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Traduzimos a guerra dos dois lados do conflito através dos jornais russos e ucranianos neste dia 425 desta invasão. Começamos hoje com a imprensa russa, um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian. João, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros já está na cidade de Nova York.
Sergei Lavrov aterrou em Nova York. A informação foi avançada pela porta-voz do governante. No Telegram, Maria Zakharova escreve que o voo de Lavrov foi seguido por cerca de três milhões de pessoas, 700 mil em simultâneo. Isto na aplicação Flight Radar. Hoje e amanhã o ministro russo dos Negócios Estrangeiros vai encontrar-se com António Guterres. A reunião com o secretário-geral das Nações Unidas deve acontecer ainda hoje e o encontro vai ter em cima da mesa temas como a exportação de cereais do Mar Negro. Ainda hoje, preside ao debate sobre multilateralismo no Conselho de Segurança, no momento em que a Rússia assume a presidência rotativa deste órgão máximo da ONU, o que tem motivado críticas devido à guerra na Ucrânia. Amanhã, dia 25 de abril, Lavrov preside ao debate trimestral dedicado ao Médio Oriente. A participação do ministro russo nestes dois eventos voltou a levantar questões sobre a emissão de vistos norte-americanos. O jornal estatal russo Ria Novosti lembra que não foram emitidos vistos para jornalistas russos e que o próprio Sergei Lavrov já garantiu que Moscovo não vai perdoar ou esquecer este assunto. O jornal nota também que nem todos os diplomatas receberam o tal visto.
Continuamos no plano das cimeiras internacionais, mas passamos para um convite endereçado a Vladimir Putin para que participe na Cimeira dos BRICS este verão.
O convite já foi recebido pelo líder do Kremlin. O anúncio foi feito pelo principal porta-voz, Dmitry Peskov, em declarações citadas pelo jornal "Kommersant". Diz que Putin vai tomar a decisão sobre se vai ou não mais próximo do acontecimento. A Cimeira dos BRICS, acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, acontece precisamente no último admitido na cidade sul-africana de Durban, no final de agosto.
Continuamos a falar do presidente russo, porque Putin promete dar condições iguais a todos os combatentes de Moscovo que estão na Ucrânia.
Uma intenção demonstrada durante uma reunião com o líder do grupo de trabalho sobre a operação especial militar, que é a expressão utilizada pelos russos pra invasão na Ucrânia. Andrei Tushak propôs que o salário fosse nivelado, independentemente do estatuto dos militares, sejam profissionais ou voluntários. E Vladimir Putin concordou. De acordo com esta agência estatal TASS, que relembra a diferença entre os militares e os voluntários, a diferença entre o que estes recebem por combaterem na Ucrânia é considerável. Atualmente, os voluntários recebem cerca de 195 mil rublos mensais, pouco menos de 2.200 euros, independentemente do local onde estejam destacados, na linha da frente ou mais atrás, e de acordo com a agência estatal russa, é consideravelmente menos do que recebem os militares profissionais de Moscovo.
E do terreno à Rússia, chega a notícia de as forças de Moscovo terem destruído um grupo de militares responsáveis pela tortura de combatentes russos em Donetsk.
A expressão usada é mesmo essa: destruição. E a notícia é avançada pela agência estatal russa RIA, que cita um comunicado do Ministério da Defesa. Aí podemos ler que dezenas de mercenários da Legião Georgiana foram mortos, militares que, de acordo com o Kremlin, participaram na tortura e morte de militares russos em março do ano passado, perto de Kiev. A agência lembra que em abril de 2022, um responsável do Parlamento da Geórgia tinha confirmado que cerca de 400 mercenários do país tinham chegado à Ucrânia para ajudar as forças de Kiev.
E seguimos com a queda de um drone suspeito perto da capital da Rússia, Moscovo.
Notícia da Agência RIA. O drone caiu na cidade de Noginsk, cerca de 55 quilômetros do centro de Moscovo. Quando caiu, colapsou apenas, não houve fogo, não houve incêndio. O drone tem um motor norte-americano, daí o motivo das suspeitas. Pesava ou pesa cerca de 100 quilos, não tinha munições, não estava armado e de acordo com a imprensa russa, está agora a ser investigado este drone pelas forças de segurança pra que descubram de onde foi lançado.
Terminamos esta edição da Rússia com a imprensa independente e com o único líder internacional que vai estar na celebração do Dia da Vitória em Moscovo.
Notícia do jornal Meduza, do independente Meduza. Sadyr Japarov, o presidente do Quirguistão, é o único líder estrangeiro que vai marcar presença nestas celebrações. Japarov foi convidado no final do mês passado, de março, e pra além de participar nas celebrações do Dia da Vitória, o presidente do Quirguistão deve ainda sentar-se à mesa com Vladimir Putin, ainda que não sejam claros os motivos pra que estes dois líderes se sentem à mesa. De recordar que no ano passado, o Dia da Vitória em Moscovo não teve líderes estrangeiros.
E é assim que fechamos este episódio. Já a seguir vamos à Guerra Traduzida, versão Ucrânia.