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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos sobre as principais notícias que estão em destaque na imprensa russa, um trabalho do jornalista Martim Madeira. A Rússia anuncia o maior volume de exportações de petróleo bruto desde a invasão da Ucrânia, Martim.
Os ataques ucranianos a refinarias russas fizeram com que a Rússia aumentasse as exportações de petróleo bruto para o nível mais alto desde a invasão da Ucrânia, desde 2022, avançou hoje a Bloomberg. A agência de notícias refere que os carregamentos de Moscovo, desde o início do ano, fixaram-se nos 3,46 milhões de barris por dia, cerca de 120 mil barris por dia acima dos valores de 2025, sendo que o valor mais alto até agora eram os de 2023, que nesse ano foram exportados 3,36 milhões de barris por dia. Os ataques da Ucrânia provocaram a queda da refinação de petróleo russo para o valor mais baixo dos últimos 16 anos e que pode provocar uma crise de abastecimento de combustíveis na Rússia, que já se começam a sentir em regiões como Kursk e Belgorod, segundo o The Moscow Times, para além da Crimeia, ocupada por Moscovo.
Olhamos agora para o ataque massivo lançado pela Rússia à Ucrânia, nos olhos dos media russos. Os jornais escrevem que as Forças Armadas da Rússia lançaram um novo ataque massivo contra a Ucrânia.
De acordo com o jornal, foram disparados mísseis Calibre KH-101, Iskander, Tsiklon e os drones Geran de várias direções. O jornal russo sublinha que as publicações ucranianas ajudaram a desenhar a derrota ucraniana e o mapa dos alvos atingidos, os quais coincidem com o complexo militar-industrial. Já na região de Zaporíjia foram registados 20 impactos, avistando-se um clarão verde que indicará a destruição da fábrica Motor Sich em Kiev. Os alvos incluíram as indústrias de defesa Mayak e Arsenal, além de um armazém em Podolsk, onde se ouviram detonações secundárias de munições. O ataque atingiu ainda instalações industriais e logísticas nas regiões de Kharkiv, Dnipropetrovsk, Sumy, Odessa e Rivne. Isto é, todas as actualizações de acordo com estes jornais russos.
Entretanto, o Serviço Federal de Segurança da Rússia, a FSB, revelou os detalhes de uma operação de ciberespionagem ocidental descrita como sem precedentes.
De acordo com as autoridades, serviços secretos estrangeiros operando a partir de Londres, São Francisco e Nova Iorque infectaram em massa computadores e smartphones de altos funcionários e jornalistas. É isto que dizem as autoridades russas. Os especialistas explicaram que o vírus informático permitia o controle total dos aparelhos, desde a ativação secreta de microfones e câmeras, até à recolha de dados em modo de voo ou com o telemóvel desligado. Especialistas da Kaspersky associam o ataque à conhecida "Operação Triangulação", que aproveitou falhas de segurança físicas nos processadores. A FSB deixa o aviso: em reuniões sensíveis, os telemóveis devem ser guardados em caixas isoladoras, lembrando que a segurança nacional depende agora de uma rigorosa higiene digital.
Para terminar, a Rússia impôs sanções contra cinco cidadãos britânicos, incluindo jornalistas e representantes da comunidade de analistas.
De acordo com os Ministérios dos Negócios Estrangeiros russos, a decisão de expandir a lista de exclusão surge em resposta às ações hostis e à contínua retórica anti-russa das autoridades de Londres, que continuam a fornecer armas a Kiev. Moscovo acusa os sancionados de estarem envolvidos na replicação de especulações e informações falsas sobre as políticas do governo russo e sobre as ações das Forças Armadas russas. As restrições visam o cientista político Alexander Brother, a jornalista do Washington Post, Catherine Belton, o fundador do Chelsea Group, Richard Westbury, a sua directora-geral, Alice Laper, e o jornalista Richard Holmes. A diplomacia russa sublinha que estas medidas expõem o desejo de Londres em manter um confronto com a Rússia.
É o ponto final na edição de hoje de "A Guerra Traduzida", dia 2 de junho, um trabalho do jornalista Martim Madeira. "A Guerra Traduzida" está de regresso amanhã.