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Guerra traduzida. Vamos agora aos destaques da imprensa russa, num trabalho da jornalista Diana Rosa. Diana, começamos com uma afirmação do Kremlin: o Tratado de Istambul pode servir de base para o diálogo com a Ucrânia.

E quando falamos, Luís, de Tratado de Istambul, falamos de um alegado documento que nunca foi divulgado publicamente, mas que nas palavras de Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, terá sido entregue pela Rússia à Turquia em 2022, com um desenho de paz para território ucraniano. Documento esse que Putin diz que Zelensky não quis assinar. Certo é, como dizia, o documento nunca foi visto, mas agora Dmitry Peskov diz que pode ser essa a base para um cessar-fogo. Em declarações captadas pela TASS, o porta-voz do Kremlin acrescenta que qualquer solução diplomática para o conflito só pode ser alcançada através de negociações e, de preferência, sem a mediação do Ocidente. Diz ainda Peskov, mais uma vez, que qualquer plano de paz que não inclua a Rússia à mesa de negociações será infrutífero.

E Diana, uma adolescente de 16 anos foi presa na Rússia por ter feito declarações antiguerra.

Uma notícia do jornal Meduza, que está também no Agentstvo. Liubov Lizanova, não é fácil de dizer, foi inicialmente detida em outubro de 2022. Na altura, saiu com o pagamento de uma caução, foi depois colocada em prisão domiciliária e está agora em preventiva novamente num centro de detenção enquanto aguarda pelo julgamento. De acordo com uma organização de direitos humanos que atua na Rússia, este é o primeiro caso no país em que uma menor é enviada para a prisão por expressar opiniões antiguerra. Neste caso, pra além dela ter feito um grafite numa garagem com a frase "morte ao regime", estou a citar, partilhou também publicações nas redes sociais a incentivar ataques incendiários contra as sedes de recrutamento de militares para a Ucrânia. Lizanova e dois amigos que estão na mesma situação, estão todos eles acusados de crimes de terrorismo, foram adicionados, de resto, à lista negra da Rússia, onde constam supostos terroristas e extremistas. Estão também acusados de vandalismo motivado por ódio político. Na prisão, esta jovem escreve cartas à família, diz que faz desenhos para se entreter, mas também que sente a falta da mãe, do pai e da irmã mais nova. Certo é que depois do julgamento, esta jovem de 16 anos pode ter vários anos de prisão pela frente.

E em Moscovo, Alexander Lukashenko e Vladimir Putin estiveram reunidos para discutir a segurança dos dois países.

Uma informação avançada pela Agência Belta, a Agência Bielorrússia, mas citada aqui pelo Izvestia. No entanto, diz Lukashenko que não foi só a guerra na Ucrânia que esteve em cima da mesa, até porque, diz o presidente bielorrusso, o que acontece em território ucraniano é absolutamente claro. Sabemos, Luís, que ele está em sintonia com Vladimir Putin. Lukashenko não esteve só reunido com o presidente russo, esteve também com membros do Comitê de Segurança do País, diz o líder bielorrusso, que acrescenta ainda que foram discutidas questões econômicas, lembrando que agendaram uma reunião para a próxima segunda-feira entre os primeiros-ministros dos dois países para falar precisamente sobre esta matéria. Em particular, querem aumentar as exportações.

E terminamos, Diana, com o livro de memórias de Alexei Navalny, que vai ser publicado em outubro.

Sim, o principal opositor russo começou a escrever as memórias de uma vida depois de sobreviver a um envenenamento em 2020, que se julga que foi causado pelo Kremlin e teve depois de sair da Rússia para ser tratado na Alemanha. Esta é uma notícia que faz destaque no Moscow Times, cita declarações da mulher de Navalny, Yulia Navalnaya. Ela que explica que este livro serve também para galvanizar os apoiantes do movimento que ele liderava. O título do livro tem tudo a ver com o que representa Navalny aos olhos dos opositores russos. Chama-se Patriota. É um registro não só da vida, como também do compromisso que assumiu na luta contra a ditadura na Rússia. O livro foi escrito majoritariamente entre 2020 e 2021. Está a cargo da editora Penguin, já foi traduzido em 11 idiomas, divididos por 500 mil cópias. A partir da próxima quinta-feira já pode ser encomendado pela internet. O lançamento está marcado para o dia 22 de outubro.

E fica por aqui este episódio de Guerra Traduzida. Voltamos na próxima semana.