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Guerra Traduzida na Rádio Observador. É mais um episódio em que trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Conosco está já a jornalista Diana Rosa. Diana, trazes hoje, em primeiro lugar, o que dizem os meios de comunicação russos neste dia 6 de março. A Rússia que ameaça os países do Norte da Europa, em particular a Finlândia, caso recebam equipamento nuclear por parte dos Estados Unidos.
E garantem que, se assim for, esses países são considerados alvos legítimos em caso de confronto entre a Rússia e a NATO. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirma que não é preciso ser um estratega militar para perceber que isso representaria uma ameaça direta à Rússia. Citada pela agência de notícias Interfax, Maria Zakharova sublinha que as autoridades finlandesas não informaram os cidadãos dos riscos a que estão sujeitos caso este tipo de armas apareça na Finlândia, que é o país com a fronteira terrestre mais longa da NATO com a Rússia. São quase 1400 km.
E seguimos com uma acusação da Rússia, desta vez à Ucrânia. Diz que as tropas de Zelensky tentaram atacar a casa de Vladimir Putin no Kremlin.
Foi, não esta noite, mas na noite anterior. É uma notícia do jornal Pravda, um jornal independente. O ataque foi repelido com a ajuda de sistemas de guerra de radar. Numa mensagem oficial publicada no site do Kremlin, pode ler-se que foi cometido um atentado terrorista para assassinar Putin, que não estava em Moscovo naquele momento. De acordo com a CNN Internacional, que também noticiou este caso, o governo norte-americano já foi questionado se sabia o que aconteceu naquela noite, mas a resposta foi de que a Ucrânia não enviou qualquer informação sobre a intenção de levar a cabo um ataque ao Kremlin. No entanto, a Casa Branca diz que está a tentar reunir informações sobre o incidente. Quem também já respondeu a estas acusações foi precisamente a Ucrânia, que acredita que a Rússia está a planear um bombardeamento à casa de Zelensky, mas recusa qualquer envolvimento em ataques ao Kremlin.
E seguimos, Diana, com Alexei Navalny, que mesmo depois de morrer continua a dar dores de cabeça ao regime de Vladimir Putin. Qual é o desenvolvimento desta vez?
Se ontem demos conta aqui na Guerra Traduzida de mais de 100 pessoas que foram detidas na Rússia por terem participado em homenagens a Navalny, hoje sabe-se que as autoridades russas estão a recorrer a imagens de vídeo para identificar e prender pessoas que tenham comparecido no funeral. É uma notícia do jornal Meduza. Esta estratégia já permitiu à polícia deter alguns apoiantes de Navalny. Um dos casos foi o de uma mulher que apareceu num destes registos a dizer: "Glória aos heróis, glória à Ucrânia". Ao site de notícias Agentstvo, o porta-voz do grupo de direitos humanos OVD, que é independente e tem membros na Rússia, disse aos jornalistas que o sistema de reconhecimento facial de Moscovo é tão competente que permite às autoridades rastrear todos os passos de cada cidadão.
É também notícia hoje, Diana, que a viúva de Navalny pede que os russos saiam à rua em protesto no dia das presidenciais.
Que estão marcadas para o dia 17 deste mês. É num vídeo publicado no YouTube que Yulia Navalnaya faz esse apelo. Diz ela que é preciso aproveitar o dia das eleições para mostrar que os opositores a Putin existem e são muitos. Yulia faz ainda um apelo a quem vai votar, pede que os russos escolham qualquer candidato, menos naturalmente Vladimir Putin, ou então que escrevam o nome de Navalny como protesto no boletim de voto. A viúva do ativista pede, por isso, que os apoiantes do marido saiam à rua no dia 17 e se concentrem pelo meio-dia. Lembro que Navalnaya jurou continuar a luta contra Putin, mas os protestos tradicionais contra o governo são duramente reprimidos na Rússia.
E também nos jornais russos, Diana, a notícia de que em Kiev, na Ucrânia, esta noite ficou marcada por várias explosões.
O alerta de ataque aéreo foi declarado, Luís, em 13 regiões do país. A informação foi avançada pela Administração Militar Regional de Kiev, esclarecendo que se trata da ativação de sistemas de defesa aérea. Ora, numa mensagem no Telegram, o governo tranquiliza os cidadãos, diz que as forças militares estão a trabalhar na região. Também Odessa, sul do país, foi palco de vários bombardeamentos esta noite. É uma notícia do Komsomolskaya.
E fica por aqui este episódio da Guerra Traduzida, versão Rússia. Voltamos já a seguir com as notícias da Ucrânia.