da Rússia.

Quem o diz é a porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, numa entrevista a um canal de televisão estatal. Maria Zakharova foi questionada sobre se os embaixadores de países da União Europeia compreendem as suas funções. Isto depois desta porta-voz do ministério ter recusado encontros com quem lidera a tutela, neste caso com Sergei Lavrov. Recusa esta que levantou dúvidas sobre a atividade diplomática no país, é o que adianta o "Moscow Times". Maria Zakharova atira ao Ocidente para dizer que se não se preocupam com a Rússia para umas coisas, não se preocupem para outras. Deixa ainda críticas a vários embaixadores que resolveram participar no funeral de Alexei Navalny, o principal opositor russo.

E no teatro de operações, Diana, as tropas de Moscovo continuam a afastar as unidades das Forças Armadas Ucranianas, isto depois da ocupação de Avdiivka.

Esta é uma notícia em destaque no "Komsomolskaya". Depois de conseguirem ganhar essa cidade no leste da Ucrânia, as tropas de Zelensky estão com dificuldades em encontrar posições estáveis no terreno. É pelo menos isso que relata o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, numa conferência de imprensa esta manhã. Nas palavras do ministro, as Forças Armadas russas continuam a cumprir com sucesso as tarefas que lhes foram atribuídas, demonstrando coragem e bravura. A retirada dos soldados ucranianos de Avdiivka foi tudo, menos organizada, como demos conta aqui na Guerra Traduzida, com muitos deles a fugir desordenadamente. Isto causou alguns problemas a Kiev. O novo comandante das Forças Armadas da Ucrânia culpa inclusivamente os chefes das brigadas pelos problemas na zona leste do país e afirma que vai fazer substituições por pessoal que seja mais capaz de tomar decisões.

E fica por aqui este episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir olhamos para a imprensa ucraniana.