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Arranca agora mais uma edição da Guerra Traduzida, edição especial para acompanhar o conflito no Irão. A edição de hoje é do jornalista Martim Madeira. Boa tarde, Martim.

Boa tarde, Ricardo.

Começamos com uma notícia exclusiva do New York Times, que revela o plano de Israel para alterar o regime iraniano.

O artigo do Times cita como fontes oficiais militares norte-americanos familiarizados com o plano. Depois do ataque que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei, Donald Trump sugeriu que era melhor o Irão ser governado por alguém dentro do sistema iraniano. Na altura, não se sabia de quem se falava. Ao que tudo indica, Israel e Estados Unidos já tinham como plano realizar um ataque para libertar um antigo presidente iraniano que estava em prisão domiciliária, ataque esse que acabou por deixá-lo ferido. Mahmoud Ahmadinejad é conhecido por ter políticas intransigentes, antiisraelitas e antiamericanas. Durante o mandato que teve entre 2005 e 2013, pediu múltiplas vezes para apagar Israel do mapa, era a favor do programa nuclear do Irão e muito crítico de todas as ações dos Estados Unidos no Médio Oriente. De acordo com o Times, apesar de ter sobrevivido ao ataque, o antigo presidente iraniano ficou cético de que poderia haver mesmo a mudança do regime iraniano e, por isso, o plano acabou por cair por terra. O paradeiro de Mahmoud Ahmadinejad é, por agora, desconhecido.

E, entretanto, Martim, o Senado norte-americano vai avançar com uma resolução para bloquear ataques no Irão.

Uma notícia dada pelo Washington Post. A resolução passou no Senado com 50 votos a favor e 47 contra. Quatro republicanos juntaram-se aos democratas na votação desta resolução. A resolução em questão é de 1973, que requer que o presidente norte-americano retire todas as forças norte-americanas de qualquer conflito não autorizado pelo Congresso no período de 60 dias. Na operação Fúria Épica, Donald Trump enviou uma carta ao Congresso a dizer que as hostilidades tinham acabado momentos antes de expirarem estes 60 dias. E há ainda informações, segundo os mídia norte-americanos, de que a administração de Trump possa mesmo renomear a operação para conseguir contornar esta mesma lei. Por agora, a resolução passou no Senado, tem agora de ir ao Congresso norte-americano, que depois vai ter de aprovar para chegar ao presidente dos Estados Unidos. O Washington Post explica que, em princípio, Donald Trump vai vetar esta proposta, o que obrigaria o Senado e o Congresso norte-americano a anular o veto de Trump antes da lei entrar em vigor.

Depois de ter estado com Trump e Xi Jinping, reuniu-se com Vladimir Putin. O presidente russo está de visita na China até amanhã e foi entretanto discutida a guerra no Médio Oriente.

No segundo dia da visita, os dois líderes assinaram mais de 40 acordos entre os dois países e elogiaram bastante a cooperação entre os dois países. No entanto, a guerra no Irão também esteve em destaque. O presidente chinês, Xi Jinping, disse a Vladimir Putin que é necessário os Estados Unidos e o Irão chegarem a um cessar-fogo concreto. Uma declaração que mais tarde foi corroborada por Putin, que também considera que Xi Jinping é um grande aliado e citou-lhe também um provérbio chinês a dizer que é um velho amigo.

Continuamos a falar sobre este vasto país gélido no cimo leste europeu. A Rússia, entretanto, garante que o Irão se comprometeu a não desenvolver armas nucleares.

Teerão alega que a utilização da tecnologia nuclear se limita apenas a fins civis e humanitários. É o que está a noticiar a agência russa TASS. Em causa estão as declarações do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que critica a posição oportunista dos Estados Unidos. Diz Sergei Ryabkov que cabe apenas ao povo iraniano decidir como exercer esse direito, de acordo com os interesses nacionais do país.

Passamos agora para novidades vindas diretamente do Irão. A Guarda Revolucionária Iraniana ameaça estender a guerra para além do Médio Oriente.

Através de um comunicado citado pela agência de notícias iraniana Tasnim, a Guarda Revolucionária do Irão avisa que qualquer nova agressão contra o Irão pode alargar o conflito para lá da região. Afirma que podem cenar ataques devastadores que vão deixar locais que nem imaginam em ruínas, é o que se pode ler neste comunicado. Avisa também, ao contrário dos Estados Unidos e de Israel, que o Irão ainda não usou todas as capacidades militares que tem a dispor.

Fica por aqui mais uma Guerra Traduzida, edição especial Irão. Desta vez contou com a edição do jornalista Martim Madeira.