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"Guerra Traduzida" a começar agora na Rádio Observador. Vamos olhar para a imprensa dos dois lados do conflito, neste que é o dia número 502 da invasão. Começamos por saber o que se publica hoje nos jornais russos. Este trabalho é desenvolvido pelo jornalista Rui Casa Nova, que já está aqui conosco no estúdio e tem a colaboração de Larissa Tovmazian. Rui, boa tarde. Vladimir Putin e Yevgeny Prigozhin estiveram reunidos poucos dias depois da rebelião militar do grupo Wagner.
A rebelião militar aconteceu no final de junho, entre 23 e 24. Os dois estiveram reunidos no dia 29 de junho. A informação é hoje confirmada pelo porta-voz do Kremlin, que afirma que Vladimir Putin e Yevgeny Prigozhin se encontraram durante três horas. Nesta reunião estiveram, de acordo com o porta-voz do Kremlin, 35 pessoas, incluindo dois comandantes de unidades do grupo Wagner, que afirmaram a Vladimir Putin que vão continuar a lutar pelo presidente russo. Para além do encontro com Vladimir Putin, o jornal francês "Libération" avança também hoje que Prigozhin está no Kremlin, pelo menos desde o início deste mês de julho, desde o dia um, tendo sido interrogado pelo chefe da Guarda Nacional e pelo chefe dos serviços secretos russos. São notícias hoje em destaque no canal independente "Meduza", que dá conta deste encontro entre Vladimir Putin e Yevgeny Prigozhin, poucos dias depois da rebelião militar do grupo Wagner.
Vamos continuar a falar da imprensa livre da Rússia, porque hoje há uma investigação sobre o número de soldados que Moscovo já perdeu.
Isto porque o número de mortes tem sido um segredo do lado da Rússia desde o início da guerra, mas os meios de comunicação independentes "Mediazona" e "Meduza" avançam agora com alguns números. É a primeira análise estatística independente das mortes em combate na Rússia e a conclusão é que as perdas são oito vezes superiores àquilo que a Rússia admite. Falamos de cerca de 50 mil soldados russos mortos em combate desde o início da guerra, em fevereiro do ano passado. Como dizia, é uma investigação da "Mediazona" e do canal "Meduza", feito através das redes sociais e de fotografias de cemitérios. Este trabalho foi também feito em conjunto com o serviço russo da BBC. Os três órgãos registaram assim 27 mil mortes através das redes sociais e de fotografias de cemitérios. Com base nestes dados, analisaram depois registos de heranças e descobriram mais 47 mil processos abertos do que o esperado entre o início da guerra e o final de maio deste ano. Ao todo, de acordo com estes canais, há cerca de 50 mil soldados russos mortos em combate desde o início da guerra, sendo que, de forma oficial, o Kremlin reconhece apenas a morte de 6 mil soldados. Como dizia, é a primeira análise estatística independente das mortes em combate na Rússia.
Seis para 27 mil. E as autoridades russas consideram que houve uma mudança nas táticas das Forças Armadas da Ucrânia no terreno.
É, as Forças Armadas da Ucrânia mudaram de tática. É o que afirma o chefe interino da República Popular de Donetsk, Denis Pushilin. É frequente Denis Pushilin fazer análises do que se passa no terreno, avançar com informações do que se passa nos combates aos órgãos de comunicação social estatais russos. Desta feita, falamos de uma entrevista à televisão Rossiya 24. De acordo com este chefe interino da República Popular de Donetsk, as Forças Armadas da Ucrânia interromperam as ofensivas em grande número e passaram a atuar em pequenos grupos no terreno. É o que afirma Denis Pushilin. Adianta também que as unidades russas estão prontas para essas mesmas movimentações e que estão a lidar com estas tentativas de ataque da Ucrânia com bastante sucesso. Palavras, como dizia, a uma televisão estatal russa.
E a Rússia, Rui, afirma também que um dos mísseis S-200 disparados ontem à noite pela Ucrânia foi apontado pra ponte da Crimeia.
É o que afirma o chefe do quartel-general das Forças Aeroespaciais da Federação Russa. Falamos do coronel-general Viktor Afzalov, aqui citado pelo jornal RBK. Afirma que os sistemas de defesa antiaérea da Rússia destruíram nas últimas horas dois mísseis que tentaram atacar esta ponte da Crimeia, tinham como alvo a ponte da Crimeia, e também um aeródromo. Afirma este chefe militar, o coronel-general Viktor Afzalov, que os sistemas de defesa antiaérea eliminaram estes mísseis S-200 e que por isso não há vítimas ou danos na infraestrutura da Rússia.
Terminamos a "Guerra Traduzida". Estivemos a olhar para os jornais russos e pras notícias que lá são publicadas com Rui Casa Nova. Já a seguir vamos olhar pra imprensa ucraniana.