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Arranca aqui a Guerra Traduzida, agora com destaque para a imprensa russa sobre a invasão. É um trabalho do Rui Casanova, como sempre, em colaboração com a Larissa Tovmazian. E Rui, neste dia 394 da invasão, começamos com uma análise de um comandante militar sobre as últimas movimentações no terreno.
Sim, é muito comum haver na imprensa estatal russa esse tipo de análises militares e comandantes falarem de como está a situação no terreno. E passo a citar o que diz este comandante das Forças Especiais de Akhmat, numa entrevista à televisão estatal russa: "A contraofensiva das Forças Armadas da Ucrânia, se avançar, pode complicar a situação num ou outro setor da frente, mas esse possível contra-ataque não será capaz de mudar o rumo da operação especial em curso". É o que diz Apty Alaudinov, o tal comandante das Forças Especiais de Akhmat, que destaca ainda a situação atual na batalha por Bakhmut, cidade no leste da Ucrânia, um dos pontos mais críticos neste momento da guerra. Este comandante afirma que as forças russas estão a fazer, e passo a citar, "um tremendo trabalho no terreno para destruir um grande número de inimigos por dia e evitar assim a possibilidade de a cidade ser reconquistada por parte de Kiev". Portanto, aqui declarações fortes deste comandante das Forças Especiais de Akhmat.
Entretanto, o ministro da Defesa da Rússia condecorou mulheres militares que evitaram um ataque com drones na Crimeia.
É uma notícia em destaque no jornal estatal russo Vesti, que lembra que as Forças Armadas ucranianas tentaram lançar um ataque na madrugada de 22 de março, com recurso a três veículos não tripulados, portanto, os drones. Este ataque terá ocorrido entre as 04:00 e as 05:56. Ora, duas militares russas identificaram estes três drones e conseguiram neutralizar dois deles. É o que explica o jornal estatal Vesti. O ministro da Defesa entregou-lhes agora a distinção Ordem da Coragem e enalteceu o trabalho destas mulheres militares russas que destruíram dois dos três drones ucranianos neste ataque que aconteceu nesta madrugada de 22 de março.
E a Estónia expulsou um diplomata russo por difundir propaganda. É uma notícia em destaque na agência estatal RIA.
Sim, a Estónia ordenou esta sexta-feira a expulsão deste diplomata russo, que trabalhava na embaixada do país em Tallin, por, e passo a citar, "difundir propaganda que defendia a invasão da Ucrânia". O ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia explica que o diplomata em questão tem estado envolvido em ações que ativamente prejudicavam a segurança e ordem constitucional da Estónia, difundindo propaganda que justificava a ação militar da Rússia e causando também divisões na sociedade da Estónia. O diplomata russo em questão foi declarado persona non grata e deverá abandonar a Estónia até 29 de março. É uma notícia que merece destaque na agência estatal russa RIA.
E Rui, apesar dos intensos combates no Donbass, alguns militares ucranianos conseguem visitar as famílias. Falamos agora dessas histórias.
Sim, são histórias que nos são contadas esta sexta-feira pelo jornal independente russo Meduza, que partilha fotografias destes momentos. Tem um artigo em destaque com muitas fotografias precisamente destes momentos. Estou aqui no site do Meduza a ver estas mesmas fotografias e para que os ouvintes possam entender o que se está a passar, vou tentar explicar. Vemos, por exemplo, uma fotografia de dois militares junto a uma estação de comboios abraçados às namoradas. Ou seja, eles saem do terreno de batalha por alguns dias, podem voltar a casa, encontram-se com os familiares, com as namoradas, com as esposas, com as mães, com as filhas, e depois têm de voltar para a linha da frente. Vejo aqui uma fotografia de dois militares muito jovens abraçados às namoradas. Vemos agora uma fotografia de um militar mais velho, fardado com a farda de combate. Está a falar ao telefone e tem na outra mão um ramo de flores, possivelmente para entregar talvez à mulher, à esposa, à namorada ou à mãe, a algum familiar. Vejo agora outra fotografia, novamente numa estação de comboios, de um militar a beijar a namorada, é o que diz também a legenda desta fotografia, possivelmente a despedir-se antes de regressar ao terreno. Vemos aqui mais uma fotografia de um outro militar a beijar a namorada, ela que tem na mão um ramo de flores, que terá sido entregue por este militar, que está vestido também fardado e com um saco militar, ou seja, terá ido a casa durante apenas alguns dias e depois tem de voltar ao terreno. E vejo aqui também agora algumas fotografias de militares feridos em combate que perderam mesmo os membros, perderam os braços e têm próteses e estão a mostrar essas próteses aos familiares. Vejo aqui um militar com uma prótese no braço a mostrar essa prótese a um familiar. E aqui outro militar que perdeu uma das pernas e está de muletas na sala, também a falar com os familiares. Portanto, aqui uma série de fotografias de momentos familiares compiladas pelo jornal independente russo Meduza.
E é com estes momentos de amor em tempo de guerra que fechamos este episódio de Guerra Traduzida, trazido à antena do Observador pelo Rui Casanova, em colaboração com a Larissa Tovmazian.